A eternização do presente e o futuro pós-pandemia

Populismo e crises

A eternização do presente e o futuro pós-pandemia

por Grupo de Pesquisa Discurso
24 de agosto de 2020
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Neste quinto texto da série “Populismo e Crises: A análise política dos discursos sobre a pandemia da Covid-19”, produzida pelo Grupo de Pesquisa “Discurso, Redes Sociais e Identidades Sócio-Políticas (DISCURSO)”, nos detemos nos debates de um primeiro conjunto de olhares sobre o futuro pós-pandemia.

Nos artigos anteriores, caracterizamos a pandemia da Covid-19 como acontecimento que coloca a hegemonia em suspensão, identificamos os principais elementos dos discursos negacionista e científico e analisamos o papel e as estratégias das mídias na pandemia e a resultante reconfiguração política. Neste novo trabalho, partindo de uma consideração de eternização do presente com o extenso prolongamento da pandemia e da disputa das vacinas como um indicador de pré-futuro, procuramos recuperar um primeiro conjunto de olhares sobre o porvir. Particularmente, nos atemos para aqueles que apontam para a reprodução ou aprofundamento das dominações neoliberais existentes, assim como outros de caráter reformista.

Olhar para pandemia da Covid-19 como acontecimento[i] – como apontávamos no artigo inicial desta série [ii] – por um lado, permite enfatizar as dimensões não previstas da pandemia. Por exemplo, a de criar fissuras e até romper com as regularidades e com as padronizações envolvidas na capacidade de projetar e gerir o mundo a partir de mudanças nas disputas hegemônicas de discursos, abrindo, assim, espaços para diferentes futuros. Ao se relacionar com o singular, com o desvio e com o imponderável, o acontecimento permite romper com a política foucaultiana enquanto gestão biopolítica de corpos e de populações abrindo as portas para o político laclauniano[iii]como criação coletiva – e contingente – de novas articulações políticas e identitárias.

Mas, ao mesmo tempo, esse olhar como acontecimento também aponta para um fenômeno de decalque nas dinâmicas que organizam e estruturam as relações sociais. Decalcar é produzir uma cópia, transferir uma imagem de um plano para outro.  No caso da pandemia, essa operação de decalcar transfere do plano historicamente ocultado, socialmente normalizado e ideologicamente naturalizado ao nível manifesto da disputa hegemônica as relações estruturantes das dinâmicas sociais. Isto é, as relações que produzem as desigualdades econômicas, políticas, geopolíticas, de gênero, de raça e todas as demais que organizam e regem de forma sistêmica a existência dos países, das sociedades e seus relacionamentos. O decalque criaria condições de vislumbrar a natureza profunda, as fontes e valores dessas dominações que colocam em movimento as sociedades. Um acontecimento como a pandemia, ao decalcar esse real entrelaçado e interdependente, coloca na ordem do dia a disputa hegemônica entre projetos para o futuro de nossas sociedades.

Um conjunto de intelectuais e de lideranças de movimentos sociais alargam o debate público sobre o conteúdo desse futuro pós-pandemia, sobre o que e como reproduzi-lo ou reformá-lo. Este é o tema que será abordado neste quinto artigo da série Populismo e Crise.

Começaremos por discutir a extensão do tempo da pandemia a partir do que chamamos aqui de pré-futuro ou eternização do presente. Seja em alguns países, por nunca terem saído desse momento diante do predomínio hegemônico do discurso negacionista[iv] – o que está levando à continuidade dos contágios e das mortes sem um horizonte claro de reversão (apesar das falas otimistas ou descontextualizadas dos governantes). Seja por novos surtos de contaminação em outros países, onde, predominando o discurso científico de isolamento social e outras medidas de preservação da vida, inicialmente se conseguiu reverter substancialmente as curvas de contágio e mortes, mas hoje vivenciam a volta ao presente eterno da pandemia com o cansaço da população e/ou o relaxamento antecipado do isolamento.

Pré-Futuro ou eternização do presente: Alô COVIIIIID!!!

A gripezinha, o e daí?[v] e outros comentários recentes do presidente do Brasil, assim como as aglomerações de pessoas sem máscaras de proteção desrespeitando o distanciamento social em várias cidades do país foram noticiadas amplamente por diferentes meios de comunicação. Essas cenas não são exclusivas do Brasil, se reproduzem em diversos países, assim como as falas e performances equivalentes – ainda que talvez não tão depreciativas – de outras lideranças negacionistas, sejam as que ocupam os principais cargos governamentais (como o presidente de Estados Unidos) ou as que fazem parte de grupos e setores oposicionistas, desde neonazistas na Alemanha e apoiadores do Vox na Espanha, até signatários da Fundação Internacional para a Liberdade (FIL), como Vargas Llosa, Macri e críticos do isolamento que criticam as atitudes desmedidas de governos latino-americanos por restringirem indefinidamente liberdades e direitos individuais.

Assim, não seria estranho ouvir durante o pré-futuro o refrão irônico de um samba carnavalesco Alôooo COVIIIIID!! diante do tratamento irresponsável negacionista dado por governos e pelo comportamento desleixado e debochado de grupos de auto-desconfinados durante a pandemia. Esse possível refrão, assim como o concreto e daí? têm, de fato, uma intencionalidade política. O deboche e a minimização da tragédia procuram ocultar a incapacidade de oferecer um futuro, vendendo um passado[vi] que prega a volta à normalidade econômica pré-existente.

