DESINVESTIMENTO NAS NAÇÕES UNIDAS

Genebra internacional em turbulência

A queda da ajuda para o desenvolvimento – especialmente a norte-americana – e os atrasos no pagamento das contribuições dos Estados-membros obrigam a ONU a reduzir em 20% seu orçamento. Cidade do multilateralismo desde a criação da Sociedade das Nações, em 1919, Genebra vive um despertar doloroso: demissões, afastamento das grandes potências e competição interna na Suíça

Em 25 de abril de 2025, uma nota interna assinada pelo chefe de gabinete do secretário-geral António Guterres abalou as Nações Unidas. Ela ordenava às diretorias do secretariado-geral que identificassem, no prazo de três semanas, as funções que poderiam ser suprimidas ou realocadas. Algumas semanas antes, Guterres já havia lançado a iniciativa ONU80, em referência ao 80o aniversário da instituição mundial, visando “melhorar a eficiência e a rentabilidade” e “otimizar recursos”.[1] A brutalidade dos prazos e a ausência de garantias sociais provocaram uma onda de choque entre os funcionários internacionais e os empregados locais, em particular em Genebra, que abriga 43 agências e programas da ONU. As reações não tardaram: reuniões internas canceladas, mobilização espontânea, petições e, sobretudo, um clima qualificado como “mortífero” em instituições-âncora, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). Em 1º de maio de 2025, cerca de…

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