UMA JUVENTUDE ILUDIDA PELO ESTADO

Trabalhar de graça para trabalhar um dia

Seria necessário reduzir a dívida da França para não hipotecar o futuro de sua juventude. Governantes e empresários repetem isso à exaustão. No entanto, já faz muito tempo que os jovens são considerados devedores: cabe a eles convencer sobre sua boa vontade, em particular sobre sua “empregabilidade”. E pouco importa que a Constituição garanta a cada um o direito ao trabalho

“A juventude é apenas uma palavra.” Citar o sociólogo Pierre Bourdieu sobre a imprecisão dessa categoria quase se tornou um clichê na França.[1] No entanto, de fato, as desigualdades intrageracionais tendem a aumentar, o que apenas amplia a cisão entre os diplomados e os perdedores da competição escolar. No seio da juventude, a variedade de situações aparece mais importante do que em outras parcelas da população. Se 75% das mulheres e 67% dos homens de 18 a 20 anos estudavam em 2020, essa proporção cai para 45% entre os jovens de 21 anos. Um em cada três estudantes recebe bolsa, quatro em cada dez trabalham durante o ano universitário. A taxa de desemprego dos jovens ativos atinge quase 20%, enquanto um terço dos jovens com menos de 30 anos está empregado; um décimo não está nem empregado, nem em formação, nem em estudos.[2] A juventude, portanto, não é um corpo…

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