Porém, essa minimização intencional da pandemia e de suas consequências pelo discurso negacionista dos governos têm tornado mais longa a presença do vírus e a tragédia sanitária que assolam os países. Se por um lado o cansaço do confinamento afeta a percepção das pessoas sobre os riscos de desrespeitarem os protocolos de segurança, como o distanciamento social e o uso de máscaras de proteção e álcool em gel ou álcool líquido 70% de concentração, esse comportamento imprudente e indiferente também é um produto político. O discurso negacionista da minimização – habitado no caso brasileiro na expressão e daí? do presidente – ganhou espaço e foi incorporado em parcelas significativas das respectivas sociedades, seja do Brasil, dos EUA e até de países como a Argentina, onde o negacionismo é reproduzido por grupos de oposição ao governo e não pelas autoridades. Em todos esses países, é comum encontrarmos nas mídias sociais comparações com outras doenças graves, como o número crescente de assassinatos para justificar que a pandemia não é tão grave assim, que há um exagero nas políticas de isolamento social até mesmo justificado no perfil das mortes que atinge em sua maioria a população idosa. Conforme Laclau, sendo a política contingente, o discurso político muda e se ajusta aos contextos[vii].

No caso brasileiro, após o e daí?, entre outras afirmações do mesmo gênero de menosprezo, o presidente, ao assinar documento que libera recursos para a compra de uma vacina,  afirmou que temos como dizer que fizemos o possível e o impossível para salvar vidas – da Covid-19 –  apesar daqueles que teimam em dizer o contrário. Essa atualização do discurso que se quer hegemônico não pretende ser fiel à verdade – fizemos o possível e o impossível – nem apagar os atos recentes de estímulo às aglomerações e as performances de levantar a caixa de cloroquina – um remédio ainda controverso e sem comprovação científica quanto à sua eficácia no tratamento para a Covid-19 – diante de uma multidão de apoiadores como se estivesse em um culto, ou para uma ema que habita os jardins do Palácio da Alvorada. Mas ele procura encobrir que após meses de pandemia foram destinados apenas um terço dos recursos previstos para o seu combate nos Estados, sendo que os hospitais carecem de recursos financeiros; além da demissão de ministros que tinham um discurso oposto – o científico no enfrentamento da pandemia. A marca de 100.000 mortes é banalizada: é preciso tocar a vida. E a obrigação do governo de garantir a saúde pública não é assumida quando o presidente aconselha às pessoas que busquem uma maneira de se safar da doença. Ao mesmo tempo, a estratégia discursiva procura transferir a responsabilidade pelo desemprego e os problemas econômicos gerados pela eternização do presente pandêmico com o negacionismo, aos governadores que adotaram o discurso científico e as ações recomendadas de salvaguarda da vida para garantir pessoas saudáveis que possam dinamizar a economia.

Esses ajustes e atualizações no discurso político negacionista, ora mais agressivo, ora menos agressivo, são expressão prática de um projeto hegemônico particular que tem por conteúdo simbólico a banalização da morte, como escreve o filósofo Vladimir Safatle[viii]. Para ele, no caso brasileiro, o desenvolvimento foi fundado no apagamento dos genocídios indígenas, das mortes encobertas da ditadura e da violência da escravidão. Esse apagamento é a base para a construção de uma engenharia da indiferença, cuja principal força reside na indiferença à morte: cozinhar os afetos sociais no fogo brando da indiferença é a base de toda uma engenharia social; não há fundamento mais forte da produção da indiferença do que a indiferença à morte. É a desafeição do combustível que queimaria toda forma de solidariedade voltada para a construção de um projeto inclusivo social e economicamente. Impedir o reforço de laços transversais de solidariedade – fortalecendo o individualismo do safar da doença – é parte central do discurso negacionista com sua banalização da morte, fundada na engenheira da indiferença construída ao longo do tempo no país.

Ao mesmo tempo, como afirma Safatle, se a banalização da morte faz parte de um projeto político, então temos uma decisão política cuja aparência é a de uma não decisão, já que nenhum governante irá declarar publicamente que ele tomou a decisão de banalizar a morte dos seus governados. A aparente inoperância técnica ou o despreparo político do atual governo, proclamado por alguns de seus adversários, não seria um paradoxo. Segundo Gabriela Lotta – seguindo uma máxima da ciência política formulada por Peter Bachrach e Morton S. Baratz em 1963, em política, a não decisão é também uma forma específica de decisão política. Isto é, quando um governo decide se omitir sobre determinado assunto público, ele está tomando uma decisão de não aplicar recursos ou dar direcionamento para a questão. A omissão não é trivial, já que pelo geral acarreta graves consequências sobre os governados[ix]. O atual governo brasileiro deu primorosas lições sobre a não decisão como uma forma de decisão. A primeira delas – e a mais clássica – é quando o governo não define metas e não dá diretrizes. Isso seria uma forma de não tomar decisões sobre o futuro. A segunda forma de não decisão é protelar decisões sobre processos que dependem apenas e exclusivamente da anuência do governo, o que acarreta atrasos na execução de planos e programas, paralisando toda a cadeia decisória. A não liberação de recursos para programas essenciais é uma dessas decisões deliberadas[x]. Assim, as não decisões presentes na estratégia negacionista no enfrentamento à pandemia Covid-19 fazem parte de um projeto político hegemônico. E no cotidiano, quem sofre com essa não decisão, são os usuários dos serviços de saúde de estados e municípios que ficam com o pires na mão esperando recursos federais que não chegam, assim como os milhares de mortos e contaminados resultado tanto de políticas intencionalmente não realizadas como do negacionismo de governantes e de seus seguidores.

