Eu não transijo para salvar vidas: o discurso de Ronaldo Caiado

POPULISMO E CRISE

Eu não transijo para salvar vidas: o discurso de Ronaldo Caiado

por Grupo de Pesquisa Discurso
18 de novembro de 2020
compartilhar
visualização

Este trabalho faz parte da segunda fase da série “A análise dos discursos sobre a pandemia da Covid-19” produzida pelo Grupo de Pesquisa “Discurso, Redes Sociais e Identidades Sócio-Políticas (DISCURSO)”. Nesta fase nos detemos na análise dos principais porta-vozes nacionais e internacionais dos discursos negacionista e científico. No presente artigo trazemos a análise política de um dos principais porta-vozes nacionais do discurso científico sobre a pandemia: Ronaldo Caiado, governador do estado de Goiás.

O presente artigo se debruça sobre a caracterização de um dos principais porta-vozes nacionais do discurso científico: o governador Ronaldo Caiado. Com tal objetivo, recuperamos os aspectos centrais da trajetória sociopolítica do mandatário em Goiás e no Brasil, esquadrinhamos os constrangimentos e oportunidades com os quais se defronta antes e durante a pandemia e, por fim, examinamos posicionamentos e vieses discursivos produzidos por ele nessa conjuntura assim como os desdobramentos e ecos políticos que se fazem sentir na relação entre o porta-voz e seus interlocutores.

O ator

Ronaldo Ramos Caiado (nascido em Anápolis, 1949) é o atual governador de Goiás eleito em primeiro turno nas eleições de 2018, ex-senador e deputado federal por cinco legislaturas, predominantemente filiado ao antigo Partido da Frente Liberal (PFL), atual Democratas (DEM). Adquire projeção no debate público como fundador e primeiro presidente da União Democrática Ruralista (UDR) durante as discussões da Assembleia Nacional Constituinte e concorre sem sucesso às eleições presidenciais de 1989. Tal ascensão no cenário político nacional tem lastro no capital político da família Caiado em Goiás que remonta ao período da República Velha, motivo pelo qual o atual governador é usualmente associado ao coronelismo vigente naquele período. Ao que se soma o estilo mormente belicoso e truculento de discurso e de atuação política adotados pelo político goiano.

Com efeito, esses traços se fazem sentir em sua defesa enfática dos interesses do patronato rural e de uma absoluta recalcitrância sobre qualquer medida orientada ao remodelamento da estrutura fundiária e à reforma agrária. Para além dessa liderança de pendor reacionário, Ronaldo Caiado ostenta outra face atinente à sua trajetória sócio-profissional, uma vez que é médico graduado e pós-graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). As vinculações ao ramo da medicina são bastante destacadas no rol de suas identidades sócio-políticas, seja de modo isolado, seja de forma associada às atividades agrícolas. Em sua biografia no site da Câmara dos Deputados, são listadas – nessa ordem – as seguintes profissões: agricultor, professor, médico. Já em seu perfil biográfico no Senado, a lista se inverte com a profissão de médico sendo alçada ao topo, recebendo inclusive um marcador digital que informa ser aquela a principal atividade do então parlamentar.

Essa plasticidade nas identidades sociais, políticas e profissionais constitui em si mesma um aspecto marcante desse ator. Diferentes capitais e expertises são elencadas e articuladas por ele em função das circunstâncias com que se defronta. Entretanto, há um aspecto transversal em sua atuação no front político que merece ser assinalado. Caso seja verdade que parte importante das narrativas e propostas de ação girem em torno de uma lógica binária que opõe a esperança, de um lado, e o medo, de outro lado, é patente concluir que Caiado se pauta precipuamente por esta última. Sob a égide de discursos que sopesam ameaças concretas e simbólicas que precisam de algum tipo de contenção, o goiano usualmente exterioriza posicionamentos e visões de mundo que polarizam não somente com ideários e lideranças progressistas e da esquerda no espectro político.

