Mercosul, a Europa na contramão da história
Idealizado há mais de 25 anos, na época do livre comércio triunfante, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul suscita repúdio cada vez maior. O próprio governo francês mostra-se reservado. Já a Comissão de Bruxelas escolheu precipitar a ratificação do tratado
Nos Estados Unidos, Donald Trump acentua a guinada protecionista iniciada no primeiro mandato e prosseguida por seu sucessor, Joe Biden. Na Índia, Narendra Modi prefere incorrer na ira de Washington a abrir seu mercado aos produtos agrícolas norte-americanos. Na China, a celebração oficial do livre comércio não impede Pequim de apoiar seus campeões nacionais e proteger suas indústrias estratégicas. “O sistema comercial mundial tal como o conhecíamos está morto”, resume o Michael Froman, representante de comércio dos Estados Unidos entre 2013 e 2017.[1] Por toda parte? Não! Uma aldeia de burocratas irredutíveis persiste em impor às suas populações a penitência do livre comércio: a União Europeia. A desfeita comercial infligida por Washington contra Bruxelas poderia ter levado os dirigentes europeus a reavaliar suas certezas. Preocupada em afastar a ameaça norte-americana de tributar em 30% os produtos europeus, a Comissão Europeia aceitou, no último dia 27 de julho, um acordo assimétrico…