O fim deste presente eterno da pandemia estaria dado pela produção e, sobretudo, pelo acesso das populações dos diversos países a uma vacina que crie a imunização necessária para enfrentar a Covid-19.  Ao mesmo tempo, a corrida pela vacina que atualmente se manifesta envolve os principais atores geopolíticos. O uso político dessa corrida pelos governos em seus próprios países e a definição e acesso da vacina como um bem universal ou privado também são indicadores, no pré-futuro, do porvir que se avizinha.

Um indicador no pré-futuro: a vacina, bem universal ou privado? 

Após meses de duração da pandemia e a partir da confirmação oficial feita pela Organização Mundial da Saúde – expressivos 21 milhões de casos e mais de 776 mil mortes confirmadas[xi] – um fator permanece constante neste presente que se vivencia como eterno: a ameaça da pandemia para a saúde e segurança internacionais enquanto não houver uma vacina eficaz para conter sua propagação. Assim, a corrida para desenvolver essa tecnologia é um reflexo do que uma mudança capaz determinar a direção resultante ou, ao menos, uma tendência em meio às incertezas e disputas ocasionadas pelo acontecimento pandêmico podem representar. No entanto, cabe questionar se esse advento seria a esperança dos ideais de cooperação internacional ou um catalisador da mudança hierárquica de poder[xii].

Partindo dessa perspectiva, o discurso médico-científico se insere em prol da cooperação internacional como defendido pela OMS e por países como China e França, que incentivam que a vacina deve ser um bem público global[xiii]. À primeira vista, essa lógica pode ser entendida como solidariedade, mas, para além disso, também representa preocupação com a segurança internacional, pois compreende-se que uma propagação de epidemias em qualquer país põe em risco toda a espécie humana[xiv]. Por conseguinte, a vacina toma um grau de importância a nível internacional que não só pode ser usada como um bem comum, mas também como uma demonstração de poder pelos países que são capazes de produzir essa tecnologia em suas indústrias farmacêuticas nacionais, assim como entre aqueles que podem financiar pesquisas e comprar lotes exclusivos em fase de teste, a exemplo da aquisição de todas as vacinas dos laboratórios Pfizer e BioNTech pelo governo estadunidense[xv]. Logo, a vacina pode ser utilizada tanto em nome da universalização quanto da privatização do conhecimento científico para beneficiar a América primeiro ou quem puder pagar.

Ademais, a pandemia também evidenciou o acirramento das tensões geopolíticas pré-existentes, sobretudo entre Estados Unidos, China e Rússia. Isso porque guerras comerciais, desconfiança na transparência dos governos e disputas pela tecnologia 5G já estavam em curso e eram inerentes ao contexto de competição pela influência dentro da comunidade internacional. Em consonância, o pioneirismo no desenvolvimento ou detenção da vacina poderia alterar o equilíbrio de poder, sobretudo se ocorrer no Oriente. Para a China, a profilaxia poderia mudar a imagem de desconfiança acerca da origem e condução do novo coronavírus e auxiliar a narrativa de solidariedade por meio da capacidade de pesquisa do sistema chinês[xvi]. Para a Rússia, o desenvolvimento da vacina é, segundo Kirill Dmitriev – diretor de um fundo soberano russo financiador do suprimento – Um momento Sputnik, uma vez que, os americanos ficaram surpresos quando ouviram os sons do Sputnik[xvii]. É o mesmo com a vacina, a Rússia tem chegado lá primeiro, evidenciando na atual conjuntura a existência de concorrência em termos demonstração de poder, como nos episódios de corrida espacial da Guerra Fria. No início de agosto, a Rússia anunciou o êxito no descobrimento da vacina e começou a sua produção em larga escala, mesmo antes da divulgação dos testes finais. Isso está levando a questionamentos por parte das potências ocidentais sobre a veracidade e efetividade dos resultados alcançados. No caso dos Estados Unidos, a obtenção da vacina o quanto antes poderia significar uma atenuação, tanto da crise sanitária instaurada no país líder de casos no mundo, quanto da crise política, caso Trump consiga exclusividade para os cidadãos norte-americanos e uma oportunidade de reabertura econômica para o país mais poderoso economicamente do mundo.

Dessa forma, a vacina demonstra uma vantagem geopolítica ao país produtor sem excluir a possibilidade de ganhos econômicos a quem monopolizar essa tecnologia. O que justifica o conflito perante as acusações de espionagem digital feitas pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido[xviii] contra supostos hackers russos que quase certamente fazem parte dos serviços de inteligência russos. Sob pretexto semelhante, os Estados Unidos também fecharam o consulado chinês em Houston[xix] no final de julho para proteger a propriedade intelectual e as informações privadas dos americanos e, em contrapartida, o governo chinês fechou o consulado estadunidense em Chengdu[xx]. Tais atitudes levantam questionamentos perante a possível fragilidade acerca da narrativa da vacina enquanto bem comum universal, e aqui cabe evocar o conceito de comum como algo compartilhado por uma comunidade e contra a lógica cada vez mais privatizada do paradigma neoliberal[xxi] que não estaria imune aos precedentes impasses diplomáticos e nem à lógica capitalista de lucro.

