A prova de fogo na Península Arábica
A desestabilização do Oriente Médio provocada pela guerra israelo-americana contra o Irã afetará uma Arábia Saudita que está abandonada à própria sorte? Enquanto Teerã não faz nenhuma concessão aos Estados Unidos e os hutis multiplicam os ataques contra o reino, o príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman – que conta com poucos aliados –, se vê diante de escolhas difíceis
Oito meses depois do início do ataque israelo-americano contra o Irã, em 28 de fevereiro, o contexto geopolítico no Golfo continua marcado pelo agravamento das tensões e pela persistência do risco de uma conflagração regional.[1] Apesar das enormes perdas humanas e econômicas sofridas pelo país, os dirigentes da República Islâmica demonstram intransigência nas negociações diretas ou indiretas com a Casa Branca. Sua firmeza lembra a do aiatolá Ruhollah Khomeini, que levou vários anos para decidir se aceitava a paz proposta pelo Iraque e, consequentemente, colocava fim a um conflito que causou quase 1 milhão de mortes entre 1980 e 1988.[2] Diante dos Estados Unidos, o Irã exige o fim do bloqueio de seus portos, o levantamento imediato das sanções, a restituição dos ativos financeiros confiscados pelos países ocidentais e o encerramento de todas as hostilidades no Oriente Médio, sobretudo no sul do Líbano e em Gaza. Em contrapartida, propõe a…

