Com que armas eu vou? - Le Monde Diplomatique

GLOBALIZAÇÃO

Com que armas eu vou?

por Ali Laïdi
1 de janeiro de 2005
compartilhar
visualização

Autoridades francesas já implementam política estratégica de informação econômica, mas a Europa permanece desarmadaAli Laïdi

“Nem ingênuo, nem paranóico”. É assim que Didier Lallemand resume seu estado de espírito. Alto funcionário da Defesa ligado ao Ministério da Economia há cinco anos, ele gerencia as questões de inteligência econômica. No entanto, não aprecia essa expressão, por demais identificada com “serviços secretos” e “espiões”. Também não gosta da noção de guerra econômica, que faz com que os investidores e os políticos se afastem. Prefere falar de exacerbação da competição econômica ocasionada pela globalização, expressão politicamente correta no meio sofisticado dos colarinhos brancos.

No entanto, Didier Lallemand incita o Estado a implementar uma verdadeira política nesse setor. Depois do relatório Martre de 19941 e, em seguida, o do deputado Bernard Carayon de 20032, as autoridades francesas parecem se interessar mais especificamente pela questão. Em dezembro de 2003, Alain Juillet, ex-número dois da Direção Geral da Seguridade Interna (DGSE), foi nomeado “Senhor Inteligência Econômica” junto ao primeiro-ministro. Seu papel consiste em transformar o Estado em “Estado estrategista”. Primeiro objetivo: insuflar um espírito de inteligência econômica em todas as administrações. O segundo objetivo, de mais curto prazo, é estabelecer uma lista dos setores econômicos frágeis – essencialmente as indústrias e os serviços que ameaçam a soberania do Estado.

Europa desarmada

Acreditou-se que a Comissão Européia criaria um cargo de supercomissário para a indústria e as empresas, mas seu presidente se opôs

Na Europa, só os ingleses dominam perfeitamente essas questões. Os franceses os imitam há alguns anos. Quanto aos outros países membros da União Européia, eles têm dificuldade em levar em conta esse novo quadro das relações internacionais. Ora, sem a Europa, nenhum dos países do Velho Continente é capaz de lutar contra os gigantes econômicos, antigos ou novos: Estados Unidos, Japão, Brasil, China, Índia… Daí um apelo em Bruxelas para a mobilização dos esforços.

Acreditou-se por um momento que a Comissão iria criar um cargo de supercomissário para a indústria e as empresas, mas José Manuel Barroso, presidente da Comissão, opôs-se a isso. Teria ele medo que esse supercomissário lhe fizesse sombra, ou simplesmente não acredita nas possibilidades de uma Europa potência? No momento em que se fala de um serviço europeu de luta antiterrorista, seria bom também que fosse colocada a questão de uma Europa da informação econômica.

(Trad.: Regina Salgado Campos)

n rem

1 – Intelligence économique et stratégie des entreprises, Commissariat au Pla



Artigos Relacionados

INVERTENDO O ALVO E MIRANDO NO SISTEMA DE JUSTIÇA

O que faz o caso Luana Barbosa tão assustador?

Online | Brasil
por Vários autores
RESENHAS

Miscelânea

Edição 185 | Mundo
O QUE ESTÁ POR TRÁS DOS BONS SENTIMENTOS

Os usos da compaixão

Edição 185 | Mundo
por Évelyne Pieiller
COMO OS ESTADOS PARTILHAM AS ÁGUAS MARÍTIMAS

Direito do Mar balança, mas não avança

Edição 185 | Mundo
por Didier Ortolland
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

A reforma devora seus filhos

Edição 185 | França
por Simon Arambourou e Grégory Rzepski
CUSTO EXORBITANTE DA LIBERALIZAÇÃO

O choque elétrico europeu

Edição 185 | Europa
por David Garcia
NÚPCIAS DO NEOLIBERALISMO COM A EXTREMA DIREITA

Na Itália, a linguagem dupla de Giorgia Meloni

Edição 185 | Itália
por Hugues Le Paige
GUERRA NA UCRÂNIA EMBARALHA AS CARTAS DO ANTIGO BLOCO SOVIÉTICO

A ladainha húngara

Edição 185 | Hungria
por Corentin Léotard