Para além da questão geopolítica, 166 vacinas contra a Covid-19 estão em elaboração em todo mundo, sendo cinco em fase mais avançada, segundo a agência de saúde da ONU[xxii]. Dentre elas estão: Sinovac (China); Instituto Biológico de Wuhan/Sinopharm (China); Instituto Biológico de Pequim/Sinopharm (China); Oxford/AstraZeneca (Reino Unido); Moderna/NIAID (EUA), além da Sputnik da Rússia comentada anteriormente, que deveria ser liberada para comercialização e distribuição em larga escala somente após a aprovação da última fase de testes. Das vacinas mencionadas, três (britânica, chinesa e russa) estão sendo testadas em solo brasileiro – ou estão sendo negociadas, o que já beneficiaria a população brasileira caso comprovada a eficácia. No entanto, se a vacina não for bem sucedida, ficará em aberto como adquirir a imunização de outros fabricantes.

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Em meio às incertezas ainda vigentes e tendo em vista o sistema internacional marcado por discrepâncias no acesso aos direitos básicos de saúde, principalmente nos países periféricos, não só a propagação da Covid-19, mas também o acesso à sua vacina obedeceria à redistribuição desigual da vulnerabilidade[xxiii]. Dessa maneira, a desigualdade é outro fator que pode ser potencializado pela disputa hegemônica porque distinguiria as grandes potências detentoras de poder econômico para investir nas vacinas dos demais países que dependeriam da solidariedade das organizações internacionais.

O acontecimento da pandemia tende a deixar a hegemonia em suspense e a vacina pode retratar uma inclinação de saída dessa incerteza em termos de futuros possíveis. Contudo, apesar das perspectivas mencionadas anteriormente, como as disputas ainda estão em curso, ainda não haveria condições de afirmar qual cenário será definido com exatidão. O futuro continua em aberto. Nos pontos seguintes, procuramos recuperar um leque de olhares diversos que vão desde a consolidação da dominação neoliberal através do Estado de exceção e a biopolítica digital, passando por soluções reformistas de um novo Estado de bem-estar social ou um socialismo participativo, até a recriação do comunismo.

O futuro em aberto: da exacerbação da dominação neoliberal ao socialismo participativo

Um vírus partiu de um meio social local, se expandiu em escala planetária e atingiu quase a totalidade dos países do globo. David Harvey[xxiv] atribui a essa rápida expansão o atual estágio do capitalismo global, em que há uma mobilidade por meios rápidos de transporte que promoveu uma integração acelerada entre os países para fortalecer o consumismo instantâneo – marca central da circulação de uma parte dos capitais da acumulação capitalista. Além disso, não havia estudos em desenvolvimento para prevenir uma pandemia desse tipo devido à falta de interesse da indústria farmacêutica, já que não é lucrativo investir em prevenção e gastar centenas de milhões de dólares em pesquisas de novos patógenos para desenvolver vacinas e remédios.

Para Ignácio Ramonet, apesar da velha normalidade ter gerado a pandemia, o mainstream neoliberal procurará recuperar esse normal pelos efeitos do que Naomi Klein aponta como capitalismo do shock através do aprofundamento da dominação neoliberal, financeira e predatória, manipulando a crise para criar mais desigualdades, mais exploração e mais injustiças[xxv]. As medidas de controle estabelecidas pela China, Cingapura e outros países asiáticos foram rígidas. Testagem massiva, confinamento extremo e controle da mobilidade dos indivíduos por rastreamento dos sinais de celulares e punições (com prisões) aos que desrespeitassem as regras estabelecidas. Esse modelo de controle, também utilizado de forma mais branda na Europa, foi objeto de críticas. Giorgio Agambem[xxvi] alerta para o que está subjacente a ele: experimentar a implementação do estado de exceção pela expansão do controle das liberdades individuais. Todo indivíduo, sendo um potencial infestador, é motivo para se alastrar, pelo medo, pela comoção e por políticas de restrição próprias de um estado de exceção. O modelo do Estado chinês como polícia digital, dado ao seu sucesso no combate à pandemia, poderia ser espalhado para outras regiões do globo, se estabelecendo como uma nova política de controle estatal. Um novo normal pós-pandemia.

