A memória viva do massacre - Le Monde Diplomatique

Desencarceramento como política de saúde

A memória viva do massacre

por Fábio Mallart e Fábio Araújo
26 de outubro de 2022
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Na tarde de 02 de outubro de 1992, por volta das 14h, uma briga entre dois detentos do Pavilhão 9 resultou em uma rebelião. A polícia militar foi chamada para conter o conflito. Após tentativas frustradas de negociação com os presos, o desfecho da ação policial, que ficou conhecido como o Massacre do Carandiru, foi a morte de 111 detentos.

Uma briga entre detentos. Rebelião. Contenção de um conflito. Tentativa de negociação. 111 mortos. Essas são algumas das informações oficiais – replicadas, há 30 anos, por boa parte dos veículos da grande imprensa – sobre o que teria ocorrido na Casa de Detenção de São Paulo em 1992. Poderíamos acrescentar, ainda, as menções ao conflito entre policiais e detentos, bem como as alegações, tais como a proferida por Ivan Sartori, ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), de que “não houve um massacre, houve legítima defesa”.

Nas linhas abaixo, Maurício Monteiro, a quem agradecemos imensamente por partilhar a memória viva do massacre, implode essas versões oficiais. Lutando contra o apagamento da memória, o sobrevivente do cárcere nos arremessa para dentro das muralhas, tal como eram no início da década de 1990. Ali, muito antes do fatídico 02 de outubro de 1992, já acontecia outro massacre operado pelo Estado: a morte por doenças. Tuberculose, leptospirose, mas, sobretudo, HIV/Aids. Para os que eram enviados ao Pavilhão 4 – o pavilhão médico no qual trabalhavam os justiceiros – o destino era quase sempre o mesmo: “foi pra lá, já era”.

Por meio de uma narrativa firme, de combate, nosso interlocutor, para além de esmiuçar as dinâmicas de funcionamento da Casa de Detenção, descreve, em detalhes, o que ocorreu em 02 de outubro de 1992: a falácia da rebelião; os primeiros sinais do massacre, como a rajada de metralhadora vinda do helicóptero; a entrada dos policiais sem qualquer negociação; os tiros e os gritos; o “oitão” engatilhado na sua cara; os cachorros, as poças de sangue e os cadáveres; o massacre organizado – “os cara entrou com nome, com identificação das tatuagens”; a execução dos feridos; a morte por todos os lados e de todas as formas; a contagem de mais de 111 mortos; os corpos lançados em um caminhão de lixo.

Engana-se quem acha que o massacre perpetrado pelo Estado termina com a saída da Polícia Militar do Pavilhão 9. Pelas ruas da cidade, nas favelas e periferias, como bem nos alerta Maurício, a matança contra o preto, pobre, periférico continua. Há quem diga que, no Brasil, a pena de morte não existe. Há quem creia que, após o cumprimento da pena, a punição termina. Maurício, também nesse ponto, nos fornece um outro ângulo de visão. Mesmo após ter saído da prisão e se afastado do crime, ele sabe que, se o simples ato de comprar um pãozinho resultar em uma abordagem policial, “eu posso ser absolvido, ser forjado, ser executado”.

Radar/ Le Monde Diplomatique Brasil: você poderia se apresentar, por favor?

Maurício: meu nome é Maurício Monteiro, sobrevivente da Casa de Detenção de São Paulo. Fiquei preso 16 anos. Passei por mais de 30 penitenciárias, várias delas de segurança máxima. Saí de condicional em 2011. Hoje, sou formado em Gestão Ambiental e Sanitária e sou técnico em Meio Ambiente. Sou formando em Educação Física. Faço parte da diretoria do Instituto Resgate ao Cidadão, que é uma Ong familiar. Lá, nós temos alguns projetos sociais, por exemplo, de boxe, porque sou instrutor de boxe também. Também sou palestrante em algumas faculdades, no Espaço Memória Carandiru e no Museu Penitenciário Paulista. O Espaço Memória Carandiru tem o acervo da Casa de Detenção de São Paulo, que fica no Parque da Juventude. Lá, nós temos um projeto e a gente faz a mediação do acervo para as pessoas, escolas, estudantes. Ah, tenho um canal no youtube, o canal prisioneiro 84901. É um canal em que eu trago a minha trajetória, principalmente a minha, dentro do cárcere. Foram 16 anos preso. Então, a trajetória é longa. O objetivo é mostrar pra rapaziada que o crime não tem romance. Muitas verdades de dentro do cárcere, que muitas vezes são romantizadas por filmes ou outras realidades. E ali, a gente traz a verdade nua e crua. E é assim: você vai olhar lá, você vai ver a minha cara preta, você não vai ver muito negocinho de chamariz. É a ideia mesmo, que é trocada e que muitas vezes papai e mamãe não fala, né?!

