QUANDO OS FRANCESES SE RECUSARAM A RATIFICAR O TRATADO CONSTITUCIONAL EUROPEU

Em 29 de maio de 2005, um povo dizia “não”

Após intensa campanha e forte mobilização popular, o tratado que estabelecia uma Constituição para a Europa foi rejeitado na França por referendo em 29 de maio de 2005. As instituições permitiram então ao presidente Nicolas Sarkozy ignorar esse voto adotando um texto gêmeo – o Tratado de Lisboa. Subestimada na época, essa negação da democracia marcou um ponto de inflexão na vida pública francesa

Comemorar – da forma que for – em tese contribui para a coesão nacional. Ocultar, portanto, não pode ser algo sem importância. “O que me apavora [...] não é que o mundo moderno destrua tudo, mas que não se enriqueça em nada com o que ele destrói”, escreveu Georges Bernanos.[1] Vinte anos depois, o que resta do referendo de 29 de maio de 2005, no qual uma maioria clara de franceses rejeitou o Tratado Constitucional Europeu (TCE)? Para muitos, apenas a vaga lembrança de um voto popular rapidamente questionado. No clima deletério e incerto de 2025, o interesse geral não exigiria relançar a luz a esse evento, seu sentido e sua abrangência? Logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, o ideal europeu impôs-se tanto como resposta às contingências geopolíticas quanto como fantasia de paz e diálogo entre os povos. Além disso, a Libertação trouxe à França o programa do…

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