trabalho
Tudo o que nos separa
L’Histoire de Souleymane, de Boris Lojkine, aborda a condição do entregador clandestino. Au boulot! [Ao trabalho!], de Gilles Perret e François Ruffin, coloca uma grande burguesa cheia de certezas frente a frente com as mulheres que mantêm a economia de pé por um salário mínimo (pág. 27). O sucesso desses longas-metragens nas salas de cinema francesas sugere uma nova atenção às realidades do trabalho, sua precariedade e seus perigos (pág. 24). Porém, quando o governo da França exige mais esforços para cobrir os déficits – dificuldades para acessar o seguro-desemprego, sete horas a mais na jornada – e o setor automobilístico europeu fraqueja (pág. 25), o abismo se aprofunda entre duas relações que se estabelecem com o trabalho assalariado: entre aqueles que o evitam (pág. 28) ou questionam sua vocação (pág. 22) e muitos outros, que só podem viver o trabalho como uma injustiça (a seguir)
O silêncio das fábricas
Uma fábrica fecha, os operários se manifestam, o Estado declara sua impotência. As lágrimas escorrem e, em breve, a poeira se acumula. “Assim é a vida”, explicam os meios de comunicação, sempre prontos a ocultar a natureza política das escolhas do poder – por exemplo, enfraquecer as organizações dos trabalhadores e destruir os bastiões operários do noroeste italiano
Humanizar para melhor capitalizar
Assim como as escolas de gestão ensinam a fazer o melhor uso dos meios financeiros ou das possibilidades de mercado, os novos administradores aprendem a gerir o ser humano, reduzido à categoria de um recurso como outro qualquer. E jogam com as emoções (empatia, cumplicidade, prazer, mas também medo e estresse) para atingir seus objetivos. Tudo decorre do “efeito Hawthorne”…
Trabalhar menos para poluir menos
Emancipatória e promotora de uma melhor distribuição do emprego e da riqueza, a redução da jornada de trabalho também seria capaz de diminuir as emissões de gases de efeito estufa. Essa visão ousada de futuro, no entanto, ainda assusta: é o que mostra a retirada, pela Convenção Cidadã sobre o Clima da França, da proposta de 28 horas semanais de trabalho
Por que os funcionários públicos japoneses se matam de trabalhar
Longe do estereótipo do servidor público que vive ao abrigo das vicissitudes da existência, os altos funcionários japoneses trabalham em condições exaustivas, fazendo até trezentas horas extras por mês. As leis sociais – já muito pouco protetoras – não se aplicam a eles. Um número crescente desses trabalhadores abandona os ministérios, provocando uma crise inédita do serviço público
“Tem que trabalhar, senhora”
Em 2008, o Subsídio a Pais Solteiros passou a integrar o serviço de Renda de Solidariedade Ativa na França. Desde então, a administração pressiona mulheres que criam seus filhos sozinhas a entrar para o mercado de trabalho. Enquanto o número de empregos assistidos diminui, as subsidiadas sofrem uma pressão à qual não conseguem resistir, sem a liberação da obrigação de serem “boas mães”
Documentário de um exército invisível
Pandelivery: Quantas vidas vale o frete grátis? é muito mais do que um documentário sobre o ambiente urbano. Unindo em seu título as palavras pandemia e delivery, o que remete ao termo pandemônio, o filme expõe a situação de entregadores e entregadoras de empresas-unicórnio durante a quarentena. Além do material editado, disponível desde outubro, seus realizadores enviaram o bruto das gravações ao Ministério Público de São Paulo para as devidas providências, em plena interface do cinema & audiovisual com o socioambiental e os direitos humanos. Confira no terceiro artigo da série Cinema & Meio Ambiente
Afinal, para que servem os artistas?
Desde o século XIX, os artistas interrogam-se se poderão viver de sua prática e (o que está relacionado com essa questão) qual é seu papel na sociedade. Sobre esta última, contudo, todos se questionam. Parasita inspirado? Fornecedor de alimento para a alma? O artista possui uma especificidade que pode torná-lo útil ou utilizável?
A sede por segurança social no mundo das artes
O mundo da arte e da cultura, violentamente afetado pela gestão da crise sanitária, se vê diante dos limites de um modelo em que a remuneração está muito conectada com a dinâmica dos mercados. Romper a condição de intermitência em direção a um salário vitalício permitiria aos trabalhadores das artes libertar suas atividades do capital e dos subsídios estatais
Por um programa de garantia de empregos no Brasil
E se o governo atuasse como Garantidor de Empregos de Última Instância como forma de combater a pandemia e suas consequências econômicas devastadoras?
Trabalho, família, wi-fi
Os gigantes do setor digital dificilmente poderiam prever que um teste em tamanho real de sua visão de sociedade seria justificado por uma motivação sanitária. Durante semanas, produtores e consumidores tiveram de resolver seus assuntos por meio das telas, inclusive quando se tratava da escola, do divertimento e da saúde