O filósofo esloveno Slavoj Zizek[xxvii] vai em direção contrária. Em artigo de nome sugestivo, intitulado Coronavírus é um golpe no capitalismo ao estilo “Kill Bill” e pode conduzir a uma reinvenção do Comunismo, ele usa como metáfora um golpe mítico do Kung Fu aplicado em uma cena do filme de Tarantino Kill Bill para ilustrar o efeito radical que teria a pandemia no capitalismo. O golpe chama-se a técnica do coração explosivo da palma da mão em 5 pontos. O que torna esse golpe tão fascinante é o tempo entre ser atingido e o momento da morte: posso ter uma conversa agradável enquanto me sinto calmo, mas tenho consciência de todo esse tempo que, no momento em que começo a andar, meu coração vai explodir. E eu cairei morto. Assim, as mudanças advindas dessa pandemia teriam o efeito desse golpe. Não se poderia mais viver da forma como vivíamos. Se a pandemia colocou na ordem do dia ideologias nazifascistas, propiciará também o surgimento de propostas alternativas de sociedade baseadas na solidariedade e na cooperação global. O impacto que se sentirá na economia indicará o caminho para essa mudança de pensamento e a construção de novas bases de uma sociedade solidária. Já que o vírus atinge todos, todos estariam no mesmo barco. Na vida cotidiana, outras catástrofes estão ocorrendo, como aquecimento global, secas, ondas de calor e tempestades. Essas catástrofes nos impulsionariam a pensar, por exemplo, em um sistema solidário de saúde global; a indústria automobilística em crise nos levaria a apontar saídas para uma vida sem poluição do ar, sem uso de combustíveis fósseis e, para além disso, uma reorganização da economia global não sujeitada aos ditames das regras de um mercado animista: o mercado está nervoso!.  Citando um discurso recente do primeiro-ministro húngaro Viktor Orban não existe liberal. Um liberal nada mais é do que um comunista com um diploma, Zizek conclama àqueles que ainda se identificam com o comunismo a defenderem as liberdades em crise: se designarmos como liberais todos aqueles que se preocupam com nossas liberdades e como comunistas aqueles que sabem que só podemos salvar essas liberdades com mudanças radicais à medida que o capitalismo global se aproxima de uma crise, ele propõe então um comunismo renovado com uma espécie de coordenação global para se construir uma sociedade alternativa.

Byung-Chul Han[xxviii] considera que Zizek está errado: isso não acontecerá. O vírus não irá transformar as sociedades garantindo mais liberdades sob uma nova forma de comunismo. A pandemia não foi só combatida por virologistas, mas juntamente com profissionais da computação e especialistas em big data: não só os profissionais da saúde salvam vidas, os do mundo digital também. Em países asiáticos, as companhias de telefonia móvel e internet partilharam seus dados confidenciais dos usuários com as autoridades sanitárias. Ainda segundo Han, na China, o Estado sabe onde estou, com quem estou, o que faço, o que procuro, o que penso, o que como, o que compro, para onde vou. Assim é possível que no futuro o Estado também controle a temperatura corporal, peso, nível de açúcar no sangue, etc. Essa dinâmica estaria dando nascimento a uma biopolítica digital que acompanha a psicopolítica digital que controla ativamente as pessoas. Em diversos países, a vigilância digital já estava instalada antes mesmo da pandemia, através de câmeras nas grandes cidades que chegam a identificar os indivíduos pela sua forma de andar (pois a forma de andar é como uma digital, é única). Ou de tecnologias utilizadas para monitorar as emoções dos trabalhadores da indústria e assim controlar soluções com vistas ao aumento da produtividade[xxix]. A vigilância digital também se manifesta na China através do crédito social, um sistema de pontos que visa avaliar – e padronizar – comportamentos de indivíduos e empresas. Quanto melhor ajustado for o comportamento desses indivíduos e empresas aos critérios determinados pelo Estado, mais pontos e mais benefícios eles ganham[xxx]. Para Han, se esse sistema se expandir na Europa com a mesma eficiência que existe na China, então, Giorgio Agambem terá razão, pois o estado de exceção se tornaria a situação normal[xxxi].

Com efeito, para Daren Acemoglu[xxxii], economista do M.I.T., esse modelo de controle desenvolvido pelo Estado chinês pode se expandir para outros países. Acemoglu considera que a instabilidade profunda pode eliminar mudanças institucionais sem que se saiba com certeza a direção delas. Cada tipo de sociedade, dependendo das estruturas de poder, de suas instituições, de suas lideranças políticas, entre outras variáveis, dará diferentes direções a essas mudanças. Ele chama a situação atual de conjuntura crítica. São quatro os cenários que essa conjuntura sugere.

O primeiro deles é chamado de negócios trágicos como sempre. Ele afirma que parafraseando Karl Marx, a história do presente disfuncional simplesmente se repete. Nesse cenário, não fazemos nenhum esforço sério para reformar nossas instituições em falência ou abordar as desigualdades econômicas e sociais que se tornaram endêmicas. Este seria um cenário muito provável já que ao não dar força ao papel da especialização e da ciência em tomada de decisões, as sociedades aceitam a polarização existente, o que levaria ao colapso da confiança no que é público. A herança da crise atual seria marcada pelo aumento do poder dos governos sem condições ou vontade política para resolver outras emergências públicas de mesma amplitude. O descrédito desses tipos de governo, expresso pela lacuna entre a expectativa das pessoas e a capacidade de atendê-las, poderia desintegrar a democracia e dar espaço ao surgimento de formações políticas ainda piores do que os nacionalismos populistas.

O segundo cenário possível seria o de uma renovação com características chinesas ou China-lite (China Leve). Segundo Acemoglu, vivemos na atual conjuntura crítica um momento hobbesiano. Hobbes acreditava que qualquer população humana requer um estado todo-poderoso para manter os indivíduos a salvo uns dos outros. A sociedade prosperaria se submetesse sua vontade ao Leviatã. Em tempos de profunda incerteza, quando há necessidade de coordenação e liderança de alto nível, o primeiro instinto de muitas pessoas é recorrer novamente às soluções hobbesianas[xxxiii]. A China é o caso emblemático desse cenário. O discurso atual é de que suas estruturas tecnológicas de vigilância da vida social, pré-existentes à pandemia, foram exitosas no controle do vírus. Os cidadãos de outros países avançados poderiam renunciar à privacidade de seus dados em nome dessa eficiência para garantir uma governança capaz de lidar com desafios de mesma monta. Mas há outra tese, igualmente central neste cenário proposto, de que na experiência das duas guerras mundiais do século XX, os impostos e os altos gastos do governo quando se expandem, tendem a se manter nesses níveis. O exemplo citado é o poder estatal de vigilância nos EUA, delegado às agências como o FBI e a CIA, permanentemente ampliados, apesar de crises pontuais. Sua expansão maior se deu após os ataques do 11 de setembro.

