A crise no Mali favorece os planos da Argélia
Pela primeira vez, em maio de 2026, o Exército malinense lançou bombas de fragmentação, proibidas pelo direito internacional, no norte do país. Apesar da intensificação das “operações antiterroristas”, os jihadistas e seus aliados tuaregues ampliaram seu controle territorial. Indispensável para qualquer solução política, a Argélia planeja recuperar sua influência na região
Há catorze anos, o Mali é alvo de ataques jihadistas mortais e desestabilizadores. Nunca colocados realmente em prática, os acordos de paz de Argel, assinados em 2015, foram denunciados por Bamaco em 2024. Apesar das várias intervenções estrangeiras que mobilizaram milhares de soldados – o Chade desde os primeiros ataques do grupo armado islamista Ansar Dine e do Movimento Nacional de Libertação do Azauade em 2012, a França entre 2013 e 2022, por meio das operações Serval e Barkhane, a Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização do Mali (Minusma) entre 2013 e 2023 e a força conjunta do G5-Sahel (Mali, Burkina Faso, Níger, Mauritânia, Chade), apoiada por Paris –, o norte e o centro do país estão, direta ou indiretamente, sob controle dos rebeldes. As Forças Armadas Malinesas (Fama) não conseguiram retomar de forma duradoura o controle do território nem impedir os massacres de civis (10 mil…