 

Em que ano você chegou na Casa de Detenção de São Paulo (CDSP), o Carandiru?

Então, eu cheguei em 1990. A gente tem que pensar que a CDSP era um dos maiores presídios do mundo, o maior da América Latina, com uma população de aproximadamente sete mil presos naquela época. O Pavilhão 9 era o mais perigoso de todos, porque ali tinha muitos primários; as confusões do Pavilhão 9 eram confusões que chegavam da rua. Pra você chegar na CDSP, o primeiro pavilhão era o 9. A não ser que você já corresse e fosse pro seguro, que era o Pavilhão 5. Era um pavilhão [9] problemático porque morria muita gente. Então, você chegava na cadeia vindo da rua, você já olhava e falava: “mano, cheguei no inferno! Agora, basta eu saber quem é o demônio pra tomar o trono dele”. Porque senão você não vive, quer dizer, você nem sobrevive. Você chega em um lugar hostil, um lugar em que você sabe que todo o dia morre um, dois, três. A gente já sabia por conta de estar envolvido no crime, você sendo do crime, você já tem consciência como que é, pelos parceiros que já passaram, por aquele bate papo dentro da favela, aquele bate papo nas quadrilhas que eram formadas na época. Então, você já chega num local que, de repente, você nem sai vivo de lá, você tinha que sobreviver. Eu encarava a detenção, encaro até hoje, como se fosse um outro país. Cada pavilhão era um estado e tinha subdivisões geográficas, culturalmente, com línguas, sabe? Você tá ali, naquele pavilhão 9, pavilhão 8, pavilhão 7, era tudo separado um do outro. E cada um tinha normas e as próprias normas dos presos também, tá ligado? Elas diferiam bastante. Então, é como se você estivesse noutro país, com uma outra linguagem, outras normas, regras, leis… Totalmente diferente! Assim foi a chegada.

 

Como era o dia a dia no Pavilhão 9?

Eu vou deixar claro o seguinte: a gente está falando da CDSP… Porque as penitenciárias é outra coisa. Como a gente tá num contexto e daqui a pouco a gente vai entrar no massacre de 1992, então, eu tô falando daquele dia a dia lá de 1990, 1991, antes do massacre.

Nosso dia a dia lá era as celas, as celas da faxina [presos que faziam a limpeza do pavilhão e que distribuíam as alimentações para os companheiros de detenção, entre outras atividades] eram abertas às 5h, antes de trocar o plantão, e fechadas às 19h, 20h, após a troca do plantão. Já nóis, essa galera da população comum, as celas eram abertas às 8h e fechadas às 18h. Só que na CDSP, os caras abriam todas as celas e deixavam aberto. Então, todas as celas ficavam abertas. Você imagina: o Pavilhão 9 tinha 2.800 presos a 3 mil presos. Imagina a Rua 25 de março. Quando eu cheguei, eu olhava e falava: “nossa, pra onde que vai tanta gente? Vem de onde”? As celas ficavam abertas: então, vai ali, toma um café, tomo um suco, bate papo, é reunião, é confusão, é jogo, tá ligado? Então, é aquela puta movimentação mesmo, pra lá e pra cá, o dia inteiro! Inclusive, quatro meses antes do massacre, chegou um funcionário novo e começou a arranjar confusão com os presos. Um dia, ele sentou na gaiola e ficou moscando. Os caras vieram com um cobertor, jogaram em cima dele e enfiaram o cacete. Aí, o que aconteceu? O chefe desse plantão queria que o [Batalhão de] Choque entrasse. O Batalhão do Choque! Só que o diretor não autorizou. Ele mandou trancar todo mundo e começou a dar blitz em todas as celas. Blitz de esculacho mesmo. Falou assim: “oh, enquanto os caras que fizeram isso não se apresentar, vocês vão ficar trancados e vai ter blitz periódica”. Ficamos três dias trancados. Aí, os caras pegou e se apresentou. Os funcionários pegaram os caras, deram um pau e mandaram pra Penitenciária de Presidente Venceslau. Soltou todo mundo e já era, acabou a confusão. Quer dizer, acabou aquela confusão. Mas a tensão… No pavilhão, toda hora tinha uma confusão, por conta de confusões da rua. Então, era um pavilhão que, na média, morria um, dois por dia. Nem tô contando de doença, que doença morria alguém toda a hora. Já emendando: quando teve essa confusão…Quando a gente vê esses filmes sobre o Carandiru, lê esses livros, esquece isso daí, é tudo conversa fiada. Eu tava lá, eu vi, eu participei das ideias, quase morri. Quando mostram o cara vindo com o megafone conversar com os presos: é mentira! Quando mostram o Choque vindo e batendo escudo: é mentira! Isso daí não existiu. Isso daí serve pra justificar aquelas mortes.

