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Expansão e transnacionalização do PCC
Quando grandes operações policiais são deflagradas, surgem rapidamente diversos debates. Especialistas, em geral, afirmam de forma genérica e abstrata que o PCC está “infiltrado” no Estado, em empresas, na Faria Lima. No entanto, raramente se faz o movimento inverso: será que essas instituições não estão, elas próprias, sustentando os mercados ilegais?
Crescimento de fintechs coloca em risco o Sistema Financeiro Nacional
Prometendo competitividade e juros mais baixos, a ascensão das fintechs pavimentou um cenário de regulamentação frágil e permissivo para esquemas de lavagem de dinheiro
Gastança parlamentar
A tradicional concentração de poder e riqueza das classes dominantes no Brasil, um dos países mais desiguais do planeta, é uma construção histórica que gerou as instituições e regras que organizam ainda hoje nossa sociedade
Os culpados e seus cúmplices
Desde o início da guerra, os relatórios se acumulam: quer falem de destruição metódica, de extermínio ou de genocídio, todos concluem que Israel quer aniquilar o povo de Gaza
Trabalhar de graça para trabalhar um dia
Seria necessário reduzir a dívida da França para não hipotecar o futuro de sua juventude. Governantes e empresários repetem isso à exaustão. No entanto, já faz muito tempo que os jovens são considerados devedores: cabe a eles convencer sobre sua boa vontade, em particular sobre sua “empregabilidade”. E pouco importa que a Constituição garanta a cada um o direito ao trabalho
Empreendedorismo ressignifica o modo de vida popular
Diante do fim da utopia da sociedade salarial brasileira alimentada pelo processo constituinte dos anos 1980, jornalistas, acadêmicos, sindicalistas e parlamentares reagiram em choque ao perceber que a sigla CLT vinha sendo usada como ofensa por jovens e até por crianças. Entre os mais jovens, 68% acham melhor ser autônomo. O que houve para uma mudança de percepções tão aguda?
Por que a sociedade israelense apoia um genocídio?
Gideon Levy, jornalista do diário Haaretz, passou a carreira denunciando a ocupação dos territórios palestinos, a colonização, as expulsões e a chantagem com o antissemitismo. Há dois anos, é uma das poucas vozes em seu país a se erguer contra o banho de sangue em Gaza. Como pode uma tragédia tão grande ocorrer diante do silêncio e da indiferença da maioria dos israelenses?
Demografia, a mãe de todas as batalhas
Os massacres cometidos contra a população civil de Gaza ocorrem num momento singular do ponto de vista demográfico. Se uma “ameaça existencial” pesa sobre o “Estado judeu”, ela se deve menos a incursões cruéis de grupos armados hostis do que a uma derrota de Israel na guerra de fecundidade que se desenvolve entre o Mediterrâneo e o Rio Jordão
Camponeses na Cisjordânia, resistência a todo custo
Desde o início do ano, o Exército e os colonos israelenses provocaram o deslocamento forçado de 50 mil palestinos da Cisjordânia. Ao impor leis iníquas e exercer uma violência cotidiana, Tel Aviv persegue uma anexação gradual que visa, entre outros objetivos, à apropriação de terras agrícolas e à construção de novas colônias – ilegais, segundo o direito internacional
Mercosul, a Europa na contramão da história
Idealizado há mais de 25 anos, na época do livre comércio triunfante, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul suscita repúdio cada vez maior. O próprio governo francês mostra-se reservado. Já a Comissão de Bruxelas escolheu precipitar a ratificação do tratado
Costa do Marfim, último bastião da França
Enquanto sua influência é denunciada e rejeitada em muitos países africanos francófonos, a França mantém laços estreitos com a Costa do Marfim de Alassane Ouattara. Candidato a um quarto mandato presidencial, cuja constitucionalidade é duvidosa, ele pode contar com o apoio de Paris. No entanto, essa aliança é ao mesmo tempo frágil e contestada
Socialista, pró-Palestina e futuro prefeito de Nova York?
Enquanto o presidente Donald Trump lança uma caça às bruxas contra seus opositores, um muçulmano socialista e pró-Palestina, evidentemente acusado de antissemitismo por seus adversários, pode ser eleito prefeito da cidade que abriga Wall Street. Nova York é também o município com o maior número de judeus no mundo, ao lado de Tel Aviv. Muitos deles votarão em Zohran Mamdani no próximo 4 de novembro
Do multilateralismo à brutalidade
A Organização das Nações Unidas chega enfraquecida aos seus oitenta anos. “A ONU não só não resolve os problemas […], como também cria novos que devemos solucionar”, criticou Donald Trump diante da Assembleia Geral em 22 de setembro. Confrontadas ao desengajamento dos Estados Unidos e às desordens de um mundo cada vez mais ameaçador, as Nações Unidas precisam se reinventar
Genebra internacional em turbulência
A queda da ajuda para o desenvolvimento – especialmente a norte-americana – e os atrasos no pagamento das contribuições dos Estados-membros obrigam a ONU a reduzir em 20% seu orçamento. Cidade do multilateralismo desde a criação da Sociedade das Nações, em 1919, Genebra vive um despertar doloroso: demissões, afastamento das grandes potências e competição interna na Suíça
As raízes pan-americanas do multilateralismo
Os princípios da Convenção de Montevidéu inspiraram a Carta das Nações Unidas. Dos 51 países fundadores da ONU, 20 são latino-americanos (e apenas treze europeus). Nessa região, o multilateralismo é uma planta de raízes antigas e resistentes
Apartheid, segregacionismo e o genocídio palestino
A narrativa vitimista do supremacismo de africâneres da África do Sul, protestantes da Irlanda do Norte, brancos do sul dos Estados Unidos e judeus israelenses. Por que seus medos não se justificam?
Jorge Amado, o fogo vermelho
Ser um escritor engajado não significa ser entediante. O brasileiro Jorge Amado, que por um tempo foi deputado comunista, soube passar das crônicas da miséria aos romances da alegria e celebrou com exuberância todas as resistências e indisciplinas – assim como a potência de agir, de corpo e alma, dos dominados
Homens à beira de um ataque de nervos
Na década de 1970, marcada pelas lutas feministas e pela conquista de novos direitos para as mulheres, o cinema francês colocou amplamente em cena a “crise da masculinidade”. Registrando as metamorfoses e os abalos da ordem sexual, ele serviu com frequência de vetor para uma contraofensiva patriarcal multifacetada
Sublimação nacionalista no tênis canadense
Classificada na 350ª posição do ranking mundial de jogadoras de tênis no fim de 2024, Victoria Mboko galgou até o 23º lugar oito meses depois, após derrotar quatro vencedoras de Grand Slam. A vitória no Masters do Canadá da jogadora de origem congolense de 18 anos encantou a imprensa, sempre pronta a construir lendas esportivas que ocultam o essencial
Pode o Centrão eleger presidente?
Não dá para saber ainda qual será a solução da aliança Centrão-bolsonarismo para as eleições presidenciais nem se Tarcísio seria esse candidato
Miscelânea
Confira a resenha dos livros “O homem não foi feito para ser feliz”, de Maurício Mendes; “O sentido da segunda guerra mundial”, de Ernest Mandel e “/um mapa das ruínas/”, de Vitor Ribeiro-Santos