De saída, o ultraconservadorismo do governador foi consolidado em fervorosa oposição a esses movimentos sociais e partidos políticos de orientação progressista, particularmente o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e o Partido dos Trabalhadores (PT). Mas esse mesmo perfil combativo e pouco afeito à composição política lhe rende uma extensa e eclética lista de opositores no flanco conservador, tanto em nível estadual quanto na esfera federal. No período recente, tais oposições multifront foram catalisadas por um discurso anti-establishment e contra a corrupção, contribuindo para o triunfo de Caiado frente ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) em Goiás e somando forças à vitória de Jair Bolsonaro para a Presidência da República.

À semelhança da tônica predominante no Executivo Federal, um aspecto-chave do governo Caiado vinha sendo o rechaço ao legado deixado por seus antecessores e um combate ao que descreve como herança maldita[1], materializada em déficit orçamentário, máquina pública inchada, obras inacabadas, dentre outras mazelas, advindas de falhas e irregularidades na gestão. Espelhando iniciativas do presidente, Caiado logrou reformar a estrutura administrativa do estado e montar um secretariado com baixa participação de figuras conhecidas do cenário político, valendo-se da justificativa de privilegiar quadros técnicos para postos-chave de seu governo.

Por outro lado, o governador desvencilhou-se de argumentos técnicos quando encampou o relaxamento da legislação estadual de trânsito, seguindo ações idênticas do presidente da República. Esse alinhamento entre os mandatários permitiu a Caiado ser um dos principais responsáveis pela nomeação de Luiz Henrique Mandetta (DEM/MS) para o Ministério da Saúde. A pouca distância que separa Goiânia e Brasília encurtou-se ainda mais do ponto de vista da articulação política, com a capital federal ocupando um espaço central na agenda do governador durante todo o ano de 2019, o que serviu como munição para numerosas críticas de opositores e aliados.

Os deslocamentos constantes até Brasília – até três ao longo de uma semana – vinham tendo como mote principal as negociações políticas sobre a admissão de Goiás no Regime de Recuperação Fiscal (RRF) da União. Tal pleito é apontado como solução derradeira para os problemas orçamentários do estado: não há plano B. O plano B é fechar para liquidação, afirma Caiado. A despeito das políticas de austeridade adotadas pelo governador, que incluíram a revisão de isenções e incentivos fiscais e a reforma da previdência estadual, por exemplo, e do relacionamento estreito com a cúpula palaciana de Brasília, a saga em busca do socorro federal segue inócua. O advento da pandemia de Covid-19 alcança Goiás no momento em que o governador elevava o tom das críticas contra o Ministério da Economia e outros órgãos federais que obstavam a conclusão dos objetivos pretendidos.

A emergência sanitária põe todo esse repertório de planos – sejam os nomeados por consoantes, sejam os batizados com vogais – em compasso de espera. A doença traz à tona uma espécie de novo alfabeto no qual prioridades, alianças e estratégias assumem grafias e significados diversos. Goiás não fechou para liquidação e a prioridade absoluta dedicada às medidas de austeridade e de sustentabilidade da economia cedeu lugar aos esforços de contenção do vírus e à primazia da sustentabilidade da vida. Tal inflexão se traduziu em uma preponderância desse assunto nos discursos e pronunciamentos de Caiado durante os três primeiros meses de enfrentamento da pandemia. Frequentemente o papel de médico seria posto em equivalência – e mesmo em precedência – em relação ao papel de governador. Na prática, porém, essa inclinação pela sustentabilidade da vida e de não transigir para salvar vidas não foi capaz de prescindir dos expedientes do jogo político que assegurariam verbas e recursos necessários para o enfrentamento da crise sanitária em Goiás. Nessa toada, o decurso da pandemia traria também um vai e vem no relacionamento entre Caiado e o Poder Executivo Federal.

