A odisseia fatal das ferrovias gregas
O choque frontal entre dois trens em 28 de fevereiro ecoou, para muitos gregos, aquele que se produziu, há dez anos, entre a vontade popular e a da União Europeia. Os 57 mortos aparecem mais como vítimas da corrupção e das privatizações do que de um erro de sinalização. E poucas esperanças são depositadas nos inquéritos instaurados por Atenas e Bruxelas
Carcaças de metal que soltam fumaça em um vale ao nascer do dia. A mídia grega difunde, em repetição incessante, as imagens do socorro que se movimenta em torno desses vestígios calcinados da ferrovia que liga Atenas a Tessalônica. Depois das 23 horas da véspera, no distrito central de Tempé (Tessália), não longe da cidade de Larissa, um trem de passageiros transportando 352 pessoas colidira com um trem de carga. Durante doze minutos, eles correram sem saber pela mesma ferrovia, em sentido contrário. O choque frontal provocou a morte de 57 pessoas e ainda resultou em pelo menos 85 feridos, entre os quais numerosos estudantes que voltavam de um fim de semana prolongado. A catástrofe ferroviária de 28 de fevereiro de 2023 é a mais mortífera da história grega. O inquérito em andamento não deve atribuir responsabilidades antes de vários meses, ainda que o chefe da estação de Larissa já tenha…