O terceiro cenário é o que ele chama de domínio da tecnologia ou a servidão digital. Em razão do fracasso do presidente Trump em combater a pandemia, a sociedade dos EUA poderia perder a confiança no governo e em suas instituições e teria como alternativa legitimar a necessidade de uma coordenação generalizada para a gestão de novas crises. Essa coordenação poderia ser exercida por empresas privadas (como Apple e Google, que já propuseram parceria para o rastreamento de pessoas por meio de seus dispositivos IOS e Android), para o gerenciamento de testes e outras ações de controle. Para além do gerenciamento e controle desse tipo de crise, as empresas privadas de tecnologia estão desenvolvendo alternativas baseadas na inteligência artificial e automação para manterem as atividades econômicas funcionando durante o período de duração das medidas de isolamento social e confinamento. Se essa tendência for indispensável, as empresas privadas por detrás delas acumularão mais poder e na ausência de uma alternativa viável baseada no Estado, o público pode expressar poucas objeções. As empresas de controle digital continuarão a coletar dados pessoais e a manipular o comportamento dos usuários. E o governo se tornaria numa espécie de servo do Vale do Silício. Uma consequência desse cenário seria a exigência de mais governos eletrônicos por parte dessas empresas, assim como o estabelecimento de uma renda universal para mitigar as desigualdades provenientes de uma economia cada vez mais descolada de suas bases materiais e de pouco uso de mão-de-obra. O descontentamento social cresceria, já que os recursos dessa renda seriam insuficientes e a ausência de uma perspectiva de mobilidade socioeconômica é certa. Para Acemoglu, a longo prazo, esse terceiro caminho chegaria ao mesmo destino distópico dos dois primeiros[xxxiv].

 A saída seria o quarto cenário, um Estado de bem-estar 3.0. Diferentemente das duas primeiras versões do Estado de bem-estar surgidas após a grande depressão e a segunda guerra mundial (sendo a primeira versão a que institui políticas de proteção social e a segunda onde essas políticas são progressivamente precarizadas), a terceira versão deveria ser marcada pelo fortalecimento das responsabilidades do Estado, da participação democrática e das instituições. Teria como exemplo o que que foi a Suécia, nos anos 30, e em seguida no resto da Escandinávia, Europa Ocidental e EUA, onde o Estado assumiu mais responsabilidades e cresceu, mas a democracia se aprofundou e a participação política popular se expandiu. Essa proposta pode ser ilusória, uma letra de intenções, pois não é nada fácil construir esse novo Estado nos tempos atuais. Entretanto, assinala Acemoglu, em um momento de polarização sem paralelo, de normas democráticas em colapso e de capacidade institucional em declínio, um Estado de bem-estar reformado e renovado é uma tarefa difícil. Porém, como a geração da Segunda Guerra Mundial, não haveria outra escolha senão tentar[xxxv].

Entretanto, para outros intelectuais, o cenário do Estado de Bem Estar 3.0 não seria suficiente. Thomas Piketty manifesta sua decepção com a socialdemocracia. Assim como Acemoglu, ele recupera o seu êxito em reduzir significativamente as desigualdades, em especial na Suécia, a partir da década de 30, mas também e talvez em menor grau, em outras partes do mundo. No entanto, a social- democracia do tipo escandinavo estaria ameaçada pela liberalização dos fluxos de capital e das reformas iniciadas nos anos 90, após a crise bancária, como a redução de impostos em geral e a eliminação do imposto sobre grandes fortunas. Isso poderia trazer fragilidades ao regime sueco no longo prazo. Para Piketty, o problema principal é que a socialdemocracia não pensou em uma transição para o socialismo, ou seja: não se pensou a globalização de maneira socialista. Os partidos de centro esquerda seriam uma esquerda brâmane constituída de uma elite instruída que estaria desfrutando dos benefícios da tradicional direita comercial, o que provocaria resistências em avançar na construção de uma sociedade mais igualitária. A sua proposta é a de um socialismo participativo. Para superar o capitalismo, é necessário estabelecer a propriedade social e a participação nas decisões. Em parte, isso já existe na Europa, particularmente na Alemanha e na Suécia, onde até 50% do direito de voto é destinado aos representantes dos operários. Isso permite maior participação e engajamento nas empresas. Ele propõe a expansão desse sistema a todos os países. A sua tese é a de que o mundo não precisa de pessoas com muitos bilhões de euros. A distribuição de uma herança mínima de 120 mil euros para todos aos 25 anos dinamizaria a economia, pois nas sociedades com alta concentração de renda, não é verdadeira a hipótese de que elas produzem mais crescimento e inovação, ao contrário da distribuição permanente de renda. Para Piketty, além das importantes implicações que tem a política na produção das desigualdades a ideologia seria o principal fator determinante delas. Assim, para construir uma ideologia formadora de sociedades mais justas é necessária uma mobilização política e ideológica[xxxvi].