A produção do discurso sobre a pandemia e seus interlocutores

 

Desde o início da pandemia, Caiado vem evocando sua formação e experiência técnico-científica na medicina como balizadores de suas decisões e como contraponto às ações que considera como equivocadas e irresponsáveis no enfrentamento do problema. Essa mudança foi acompanhada de um deslocamento na produção de seus antagonismos que toma forma contundente em seus posicionamentos públicos do dia 15 de março de 2020. Naquele domingo, as rotineiras manifestações de rua em defesa do governo de Jair Bolsonaro tiveram lugar, uma vez mais, em bairros de classe média alta da capital Goiânia. Mas, diferentemente de outras edições que contaram com a presença do governador, Caiado não havia se dirigido ao local para fazer coro aos manifestantes.

Dias antes, ele já havia declarado situação de emergência após a confirmação do primeiro caso da doença no estado e editado orientações para a suspensão de eventos com aglomeração de pessoas. Como de praxe, os manifestantes concedem o microfone a Caiado naquela tarde e ouvem palavras que suscitam aplausos nos momentos em que o governador defende que ninguém mais do que Ronaldo Caiado enfrentou as esquerdas no Brasil e que permanecia um dos poucos governadores, pode-se dizer entre os quase três únicos, que apoia o presidente Bolsonaro. Os dizeres que vieram na sequência, no entanto, inverteram de forma radical e instantânea as reações das pessoas ali presentes.

 

Ronaldo Caiado discursa sob vaias em ato pró-Bolsonaro em 15 de março. (Reprodução Twitter)

 

O chefe do Executivo conclama o público a entender uma coisa só: vocês têm que entender que eu sou um médico. Antes de ser governador de estado, eu sou médico. E vocês precisam entender, a menos que vocês não estejam olhando para o mundo, o que está ocorrendo. Vocês precisam ter, mais do que nunca, responsabilidade de não fazer com que aglomerações provoquem a disseminação do coronavírus. Essa postura de rechaço ao negacionismo prevalecente no discurso bolsonarista teve como resultado a conversão dos aplausos em vaias e serviu de ingrediente para uma sequência de novos pronunciamentos de Caiado naquele mesmo dia após a saída tumultuada do evento. Ele usou sua conta pessoal no Twitter para publicar textos e um vídeo que, juntamente com o trecho acima, servem como parte do material empírico utilizado em nossa análise.

 

 

Além de retomar os pontos-chave do discurso proferido horas antes, Caiado já delimita a cisão política propiciada pela pandemia. Sua concordância com o movimento bolsonarista era colocada em xeque na medida em que este menosprezava a integridade e a saúde da população. Esta mesma tônica é emblematicamente reforçada num vídeo publicado na sequência, no qual o governador parafraseia o slogan de campanha de Bolsonaro dizendo que a vida está acima de tudo e é ela que eu vou defender. A partir desse conjunto de pronunciamentos, constata-se a gênese de um novo eles e de um novo nós. Primeiro as linhas divisórias foram demarcadas diante do movimento bolsonarista e das atitudes de seus membros. Porém não tardou para que essa fissura se projetasse para a pessoa do presidente, tendo como estopim o discurso proferido por este em cadeia nacional no dia 25 de março, no qual classifica a Covid-19 como uma gripezinha e tenta transferir aos governadores o ônus pela crise econômica que seria produto das medidas de isolamento social implementadas por gestores estaduais e municipais. As reações de Caiado a esse pronunciamento correspondem ao restante do material empírico que ora analisamos.

 

 

Na esteira dessas falas, o governador tenciona alcançar um público mais geral que, de um modo ou de outro, seria parte implicada pelo problema. Entretanto, pode-se perscrutar que há uma tentativa de reaver seu núcleo duro de seguidores que existia – e crescia – antes do bolsonarismo. Ou seja, é aberto um front de disputa dentro do campo da direita e da extrema-direita. Cabe lembrar que, diferentemente de parcela expressiva dos governadores eleitos em 2018 em franco alinhamento a Bolsonaro, Caiado ostenta capital político próprio e um tipo de liderança carismática que lhe asseguram apoiadores fiéis há várias décadas. As constantes menções à sua histórica oposição às esquerdas são uma decorrência disso, juntamente com a valorização de seu perfil socioprofissional que compreende recurso importante de sua reputação. Por fim, o chamamento à união para lidar com a pandemia indica um aceno para novos aderentes que se aglutinam em torno de uma postura científica. Não é fortuito que entidades como a Organização Mundial da Saúde (incluindo seu diretor, Tedros Adhanom), a Universidade Federal de Goiás e a Fundação Oswaldo Cruz passariam a ser mencionadas com grande destaque por Caiado.

