E o mundo se levantou em nome da Etiópia
A história turbulenta dos anos 1930 às vezes se esquece da aventura etíope dos fascistas italianos e frequentemente ignora a mobilização de grande alcance contra essa agressão, na África, que ocorreu nas ruas das cidades da diáspora negra, como Nova York, assim como em numerosos portos, onde estivadores e marinheiros se recusaram a embarcar armas destinadas à Itália
“Ó Etiópia, tivemos paciência por quarenta anos; agora chega!”, exclamou Benito Mussolini em um discurso transmitido pelo rádio, em 2 de outubro de 1935. Para o Duce, havia chegado a hora de lavar a afronta causada pela humilhante derrota sofrida naquele país na Batalha de Aduá, em 1896. A conquista da Etiópia deveria garantir à Itália, frustrada por ter recebido apenas as “migalhas do banquete colonial”, um lugar à mesa das grandes potências. Violando o Protocolo de Genebra (1925), que proibia o uso de armas químicas, Roma empregou em larga escala o gás mostarda, dizimando a população e o rebanho e contaminando maciçamente os lençóis freáticos. A Etiópia transformou-se no palco de uma guerra total, na qual os generais Pietro Badoglio e Rodolfo Graziani conduziram campanhas de terror. Estima-se que entre 500 mil e 750 mil pessoas tenham sido mortas até o fim da ocupação italiana, em 1941. Na realidade,…