 

Você mencionou que morria muita gente doente. Como era essa questão das mortes por doenças no começo da década de 1990?

Então, naquela época era o seguinte: tinha acabado de surgir o crack. Então, nem era o crack que a gente via, era o pitilho. E o que acontece? A gente tem que lembrar que a gente tava no ápice da aids. Então, a aids tava matando pra caramba, tá ligado? E a gente tem que entender também que era a época do baque. Naquela época, os caras gostava, era “os baquetrim”. Tinha muito baque no Pavilhão 9. Tinha as pessoas que estavam com aids, que era mais transmitida não por relação sexual, mas era transmitida por causa do baque. Eu morava com um cara mano… O cara aplicou, puxou o sangue, aplicou. Aí, ele soltou o sangue novo com aquele sangue. Aí, outro mano falou assim: “me dá essa seringa”. O cara falou pra ele: “cara, eu tô com aids”. O outro olhou pra ele e falou: “o meu bichinho vai matar o seu”. E picou mano! É tudo finado. Então, essa era uma situação.

 

Outra coisa: a tuberculose! Hoje, assim, a tuberculose tem algum controle em alguns presídios porque teve uma época que ficou controlada. Pneumonia também morria muita gente, até por conta da própria friagem que tinha. Porque, infelizmente, nem todos tinham visita. E pra você ter um cobertor, pra você ter alguma coisa a mais, você tinha que ter uma visita. Não tinha toda essa coletividade que existe hoje no crime, né? Era outro pensamento lá dentro. E é aquela coisa: você tinha… Tava com câncer, os caras te davam dipirona. Tava com dor no pé, dipirona! Tudo que você tivesse, os cara davam dipirona. Só que a gente contava com um cara que tava lá, que era o Dr. Dráuzio Varella. Era um cara humano mesmo. Quando você chegava lá e você estava doente, ele chegava e falava: “tira a camisa e tal”. Já vinha, punha a mão e pá. Não era que nem os outros médicos. Tinham uns médicos que, de longe: “ah, o que você tem”? “Toma esse remédio”. Dipirona. Ele, não. Ele passava um remédio e se você não tivesse o remédio, ele conseguia que esse remédio viesse pra você. Ele era um cara mil grau. Tinha doença de rato, mano, tá ligado?

 

Leptospirose?

Já vi vários morrer! Chovia, os caras não queriam saber de porra nenhuma. Iam jogar bola com chuva e os ratos lá eram… Não era ratinho, não! Você olhava e falava: “meu Deus do céu, olha o tamanho disso daí”. Os gatos tinham medo dos ratos. Então, tinha muita leptospirose. Então, eram essas doenças. Fora aquelas que não matavam, que a gente chamava de “zica”. Você pegar uma coceira, pegar percevejo. Percevejo a gente chamava de fusca. Ele dava aquelas mordidas assim, você via. A gente chamava de fusca porque o bagulho… Na época, a maioria das camas era tudo de madeira, então, quer dizer… A gente até tinha uma higiene de ir lá, esquentar uma água, lavar a cama. A água descia vermelha! E como o tratamento lá era daquele jeito, eles te davam um barato lá, parecia que tava pegando fogo na pele, mas não curava. E aí, ia criando “zica”, as pessoas mais frágeis… E a alimentação, a alimentação não era de acordo. Comida sem qualidade nenhuma. O que você tinha que fazer? Tinha que ir lá no Pavilhão 6, comprar os temperos e fazer “o recortado”. O recortado é você refazer a alimentação. Você tinha que comprar cebola, alho, toicinho, aí você recortava, refazia a comida e você conseguia comer.

 

Existia algum serviço de saúde minimamente estruturado naquela época?

O Pavilhão 4 era o pavilhão médico. Então, tinha um pavilhão lá e tal, só que quem trabalhava nesse pavilhão eram os justiceiros. Eles estavam lá no Pavilhão… Era o pavilhão que se o cara estivesse doente: “ah, você tem que ser atendido lá no Pavilhão 4”. O cara já falava: “pelo amor de deus, eu tô bem, não vou pra lugar nenhum”. Eu vi muitos caras irem pro pavilhão médico e dava dois dias vinha a notícia que os cara tinha morrido. Mas, geralmente, e infelizmente, era aids. Foi pra lá, já era! Já era! Não adiantava pensar que o cara ia voltar porque até o cara sabia que não ia. Dava dois dias, chegava a notícia que o cara tinha morrido. A negligência médica continua a mesma. Quantas pessoas que não morreram de Covid dentro dos presídios? Os caras fizeram máscara lá dentro e não tinham acesso à máscara!

 

O que aconteceu no dia 02 de outubro de 1992?

