Cabos submarinos, uma questão de Estado
O sonho libertário de uma internet regulamentada apenas por empresas privadas está desaparecendo. Por muito tempo impotentes diante de um fenômeno que não entendiam, os Estados estão reconquistando o front na cena digital e têm um peso cada vez maior na arquitetura física da internet – uma questão de soberania e poder no século XXI, como eram os cabos telegráficos no século XIX
A Wehrmacht a chamava de Martha. Hoje, um casco cor de ferrugem esconde o cinza do concreto. Na estrada que segue ao longo do grande porto marítimo de Marselha rumo a L’Estaque, a antiga base de submarinos nazistas está abandonada há mais de setenta anos. O bunker inacabado foi usado como prisão militar pelos Aliados após o desembarque da Provença. Depois, nada. Até recentemente, alguns iniciados vinham admirar antigos desenhos esquecidos nas paredes, provavelmente obra de prisioneiros alemães. Agora, eles não estão mais acessíveis, escondidos desde 2020 por trás das instalações da MRS 3, um dos enormes data centers da companhia Interxion. “Não posso deixá-los entrar. São plataformas de nuvem muito sensíveis e temos cláusulas de confidencialidade do tamanho de um braço”, diz já de saída Fabrice Coquio, presidente da empresa. As instalações são civis, mas a segurança é digna de uma base militar. Aqui está enterrada uma parte dos…