Todavia, essa tentativa de composição política com novos atores e instituições não se converteria num ativo com o qual o governador goiano poderia municiar-se para dar sustentação ao seu posicionamento médico-científico. Na realidade, a sequência das medidas de isolamento social capitaneadas por Caiado foi perdendo força na medida em que os imperativos da administração pública e da política federativa brasileira tendiam a colocá-lo numa situação fragilizada (em verbas e apoios) para gerir o estado em crise. É fato que a defesa das medidas de contenção de pandemia e da ciência se mantiveram no repertório caiadista, mas foram matizadas e tiveram que conviver com outras urgências.

 

Análise do discurso

 

A produção do discurso caiadista diante da pandemia seguiu um continuum em que os argumentos de natureza técnico-científica demarcaram a primeira linha divisória frente às novas oposições constituídas no bojo desse processo. Os pronunciamentos em apreço partem da rejeição ao negacionismo e logo incorporam um componente de cunho afetivo/emocional fazendo alusão direta à insensibilidade com as vidas perdidas e a uma dimensão moral explícita que apela à humanidade das pessoas. Por ocasião da ruptura com o presidente, Caiado condena o sectarismo e a omissão de Bolsonaro, ressaltando que a conjuntura exige acordos no reconhecimento e no enfrentamento do problema. Na composição dos marcos interpretativos do goiano, esses elementos se articulam e criam clivagens que subsidiam sua leitura do estado atual de coisas assim como do conjunto de ações que deveriam ou não embasar a intervenção sobre essa realidade.

 

 

Consoante à primazia atribuída à sustentabilidade da vida, o problema maior no diagnóstico do governador é a pandemia causada pelo novo coronavírus e seus efeitos nefastos sobre a população de seu estado. Para ele, trata-se de inimigo invisível que não aceita erros, que pode ceifar a vida de muitos goianos. Com base nesse entendimento, a crise sanitária ocasionada pela COVID-19 suplanta a importância das demais crises que o mandatário vinha enfrentando. Importa salientar que tal precedência é confirmada não somente pelo diagnóstico em si, mas também por uma inversão na hierarquia das identidades sociopolíticas feita pelo próprio Caiado: antes de ser governador de estado, eu sou médico. Ou seja, o fato de ser médico e as obrigações decorrentes disso têm peso maior do que os constrangimentos impostos pela função de governador. Sendo assim, a crise fiscal passou a um segundo plano na medida em que só com o menor número de vítimas do coronavírus e atendendo aos doentes, nós recuperaremos a economia.

 

 

No entanto, o atendimento aos doentes também demanda esforços econômico-financeiros que o estado, sozinho, não tem condições de arcar. Daí então os diagnósticos e prognósticos de Caiado sobre a pandemia o colocavam diante de um dilema: como gerir o problema sem o auxílio de verbas e recursos repassados pelo Governo Federal? Mesmo que boa parte dos repasses seja de caráter impositivo, a discricionariedade do Ministério da Saúde pode afetar enormemente as medidas emergenciais. Esse elemento parece ter pesado para a curta longevidade do rompimento de facto entre Caiado e Bolsonaro. Mas, paradoxalmente, o argumento do mandatário goiano seguiu sendo o da busca de fundos e recursos para lutar a contento contra a pandemia. Ou seja, mesmo em face do negacionismo prevalecente no Executivo Federal, a batalha contra o coronavírus no âmbito estadual requeria os repasses vindos de Brasília.