Por incrível que pareça, não tava acontecendo porra nenhuma, tava tudo normal, mais um dia tensionado. Aí, de repente, aconteceu uma treta entre dois presos… Só que eu tô falando de um lugar que morria dois, três por dia. Naquela época, nós não estamos falando de uma época que o crime era organizado, estamos falando de uma época que existiam várias quadrilhas. Ninguém entrava em confusão à toa por causa de briga entre duas pessoas. Aí, houve essa confusão, mas vamos ficar atentos por conta daquela confusão que eu contei com o funcionário há uns quatro meses atrás. Eles tavam loucos pra que alguma coisa acontecesse de verdade, né? Então, dois presos tiveram uma discussão por causa de droga. E aí, os presos separou. Os funcionários pegaram esses dois caras e levaram um pro Pavilhão 4 e o outro pro castigo. Já era, tudo normal. Aí, continuou tudo normal, só que tinha uns presos que não sabiam o que aconteceu. De repente, passam esses caras e falam: “tá tendo um tumulto”. Quando eu vou ver… Na época, eu morava no 303-e. Eu morava no terceiro andar do Pavilhão 9. Saímos pra ver o que estava acontecendo. Quando nós chegamos na gaiola, na gaiola do terceiro para o segundo andar, já tava tumultuado. Por quê? Os funcionários estavam querendo trancar todo mundo. Aí, nós falamos: “vai trancar por quê? O que tá acontecendo”? Eles falaram: “vai trancar porque teve confusão”. Aí, todo mundo: “ que confusão que teve? Ninguém tá sabendo de porra nenhuma de confusão! Ninguém vai entrar, não, nossa treta é às 16h”. Não lembro, mais ou menos, mas acho que era umas 14h. Era o mesmo plantão da confusão que eu contei, tá ligado? Eu tô falando daqueles funcionários, do funcionário que tomou um pau e que nem tava mais no Pavilhão, mas o chefe do plantão era o mesmo. Aí, um cara que tava do lado do funcionário falou: “oh, o negócio é o seguinte senhor: nóis não vai entrar e já era”. “Você vai entrar”. O cara pegou e já deu um soco no funcionário. Só que ele deu o soco e isso daí também não era algo incomum. Os funcionários não saíram correndo na hora. Todo mundo ficou parado. O funcionário falou assim: “você me agrediu, depois você tá ligado que vai ter consequências”. E o cara: “depois você me manda pro castigo e já era, certo? Você me quebra e manda, mas nós não vai entrar”. Aí, os funcionários pegaram e desceram, foram embora. Aí, os caras falou assim: “saíram fora todos os funcionários. Não ficou nenhum no pavilhão. Trancaram o portão e saíram fora”. Só que eles saíram lá pra fora gritando que era rebelião! Rebelião, mano? Nós não tava exigindo nada, não tinha refém, não tinha porra nenhuma… Rebelião do quê? Conversamos entre nós pra entender o que estava acontecendo. Quando todo mundo entendeu, aí passaram um salve geral entre nós mesmo: “oh, vamos voltar para as portas das celas e vamos aguardar vir a tranca, certo? Quem tiver confusão, deixa pra resolver em outra hora. Isso aqui não é hora de resolver nada”.

 

