Congresso Nacional Africano, nas origens de um partido-Estado
Depois de longos meses de negociações e nove pedidos de impeachment pelo Parlamento, o presidente sul-africano, Jacob Zuma, implicado em diversos escândalos de corrupção, acabou renunciando no dia 14 de fevereiro. O Congresso Nacional Africano, verdadeiro partido-Estado, enfrenta graves tensões internas que fragilizam a hegemonia conquistada com o fim do apartheid, em 1991
Famoso por ter se tornado o primeiro bilionário negro da África do Sul, Cyril Ramaphosa foi eleito, em 18 de dezembro de 2017, presidente do Congresso Nacional Africano (CNA). Provavelmente, ele será o próximo presidente da República em 2019, depois do mandato interino que ocupa desde a demissão forçada de Jacob Zuma por corrupção, em 14 de fevereiro de 2018. O percurso tumultuoso desse veterano da luta contra o apartheid se explica amplamente pelas engrenagens e cultura políticas particulares do mais antigo partido político da África. De tendência social-democrata e membro da Internacional Socialista, o CNA é, como a Frente de Libertação Nacional (FLN) na Argélia e a União Nacional Africana do Zimbábue – Frente Patriótica (Zanu-PF, na sigla em inglês), um desses antigos movimentos de libertação nacional que passaram pela luta armada antes de chegar ao poder. Apesar de suas tensões internas, os escândalos dos últimos anos e o…

