Camponeses na Cisjordânia, resistência a todo custo
Desde o início do ano, o Exército e os colonos israelenses provocaram o deslocamento forçado de 50 mil palestinos da Cisjordânia. Ao impor leis iníquas e exercer uma violência cotidiana, Tel Aviv persegue uma anexação gradual que visa, entre outros objetivos, à apropriação de terras agrícolas e à construção de novas colônias – ilegais, segundo o direito internacional
Ali M. remexe nos escombros de uma casa destruída durante o inverno de 2024 por tratores israelenses para retirar barras de ferro com as quais reforçará o curral de suas cabras. O criador, com cerca de 20 anos, é interrompido pela entrega de água: um velho caminhão pesado e enferrujado da Citroën, sobre o qual balança uma gigantesca cisterna, sobe pela trilha. Ali recebe o motorista, que divide a vida entre seu trabalho como professor de biologia em Jericó e essas entregas, vitais para as famílias da região. Estamos na aldeia de Al-Maleh, ao norte da Cisjordânia, num pequeno vale rochoso que desce em direção ao Rio Jordão. A jusante do curral, um leito de pedregulhos atesta a existência passada de um riacho que corria ali há vinte anos. No entanto, hoje em dia só o vento carregado de poeira passa pelo vale. “Os colonos chegaram em 1967 e começaram…