O primeiro sinal foi o seguinte: começou um helicóptero a rondar. Depois, começou a entrar uns polícia na muralha. Eu falei: “mano, olha aqui esses polícia, a gente nunca viu esses polícia aqui”. Aí, o helicóptero começou a soltar uns caras em cima dos outros pavilhões e, em cima do nosso pavilhão, já deram uma rajada de metralhadora! Na hora eu falei: “mano, vai morrer gente”. Daqui a pouco, a gente escuta uns caras falando assim: “mano, tem uns polícia entrando na cadeia”. Quem costumava entrar na cadeia aquela época era sempre o Batalhão de Choque. Só que naquela hora lá, não era o Batalhão, era a Rota! A Rota entrou lá por trás do Pavilhão 2, que tinha um portãozinho, vieram pelo canto da muralha no Pavilhão 8, vieram em posição… Tipo posição pra matar. Quando eles entraram, os caras começou… Eu fui numa janela, que era uma janela lateral, no fim do corredor, que dava pra ver o Pavilhão 8. Eles queriam entrar no Pavilhão 8. Aí, eu escutei o chefe do plantão: “Não, aqui vocês não vai entrar porra nenhuma, meus menino tá tudo trancado. Aqui não tá acontecendo nada”. Eles abriram o portão, que dava pro Pavilhão 9, empurraram e entraram metendo bala… Não teve ideia, não teve nem conversa. Alguns caras que estavam lá embaixo foram os primeiros a ser assassinados. Todo mundo correndo… E pá, pá, pá… Tiro, grito, tá ligado? Todo mundo dentro das celas, as galerias tavam vazias. Daqui a pouco… E a gente tá escutando um monte de tiro… E os caras gritando…  Eu falei: “caralho”. Daqui a pouco, sobe um cara que até pouco tempo atrás eu não sabia que havia morrido… Isso aí por conta de toda movimentação que nós estamos fazendo… Eu tô montando um documentário também e, em cima do documentário, eu peguei alguns documentos e eu vi a foto dele, tá ligado? Esse cara era um puta de um negão e ele lavava manta, lavava cobertor, ele veio correndo assim e falou: “nós vamos morrer, os caras tá matando, os caras tá matando”. E a gente escutando um monte de tiro. Pouco a pouco foi diminuindo, mas em nenhum momento deixou de ter tiro. Aí, daqui a pouco… Porque assim, o corredor, ele vai lá longe. Tem um monte de celas, os caras vieram pela escada… Aí, eu vi aquelas portas tudo fechando e vi uns tiros batendo nas portas das celas. E eu tava na porta, com a porta aberta, na galeria. Um cara da Rota, na hora que ele virou, ele deu um tiro que pegou o mano lá no fundo da galeria, pregou o mano na parede, ele foi descendo que nem uma sanfona. Eu lembro disso daí como se fosse em câmera lenta. Eu olhei e congelei. Não conseguia entrar pra dentro da cela, não conseguia me mexer. Eu fiquei congelado na porta. O polícia deu um tiro na porta, a porta bateu na minha cara. Eu peguei, fechei, entrei e falei: “mano, os caras tão matando. Já era, nóis vai morrer tudo, não tem ideia”. Eu entrei dentro da cela e não tinha onde se esconder. Tinha 15 caras escondidos atrás de um madeirite. Eu me escondi atrás de um lençol. Porque o banheiro da cela não tem parede, você esticava os lençóis pra ter privacidade. Eu fiquei em pé lá. O policial veio, puxou o lençol, colocou o “oitão” na minha cara e engatilhou. E o outro policial que tava do lado desse aí, deu pra perceber que ele botou o pente na metralhadora, que devia estar vazio. A hora que ele fez isso, falei: “Nossa, nóis vai morrer”. Do nada apareceu um tenente, aquele ali foi um abençoado mesmo, acho que foi Deus que mandou. Ele entrou no meio dos caras e falou: “aqui não, aqui não”. Aí, ele falou assim: “oh, todo mundo tira a roupa, fica só de cueca, abaixa a cabeça e olha pro chão”. Depois que os dois saiu, chegou mais uns quatro [policiais] na cela e ele disse: “não, aqui já era, aqui já era”. Aí, os caras saiu fora.

 

Depois, quando nós fomos saindo da cela, já não era mais a Rota, era o Batalhão de Choque. Eles fizeram um corredor polonês dentro do corredor, com um policial perfilado do lado de outro, junto com os cachorros. E aí, a gente tinha que sair da cela, um atrás do outro, com a mão na cabeça e pegando esse corredor polonês pra ser tudo colocado lá embaixo, no pátio interno. Nesse caminho, eu vi caras serem assassinados. Na passagem do segundo andar pro terceiro andar tava cheio de corpo, um monte de cara morto. Aquela foto que a gente vê rodar a internet onde tem um monte de corpo, aquela foto é verdadeira. Aquelas poças de sangue… Eu pensei: “mano, vou pegar aids, não vai ter jeito de não pegar. Olha o tanto de sangue”. Cachorro mordia um, depois mordia outro. Nessa, eu consegui chegar vivo lá embaixo. Enquanto isso, nóis tamo escutando tiro, os caras tavam executando. Num primeiro momento, em várias falas minhas [sobre o massacre], eu disse que as execuções eram aleatórias. Mas não eram. Os caras entrou com nome, com identificação das tatuagens nas costas, nas pernas. Isso daí eu fiquei sabendo depois, por conta desse documentário que a gente está fazendo; deu pra fazer esse levantamento. Não foi a esmo não… Os cara [policiais] tinha a ficha [criminal de alguns mortos].

 

Quando nós descemos lá embaixo… Tinha bastante gente, um policial perguntou: quem tá ferido”? Aí, um cara falou: “eu”. “Quem mais tá ferido”? “Eu”.  Levaram os caras pra dentro de uma sala que era um setor. Tinha umas salas lá embaixo no pátio que, geralmente, era empresa, ou era o setor da judiciária, da igreja, que ficava lá embaixo. Levaram os caras lá pra dentro e a gente só escutou os tiros. Vários tiros! Daqui a pouco o policial volta: “oh, quem mais tá ferido? Que esses daí já era, já foram tudo curado… Tem mais algum ferido aí”?

