Quando o trabalho deixa de proteger
A proteção social brasileira avançou para além do emprego formal, mas continua condicionada pela desigualdade, pela informalidade, pelo território, pelo trabalho de cuidado e pela capacidade do Estado

A proteção social brasileira avançou para além do emprego formal, mas continua condicionada pela desigualdade, pela informalidade, pelo território, pelo trabalho de cuidado e pela capacidade do Estado
Embora as categorias de trabalhadores possam ser compreendidas como participantes de formas contemporâneas de trabalho mediado por plataformas digitais, suas experiências laborais não são equivalentes
O empreendedorismo costuma ser apresentado como uma história de inovação, crescimento e geração de riqueza. No entanto, por trás dos números e dos modelos de sucesso, existem trajetórias marcadas por desigualdades, disputas por espaço e diferentes formas de compreender o papel de uma empresa na sociedade
Em São Paulo, se morre vinte anos mais cedo na periferia e ainda se perde mais vida no caminho. O deslocamento diário é a face invisível de um holocausto urbano, que tem endereço, classe e cor
O trabalho deixou de funcionar como ponte segura entre o esforço educacional e a estabilidade e passou a operar como filtro que reserva as posições melhores a quem já dispõe de recursos anteriores
Por que um estado que se orgulha de seus indicadores econômicos, de sua produtividade e de sua suposta qualidade de vida, produz uma representação política tão comprometida com a preservação de jornadas exaustivas?
Enquanto guerras culturais dominam a competição política, reformas que alteram profundamente as relações de trabalho avançam frequentemente em segundo plano
Enquanto seguirmos ignorando a dimensão prática da vida das pessoas – muitas vezes relegada ao campo das sutilezas – para elaborar relativizações rebuscadas de um verniz científico, seguiremos sem compreender muitas outras questões que dizem respeito ao trabalho e as estratégias econômicas que as pessoas buscam colocar em prática nos tempos atuais
O Bolsa Família não substitui o trabalho. Opera como dispositivo de proteção social, segurança alimentar e transição de renda em uma economia que produz pobreza mesmo entre quem trabalha
Existe uma longa história escondida atrás da palavra trabalho. Ela atravessa impérios, plantações, fábricas, escritórios e plataformas digitais; atravessa também os corpos daqueles que, para viver, precisam vender o próprio tempo. Embora frequentemente apresentado como virtude, realização ou destino, o trabalho carrega marcas de violência que remontam às origens da sociedade capitalista e permanecem visíveis nas formas contemporâneas de exploração. Em tempos de exaustão generalizada, talvez seja necessário olhar novamente para essa história e perguntar quem realmente se beneficia dela
O Brasil passa por um conflito que se desloca para a qualidade da formalização, a duração da jornada, a intensidade do esforço exigido e a apropriação social do tempo de vida. A escala 6×1 sintetiza essa disputa ao organizar a vida cotidiana em torno da disponibilidade permanente para o trabalho. O artigo articula gênero, juventude, desigualdade regional e renda para sustentar que a próxima agenda trabalhista brasileira precisa colocar o tempo no centro do conflito democrático em torno dos direitos
Os crimes de tortura e até de manuntenção das condições degradantes de trabalho não devem ser observados apenas como violação pontual, mas como parte de uma articulação sistemática que desenha a letalidade de determinados sujeitos como um modelo a ser seguido na lógica do capitalismo racial