Do multilateralismo à brutalidade
A Organização das Nações Unidas chega enfraquecida aos seus oitenta anos. “A ONU não só não resolve os problemas […], como também cria novos que devemos solucionar”, criticou Donald Trump diante da Assembleia Geral em 22 de setembro. Confrontadas ao desengajamento dos Estados Unidos e às desordens de um mundo cada vez mais ameaçador, as Nações Unidas precisam se reinventar
Sessenta e um conflitos envolvem atualmente 36 Estados no mundo, fato inédito desde 1945.[1] O campo das relações internacionais segue se fragmentando, enquanto sua arquitetura institucional, erguida sobre os escombros da Segunda Guerra Mundial, cede sob o efeito de várias dinâmicas combinadas. Depositária da segurança internacional e do “respeito das obrigações [dos Estados] decorrentes dos tratados e de outras fontes do direito internacional”, segundo o preâmbulo de sua Carta, a ONU mostra-se incapaz de conter a proliferação beligerante e o recurso cada vez mais desenfreado à força, sem nenhuma regra ou precaução. Várias ações temerárias israelenses e norte-americanas demonstraram isso novamente nos últimos tempos: a “guerra de doze dias” lançada por Israel contra o Irã (13-24 de junho de 2025), bombardeios norte-americanos a instalações nucleares em Fordo, Isfahan e Natanz em junho de 2025 e, em setembro de 2025, ataques israelenses no Catar, além da mobilização do arsenal militar de…