 

Aí, os caras [policiais] começou: “vai, vamo subir”. Eles já tinham matado, tinha um monte de gente carregando os corpos, os próprios presos carregando corpos. Eu pensei: “já era, acho que dessa eu escapei!”. Só que nessa que eu acabei de subir, o que aconteceu? Na entrada da gaiola, eles colocaram um farolete gigante, que ofuscava, então, não dava pra você enxergar. Mesmo porque a gente tava olhando pro chão, você não conseguia enxergar o que tinha dentro da gaiola… Só que você olhando por baixo, você via que o bagulho… Tinha umas sombras. O polícia botou a mão na minha cabeça: “para aí”. Aí, eu escutei o policial falando assim: “tá cansado, ladrão”? Eu escutei um outro cara responder: “um pouco”. Daqui a pouco, eu escuto o cara dando um tiro e o mano caiu no chão”. Eu escutei o polícia falar: “vem aqui, vai carregar, puxa uns corpos aí”. Eu falei: “agora eu vou morrer”. Só que não era eu, porque eu vi o corpo dele ser puxado. Então, se o corpo dele tava sendo puxado, não era comigo. Aí, o polícia pega, pega o cacetete e acerta: “vai, filha da puta”. Bateu, mas eu nem senti dor. Quando eu chego no quinto andar, assim, eu tô olhando e os polícia tudo com cacetete. Na hora que eles pensou em pegar, eu já tava dentro da cela. Eu já me joguei, tinha mais de sessenta cara dentro de uma cela pra cinco, seis pessoas. Aí, já entrei lá e: “caralho, tamo vivo. Por enquanto, né? Porque toda a hora você achava que ia morrer”. Aí, já vieram nos trancando. Quando anoiteceu, começou a aparecer uns carro. Só que, assim, não dava pra colocar a cabeça pra fora pra ver o que estava acontecendo. Mas, como a gente tava numa cela que tinha um espelho, nós quebramos o espelho e fizemo campana pra olhar, não podia colocar a cabeça porque os polícia tava na muralha. Mano: tinha caminhão de lixo, viatura, carro normal, tudo levando corpo. Encostou caminhão do lixo. Os cara encheram o caminhão de corpo. Os caras jogando os corpos. Caminhão de lixo. Viatura, carro, tudo, rabecão. Não deu conta, era muita gente que os caras tavam levando.

 

Há vários questionamentos em torno do número de mortos, no sentido de que foram mais de 111, número divulgado pelo próprio Estado. Como você vê essa questão?

É assim, quando a polícia saiu e o outro plantão veio [no dia seguinte] ainda tinha corpos, mas pegamos os corpos na hora da faxina e levamos lá pra baixo. Esses corpos foram encaminhados pro Pavilhão 4, que era o pavilhão da enfermaria. Então, não tinha corpo no pavilhão. Já era… Nóis limpou tudo, limpamos tudo, tiramos todo o resquício de sangue. Fica aquele cheiro, tá ligado? Mas tinha mais cheiro de creolina do que de sangue. O sangue mesmo não chegou a coagular porque nós limpamos. Fizemos aquela limpeza, um mutirão mesmo. Então, não tinha mais corpo no pavilhão. Descemos os corpos, os corpos foram pro Pavilhão 4, já era. Nisso daí, na segunda-feira [05 de outubro], o que nós fizemos? Fomos fazer a contagem. Foi montada uma comissão de presos, tá ligado? Uma comissão, veio os presos do Pavilhão 8, juntou com outros presos do Pavilhão 9 e formou uma comissão. Eu não participei da comissão porque eu era contra essas comissão e esses bagulhos aí na época. Só que eu acompanhei os caras. Eu tava lá, tipo fiscal. Mano, foi contado 148 presos no número que eu me lembro… 148… Não foi 300… Se um cara chegar pra mim e falar assim: “mano, morreu uns 300”. Mano, eu nem discordo dele porque pode ser que seja também. Só que se o cara vier pra mim e falar que morreu 500 presos, eu já falou falar: “mano, fica quieto, você tá jogando conversa fora. Porque não morreu 500”. Porque contei junto, acompanhei o processo. Mas, fica difícil a minha mente assimilar; 300 eu até posso acreditar. Sabe por quê? Só de ferido tinha 190… 192 feridos! Tenho números por conta do projeto que tamo montando. Eles podem ter morrido depois. Não tá ali, tá no processo como ferido. A decorrência disso daí pode ter sido morte. Nós contamos isso. Tem outros presos que falam outros números, pode ser. Mas, como o Estado fez? Uma coisa tenho certeza: 111 não foi!

 

Tem uma tentativa evidente do Estado apagar o que aconteceu, né?

