UM MUNDO ASSOLADO PELA INCERTEZA

Empreendedorismo ressignifica o modo de vida popular

Diante do fim da utopia da sociedade salarial brasileira alimentada pelo processo constituinte dos anos 1980, jornalistas, acadêmicos, sindicalistas e parlamentares reagiram em choque ao perceber que a sigla CLT vinha sendo usada como ofensa por jovens e até por crianças. Entre os mais jovens, 68% acham melhor ser autônomo. O que houve para uma mudança de percepções tão aguda?

Em meados da década de 1980, o Brasil saía da ditadura recolhendo os cacos da modernização conservadora dos militares. Com a entrada em cena dos novos movimentos sociais, esperava-se, na contramão da crise econômica, do desaparecimento do comunismo soviético e da reestruturação produtiva do capitalismo, que da nova Constituição emergiria um Estado de bem-estar social pleno. Imaginava-se que o modelo de cidadania vigente desde o regime varguista e restrito a segmentos da classe trabalhadora com carteira assinada seria ampliado para toda a população. Essa “cidadania regulada” aparecia como utopia para a maioria ainda excluída. Somada ao sonho da casa própria e ao desejo de ver os filhos na faculdade, alimentava um ideal de progresso contínuo. Cerca de cinquenta anos depois, uma tendência perturbadora surgiu nas redes sociais e rapidamente ganhou repercussão na “opinião pública”. Jornalistas, acadêmicos, sindicalistas e parlamentares reagiram em choque ao perceber que a sigla CLT vinha sendo…

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