Demografia, a mãe de todas as batalhas
Os massacres cometidos contra a população civil de Gaza ocorrem num momento singular do ponto de vista demográfico. Se uma “ameaça existencial” pesa sobre o “Estado judeu”, ela se deve menos a incursões cruéis de grupos armados hostis do que a uma derrota de Israel na guerra de fecundidade que se desenvolve entre o Mediterrâneo e o Rio Jordão
O balanço humano da intervenção israelense em Gaza ainda é provisório, mas será bem superior ao número de vítimas diretas, atingidas por balas e bombas: 65 mil mortos e 165 mil feridos em dois anos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, citado pelo escritório das Nações Unidas para a coordenação dos assuntos humanitários.[1] À luz de outras fontes, a The Lancet considera que esses números subestimam os óbitos por lesões traumáticas e minimizam em cerca de 40% a realidade.[2] Um artigo on-line da revista científica recorda também que, em conflitos recentes, “as mortes indiretas representam entre três e quinze vezes o número de mortes diretas”.[3] Numa situação de confinamento, acosso e destruição como essa, os maus-tratos e a fome organizada produzirão efeitos nefastos sobre a população a médio e longo prazo. Dominação militar de Israel pretende exterminar árabes da região para o projeto “Estado judeu,…