A gente tem que pensar o seguinte: existe um apagamento da memória. Então, quando existe esse apagamento… Pra que existe a história? Resumindo, e falando rápido, a história serve pra nós vermos o que já aconteceu, o que foi bom, pra gente aperfeiçoar e repetir; e o que foi ruim, pra gente mudar. Então, quando existe um apagamento dessa história que o Estado promove, o Estado vem com um pensamento de quê? Repetir novos massacres, repetir a opressão. Fez agora 30 anos, desse massacre, o maior dos presídios. Condenado por todo o mundo; condenado pela ONU, condenado por todos os países. Então, quando a gente pensa nesse apagamento, a gente vê que o Estado tem intenções. Mesmo porque, em 30 anos, quantos massacres não aconteceram depois disso? Quantos massacres e chacinas não estão acontecendo nesse momento em que nós estamos conversando? Já que estamos falando de chacinas, o que acontece na periferia, com o preto, pobre e periférico, ou mesmo com o branco, desde que ele esteja naquela “zona preta” demarcada pelo Estado? Se a gente prestar atenção na população carcerária, quando eu escuto falar em 60% de pretos, eu duvido. Eu duvido porque eu faço palestra na Fundação Casa e todos que estão lá são pretos. Essa molecada que tá lá é uma molecada que futuramente vai ingressar na população carcerária, que é a terceira maior população carcerária. Então, são esses moleques que saem da Fundação Casa… O pior de tudo: esses dias fui fazer umas palestras em algumas escolas estaduais e fiquei assustado. Tem mais grades do que nas penitenciárias que eu passei. Mano, as escolas estaduais têm mais grades do que na Fundação Casa. Isso leva a crer o quê? Aqueles moleques que estão lá, metade não vai ser ninguém; e a outra metade, uma parte vai ser assassinada, a outra vai pra Fundação Casa, e da Fundação Casa pra penitenciária. Isso daí parece que está demarcado pelo Estado, por um governo genocida, negligente, elitista.

 

Eu vejo o seguinte: nós temos um Estado que ele precisa da superlotação; ele precisa do crime… Por que ele precisa disso? Pra justificar todo o dinheiro investido na segurança pública, todo o dinheiro investido na construção de presídios. Os caras tiram dinheiro da educação pra construir presídio, alegando que os assaltos, que a criminalidade tá aumentando. Mas, peraí, ao mesmo tempo, nós vemos que o sistema prisional tá falido. Todo mundo concorda com isso. Como que tá injetando dinheiro em alguma coisa falida? Nós temos um Estado elitista, classista, que quer excluir essa população, os preto, os pobre. Como fazer isso? Manda pro presídio! Criminaliza! “Oh, tá com um baseado? Manda pra cadeia”. “Tá lá no baile funk? Mata, prende”. Isso daí… São coisas que são pensadas. São coisas que elas são introduzidas na nossa mente, do pobre, do preto e tal, porque já vem do colonialismo. Se a gente for ver bem, os navios negreiros, hoje, é a viatura. E os presídios passa a ser as senzalas. Se a gente pensar, saiu uma notícia na Forbes esses dias aí: nós estamos com 280 bilionários, certo? 130 são de São Paulo! Novos! Os novos 130 bilionários são de São Paulo. Mas, peraí, nós estamos passando por uma pandemia onde aumentou a fome, a miséria. E aumentou o número de bilionários? Oh, que porra é essa?

 

Esses dias eu tava num debate aqui com um pessoal da Biblioteca de São Paulo. Um cara falou assim: “quando a gente fala desse apagamento, fica parecendo que é feito dentro de uma sala”. Eu olhei pra ele e falei: “mano, é feito dentro de uma sala. Sabe onde é a sala? No Palácio dos Bandeirantes. É lá que é feito esse apagamento da memória”. Quando você olha pro Parque da Juventude, o que você vê falando do massacre na CDSP? Lá, nós temos vários aparelhos, certo? Museu, biblioteca. Você não vê nada. Por quê? Porque o Estado quer apagar aquela memória. Você acha que não é planejado? Nós temos um museu, que é o espaço da memória, tem tudo da detenção, mas não tem uma linha falando do massacre. Agora, eu tô lá, né? Então, tem a história viva. Lá no MPP, que é o Museu Penitenciário Paulista, só fala do sistema prisional… Tem uma linha falando do motim! “O motim da CDSP de 1992”. Já era, tá ligado? Aí, aparece o Secretário de Assuntos Penitenciários, um policial da Rota que estava na invasão da CDSP, e fala que não reconhece a data. Não está tendo um apagamento? O apagamento é premeditado e se gasta dinheiro em cima disso pra que aconteça. É simples, só não vê quem não quer.

 

Pra finalizar… Como que a gente pode combater a prisão hoje em dia?

