A demarcação de Nunatsiavut e os conselhos de cogestão ambiental inuítes
A história de resistência de um povo que por décadas lutou pela demarcação e reconhecimento de seu território e que hoje se orgulha de completar, em 1º de dezembro, vinte anos de governo autônomo
Posicionalidade e reconhecimento de território[1] Há dez anos resido na Província de Terra Nova e Labrador, Canadá. Um ano atrás assumi o cargo de diretora-executiva dos Conselhos de Cogestão de Fauna & Flora e de Pesca em Nunatsiavut (Torngat Secretariat). Sou natural de Montenegro (RS), terra ancestral de vários povos, incluindo os Coroados, Guarani, Kaingang e Charrua. Sou bióloga (Unisinos), com mestrado, doutorado e pós-doutorado em Geografia (Memorial University). Aos escrever este artigo, não represento as vozes inuítes, pois isso não cabe a mim. O que compartilho aqui é minha leitura sobre a história de resistência de um povo que por décadas lutou pela demarcação e reconhecimento de seu território e que se orgulha de completar vinte anos de governo autônomo no próximo dia 1º de dezembro. Dessa forma, reconheço que as terras onde moro, trabalho e escrevo são as terras ancestrais dos povos innu e inuíte de Labrador, e…