Ao longo deste artigo, identificamos visões e cenários que poderiam ser organizados num debate sobre o futuro. Por exemplo: a reinvenção do comunismo vs. uma virada autoritária do capitalismo neoliberal através da normalização do Estado de exceção e/ou a utilização de tecnologias de controle e manipulação dos indivíduos expressos nos conceitos de biopolítica, psicopolítica e capitalismo de vigilância. Ou das propostas de caráter mais reformista dos sistemas, como a construção de um Estado de bem-estar social 3.0 vs. o socialismo participativo com amplo engajamento dos trabalhadores na dinâmica das instituições e permanente distribuição de renda.

Para além desses debates, há outras questões e olhares no campo discursivo sobre o futuro pós-pandemia que abrem caminhos de renovação ou até de transformação do sistema existente. No próximo artigo desta série, trataremos dessas possibilidades assim como da disputa hegemônica necessária para transformar os futuros possíveis em realidade pós-pandemia.

 Jorge O. Romano, Eduardo Britto Santos,  Thais Ponciano Bittencourt, Liza Uema, Paulo Augusto André Balthazar, Annagesse de Carvalho Feitosa, Daniel S.S. Borges, Daniel Macedo Lopes Vasques Monteiro, Juanita Cuellar Benavídez, Paulo Petersen, Renan Alfenas de Mattos, Ricardo Dias, Ana Carolina Aguiar Simões Castilho, Caroline Boletta de Oliveira Aguiar, Érika Toth Souza, Juana dos Santos Pereira, Larissa Rodrigues Ferreira, Myriam Martinez dos Santos, Pamella Silvestre de Assumpção, e Vanessa Barroso Barreto são pesquisadoras e pesquisadores do grupo de pesquisa “Discurso, Redes Sociais e Identidades Sócio-Políticas (DISCURSO)” vinculado ao Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento Agricultura e Sociedade e ao Curso de Relações Internacionais do DDAS/ICHS da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, registrado no CNPq e com apoio de ActionAid Brasil

 

[i] HAN, Byung-Chul. La Emergência viral e el mundo de mañana, in: https://dialektika.org/wp-content/plugins/algori-pdf-viewer/dist/web/viewer.html?file=https%3A%2F%2Fdialektika.org%2Fwp-content%2Fuploads%2F2020%2F04%2FSopa-de-Wuhan-ASPO.pdf

[ii] ROMANO, Jorge et al. O vírus não é democrático: a pandemia da Covid-19 como acontecimento e a disputa de discursos, Le Monde Diplomatique online, serie Especiais: Populismo e crises. https://diplomatique.org.br/especial/populismo-e-crises/

[iii] Lembrando que o político tem a ver com o nível ontológico, enquanto dimensão do antagonismo constitutiva das sociedades humanas. A política tem a ver com o nível ôntico, enquanto o conjunto de práticas e instituições através das quais se cria uma determinada ordem, organizando a coexistência humana no contexto da coletividade derivada do político (MOUFFE, Chantal. En torno a lo político. Buenos Aires, Fondo de Cultura Económica, 2011)

[iv] Incluindo não só falas, mas também práticas e ações no sentido de Laclau.

[v] Metodologicamente, ao longo do texto pusemos em itálico palavras ou significados tanto expressos por atores específicos em textos, mídias tradicionais e mídias sociais como aquelas que achamos adequadas, em termos de significado, pelo trabalho analítico e que gostaríamos de destacar.

[vi] BLUM, Eliane https://brasil.elpais.com/brasil/2020-07-05/liberteofuturo.html

[vii] Os discursos podem ocupar uma posição dominante em um determinado contexto, e em outro, não, por isso, a necessidade de uma permanente atualização do seu significado para que a hegemonia de um projeto político específico se mantenha na dianteira, e consiga se impor frente às alternativas opostas.

[viii] SAFATLE, Vladimir. O Brasil e sua engenharia da indiferença, El País Brasil, 02/07/2020.

[ix] Gabriela Lotta é professora de Administração Pública da FGV/SP, coordenadora do Núcleo de Estudos da Burocracia (NEB FGV/SP) e pesquisadora do Centro de Estudos da Metrópole (CEM). https://www.nexojornal.com.br/ensaio/debate/2020/O-que-acontece-quando-a-falta-de-decis%C3%A3o-%C3%A9-o-m%C3%A9todo-de-governo

[x] Ibid 9

[xi] Disponível em: https://coronavirus.jhu.edu/map.html. Acesso 18/08.

[xii] Segundo a teoria realista de relações internacionais, os Estados buscam a manutenção e maximização em termos de poder no sistema internacional e, para isso, alguns elementos de poder nacional são desejáveis pelas grandes potências para demonstração de poderio, como a capacidade industrial e tecnologia, sobretudo para fins bélicos. Entretanto, não se deve desconsiderar a ampliação do uso tecnológico na atual conjuntura e suas possíveis aplicações. Ver: MORGENTHA, Hans. A política entre as nações: a luta pelo poder e pela paz. Brasília, UnB, 2003 [1948] e MEARSHEIMER, John. A tragédia da política das grandes potências. Lisboa: Editora Gradiva, 2007.

