LITERATURA

Jorge Amado, o fogo vermelho

Ser um escritor engajado não significa ser entediante. O brasileiro Jorge Amado, que por um tempo foi deputado comunista, soube passar das crônicas da miséria aos romances da alegria e celebrou com exuberância todas as resistências e indisciplinas – assim como a potência de agir, de corpo e alma, dos dominados

O ano de 1958 foi decisivo na história brasileira, e não apenas por conta da primeira vitória da Seleção na Copa do Mundo de futebol, sustentada pela alegria pura de Pelé e pelas fintas de ombro de Garrincha. Alguns dias depois do título, João Gilberto iniciava as sessões de gravação do álbum Chega de saudade no Rio de Janeiro, com seu toque de violão e seu canto sussurrado tão particulares. Foi o ato de nascimento da bossa nova, o gênero musical com o qual o otimismo, o dinamismo urbano e a modernidade do Brasil dos anos de Kubitschek – em relação ao presidente eleito em 1955 – conquistaram o mundo. Nesse contexto eufórico, em parte sem dúvida utópico – 1964 veria a instauração brutal de uma ditadura por um golpe militar –, Jorge Amado publica Gabriela, cravo e canela, “uma pedra no meio do caminho” de uma carreira marcada, à…

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