O AFASTAMENTO DE CLAUDE JULIEN E A GUINADA DA FRANÇA À DIREITA

A eleição que quase mudou o Le Monde

Em 1980-1982, a redação do Le Monde dividiu-se durante a eleição de seu diretor. Dois editorialistas atualmente no jornal afirmam que, ao fim da longa disputa, o periódico se libertou de uma “camisa de força ideológica em que as ilusões do social-terceiro-mundismo encontravam acolhida com excessiva facilidade”. Em outras palavras, o principal jornal de referência da França rompeu com sua postura de não alinhamento para aderir às posições da Otan. Eis como isso aconteceu

Jacques Fauvet, diretor do Le Monde desde 1969, deveria deixar seu cargo em 31 de dezembro de 1979. Ele havia atingido o limite de idade. Como nenhum sucessor fora escolhido, ele solicitou, em junho de 1978, à Sociedade dos Redatores (SDR), então coproprietária do jornal, uma prorrogação de seu mandato por três anos para preparar sua sucessão. O pedido foi aceito. Começou então um processo sucessório que se estenderia até a eleição de André Laurens, em 27 de maio de 1982. No Le Monde, havia consenso de que o diretor do jornal deveria pertencer à redação. O conselho de administração estabeleceu como objetivo que o “procedimento respeite o princípio democrático, evitando ao mesmo tempo confrontos entre eventuais candidatos. A empresa precisa evitar divisões que inevitavelmente marcarão a futura direção; também deve evitar uma eleição competitiva que suscite divisões em torno de nomes, tendências presumidas ou reais”.[1] O processo seria conduzido…

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