[xiii] Disponível em: https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/05/20/vacina-contra-coronavirus-deve-ser-bem-publico-global-diz-chefe-de-saude-dos-eua.ghtml. Acesso 04/08.

[xiv] HARARI, Yuval Noah. Na batalha contra o coronavírus, faltam líderes à humanidade (Breve Companhia) . Companhia das Letras. Edição do Kindle.

[xv] Disponível em: https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/estado/2020/07/22/eua-compram-todas-as-vacinas-contra-covid-19-da-pfizer-e-biontech-em-2020.htm?utm_source=facebook&utm_medium=social-media&utm_campaign=noticias&utm_content=geral&fbclid=IwAR2YYSOdv8-Uu9uEP9JQbPzSvveyQhB2C6QKZGcoJ94oqN3R-jPrX4cTqnY. Acesso 04/08.

[xvi] Disponível em: https://www.vox.com/21327487/covid-19-vaccine-coronavirus-trump-us-china-competition. Acesso 04/08

[xvii] Disponível: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/2020/07/28/russia-diz-que-tera-vacina-aprovada-contra-covid-19-em-duas-semanas. Acesso 04/08.

[xviii] Disponível em:

https://www.ncsc.gov.uk/news/advisory-apt29-targets-covid-19-vaccine-development. Acesso 03/08.

[xix] Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/07/22/china-diz-que-eua-mandaram-fechar-seu-consulado-em-houston.ghtml. Acesso 04/08.

[xx] Disponível: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2020/07/27/china-retira-bandeira-e-fecha-consulado-e-dos-estados-unidos-em-chengdu.htm. Acesso 04/08.

[xxi] SAVAZONI, R. O comum entre nós: da cultura digital à democracia do século XXI. São Paulo: Edições Sesc São Paulo, 2018, p.38.

[xxii] Disponível: https://g1.globo.com/bemestar/vacina/noticia/2020/07/22/mundo-tem-166-candidatas-a-vacina-contra-a-covid-em-desenvolvimento-24-sao-testadas-em-humanos.ghtml

[xxiii] MBEMBE, Achille. Le droit universel à la respiration. Analise Opinion Critique – AOC, 2020.  Disponível em: https://aoc.media/opinion/2020/04/05/le-droit-universel-a-la-respiration/?loggedin=true. Tradução – O direito universal à respiração. Disponível em:  http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/598111-o-direito-universal-a-respiracao-artigo-de-achille-mbembe

[xxiv] HARVEY, David. Política anticapitalista en tiempos de coronavírus, Giorgio Agamben, et alli. Sopa de Wuhan. Pensamento contemporáneo en tiempos de pandemia. ASPO, marzo 2020.

[xxv] RAMONET, Ignacio: La pandemia y el sistema mundo. Le Monde Diplomatique em español, 25 de Abril de 2020

[xxvi] AGAMBEN, Giorgio. Reflexiones sobre la peste. Giorgio Agamben, et alli. Sopa de Wuhan. Pensamento contemporáneo en tiempos de pandemia. ASPO, marzo 2020.

[xxvii] ŽIZEK, Slajov. El coronavirus es un golpe al capitalismo a lo Kill Bill. Giorgio Agamben, et alli. Sopa de Wuhan. Pensamento contemporáneo en tiempos de pandemia. ASPO, marzo 2020.

[xxviii] HAN, Byung-Chul. La emergencia viral y el mundo de mañana.  Giorgio Agamben, et alli. Sopa de Wuhan. Pensamento contemporáneo en tiempos de pandemia. ASPO, marzo 2020.

[xxix] Para Shosahana Zuboff, o capitalismo de vigilância seria a nova forma de acumulação do capital. Extrair dados, analisá-los e transformá-los em ativos digitais representaria uma quarta mercadoria fictícia: o comportamento. A própria realidade está passando pelo mesmo tipo de metamorfose fictícia – destacada por Polanyi – porque passaram as pessoas, a natureza e a troca, sendo agora subjugada à mercantilização e renasce como comportamento. ZUBOFF, Shoshana. Big Other: capitalismo de vigilância e perspectivas para uma civilização da informação. Em: Bruno, F. et al. (orgs) Tecnopolítica da vigilância: perspectivas da margem. São Paulo: Boitempo, 2018. p. 17-68.

[xxx] China vai usar dados pessoais para catalogar cidadãos e empresas. Sistema será usado para avaliar a confiabilidade e a lealdade política de cada indivíduo e companhia. https://brasil.elpais.com/brasil/2016/10/20/internacional/1476970091_757096.html

[xxxi] Ibid nota 28

[xxxii] Daraon Acemoglu é economista e professor do Massachusetts Institute of Tecnology. The Post Covid State. https://www.project-syndicate.org/onpoint/four-possible-trajectories-after-covid19-daron-acemoglu-2020-06?barrier=accesspaylog.

[xxxiii] Ibid 32

[xxxiv] Ibid 32

[xxxv] Ibid 32.

[xxxvi] Thomas Piketty, professor da escola e economia de Paris. Seu último livro é Capital et ideologie. Elite brasileira comete erro histórico ao não impulsionar distribuição de renda. Jornal Valor. https://valor.globo.com/eu-e/noticia/2020/07/17/elite-brasileira-comete-erro-historico-ao-nao-impulsionar-distribuicao-de-renda-diz-piketty.ghtml



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