Eu não tô vendo nada, eu vi o Congresso, a gente tá vendo um Senado aí que entrou, só reaça. Vários caras que entraram são desse governo genocida. A gente vê a bancada da bala ampliando. Então, é o delegado, é o tenente… Então, tudo que a gente escutou de quem poderia ter alguma palavra nem entrou… Entrou alguns, tá, legal, mas os que entraram tão falando da saúde, de moradia… Mas, e do sistema penitenciário? É uma linha, duas linhas. Eu não vejo uma solução rápida, mas eu acredito na educação. A gente tem que entender o seguinte. A gente tem uma Lei de Execução Penal que deve ser aprimorada por ela ter sido feita sem concordância com a nossa Constituição. Então, tem uns pontos, que tem que ser… Quando a gente vê ali, ali dentro daquela lei, ela fala sobre educação dentro dos presídios, que a educação deveria ser integrada com a educação aqui de fora. Só que os governadores não aceitam, não obedecem a lei, tá ligado? A não ser quando a lei fala que o preso tem que se foder, aí eles aceitam.

 

Quando o pessoal fala até dos Mecanismos [de Prevenção e Combate à Tortura], quando se fala deles, é um mecanismo pra ver o que acontece dentro dos presídios e trazer essas coisas aqui pra fora… Pra gente ir procurando a remediação disso. Não é a cura, né? Mas a remediação. Eu acredito na educação, tá ligado? Eu não acredito que se levar trabalho lá pra dentro vai adiantar porra nenhuma, mas tem que ter também… Não que não tenha que ter, tá ligado? Tem que ter… Mas, em primeiro lugar, a educação, uma educação efetiva, com políticas públicas. É difícil a gente pensar… Se aqui fora não temos isso, imagina dentro dos presídios. Porque o Estado não quer. Então, seria educação, cursos profissionalizantes e trabalho.

 

Eu também acredito que tinha que ter um acompanhamento, principalmente o acompanhamento dos familiares, pra gente entender por que essas pessoas ingressaram no crime. Mesmo porque… Se o apenado, lá dentro, vê que os seus familiares tão tendo alguma assistência, ele já fica mais calmo. E essas pessoas se estruturando por conta da assistência do Estado… Quando aqueles caras sair de lá de dentro, eles vão ter onde parar pra, pelo menos, respirar. E mais uma coisa que, inclusive, eu faço parte da Primeira Frente de Sobreviventes do Cárcere, que é uma união. São só pessoas que tiraram uns dias. Nós estamos se juntando, pra quê? Pra entender quais que são as nossas dores… Porque a mãe, às vezes, ela não entende a minha dor. Minha irmã, ela não entende. Minha mulher, ela não entende. Então, nós, que ficamos presos e presas, entendemos muitas vezes a dor nossa. Minha matricula é 84901. Inclusive, é o nome do meu canal. O meu canal é 84901. Foi o número que o Estado tachou em mim, porém, usei esse número pra mim. Eu vou usar do jeito que eu quero, não é do jeito que o Estado quer, certo? Só que esse número é um número pra sempre. Saí em 2011, tô de quebrada, parei. Mas meu número é o 84901. Se eu chegar e der um empurrão em qualquer um e voltar pro presídio, eu sou o 84901. Se eu for comprar um pãozinho pros meus filhos aqui e trombar uma viatura na qual os caras [policiais] tá na maior neurose, eles vão levantar os antecedentes. De repente, vão me julgar novamente. Eu posso ser absolvido, como eu posso ser forjado, como eu posso ser executado. Só que a LEP [Lei de Execução Penal], no artigo 202, ela veda pra que as pessoas não saibam disso. A única pessoa que poderia saber é o juiz. E, mesmo assim, analisando um outro processo que eu tenha entrado. Fora isso daí, ninguém deveria saber. Aquele Zé Povinho, que você tá ali na frente dele: “oh, vim procurar um trabalho”. E o cara: “legal, qual seu nome? Nome e RG”. Só que ele tá levantando [seus antecedentes] ali e você não tá vendo. “Então, nós tava precisando, mas não tá mais”. Então, por exemplo, a simples ocultação dos antecedentes já melhora. E por quê? Porque eu vou procurar um emprego e vou arrumar. O cara vai ver as minhas qualidades, não vai ver coisas que já passaram. Eu vou tá comprando um pãozinho e vou estar sossegado. Então, são medidas… isso vai ajudar a diminuir a violência. Nós somos pessoas… Os sobreviventes do cárcere, nós somos pessoas. E é o seguinte: ao mesmo tempo que a sociedade quer excluir, o crime abre portas. Então, eu acho que essas medidas simples diminuiriam a violência.

 

 

Este especial é uma parceria Le Monde Diplomatique Brasil e Radar Saúde Favela – Fiocruz, cuja equipe é composta por  Fábio Araújo, Marina Ribeiro, Fábio Mallart, Larissa França, Raimundo Carrapa, Emerson Baré, Mariane Martins, Luciene Silva e Paulo Roberto Ribeiro.



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