Dessa forma, a patente contradição dessa postura se atenua e o posicionamento do governador goiano continua enfatizando, por exemplo, que negar/omitir o problema constitui grave injustiça pois atenta contra a prioridade absoluta de preservação de vidas e são equivalentes ao ato de fazer roleta russa com a cabeça dos outros. Calcado nesses parâmetros, Caiado desenha um prognóstico no qual espera chegar ao fim desse período com o menor número possível de perdas de vidas e com maior capacidade de recuperação econômica. Nesse futuro, ele aceita voltar a tratar de assuntos políticos nos moldes convencionais e a reposicionar os imperativos de ser governador no topo de sua agenda, onde a recuperação econômica sublinhada provavelmente inclui a retomada e eventual reforço das medidas de austeridade fiscal com ou sem a adesão do estado ao Regime de Recuperação Fiscal.

A meta-síntese de Caiado, a defesa da vida acima de tudo, vai de encontro aos ditames dos negacionistas identificados ao movimento bolsonarista e emblematicamente refaz o próprio slogan da campanha presidencial de Jair Bolsonaro. Embora afirme que está brigando com o coronavírus e não brigando com ninguém, Caiado deixa clara sua contrariedade a todos aqueles que relativizam o valor primaz da vida. Tanto é assim que o rompimento temporário dele com o Palácio do Planalto se deu a partir da constatação de que o presidente da República tem um pensamento e Ronaldo Caiado tem outro. Na fase inicial da pandemia, o governador asseverava que as decisões do presidente da República, no que diz respeito à saúde pública, não alcançarão Goiás e que os goianos que se fiam no pensamento do presidente terão que cumprir o decreto. Não vou admitir que alguns poucos preguem a desobediência quando se baixa um decreto para salvar vidas em Goiás. Essa fala, contudo, perdeu sua validade ao passo que os decretos de Caiado não foram renovados a partir de meados de julho de 2020. Passou a vigorar depois uma espécie de política de laissez-faire na qual os prefeitos ficaram responsáveis pelas medidas de contenção à pandemia, muito embora o discurso caiadista não tenha incorporado esse relaxamento ao seu léxico cotidiano.

Quando do traçado inicial dessa fronteira, a experiência internacional surgiu como crivo importante que endossava e reforçava o antagonismo em âmbito nacional. Caiado dizia que os Estados Unidos foi um colapso enorme, em oposição ao país que conseguiu um dos melhores resultados, a Alemanha. Além disso, ele informa coadunar com premissas e diretrizes emanadas da Organização Mundial da Saúde tanto em termos das medidas sanitárias per se, quanto no tocante a instituição de auxílios financeiros que garantam a dignidade das pessoas e lhes permitam cumprir as medidas de saúde pública. Outros elementos distintivos entre o nós e o eles estão dispostos abaixo na caracterização das identidades antagônicas que denotam a conformação concreta daquilo que se define moral e legitimamente no marco de motivação.

Nesses quesitos, Caiado recorre a categorias como humanidade, humildade, respeito, sentimento e também diversas alusões a valores religiosos e menções a Deus. Desse modo, cria-se um conjunto de justificações de ordem moral e afetiva com grande potencial de convencimento e geração de aderência. O entrelaçamento dessas virtudes à figura de Caiado expressa-se na reconstrução sociopolítica que evoca seu apreço pela vida, pela democracia, pela ciência, pela autoridade e pelo cumprimento de palavra. Não é coincidência que seu programa de ação tenha se estruturado em torno de uma estrita observação dos protocolos científicos, de princípios como prudência e prevenção, e ainda de informação qualificada e fidedigna para orientar e esclarecer a população.

Esse eles é construído a partir dos pronunciamentos do governador do dia 15 de março, quando sua postura científica ante a pandemia entra em choque com a visão de mundo negacionista dos manifestantes bolsonaristas que incorriam em aglomeração pública mesmo após a expedição de orientações em contrário do governo estadual. Na sequência, o eles é acrescido do próprio presidente Bolsonaro e seu núcleo político que entendem a pandemia como um mero resfriadinho, refutando não só a existência do problema como as medidas de distanciamento social levadas a cabo por governadores e prefeitos. Mais ainda, essas ações de contenção da doença seriam o mal maior que viria a destruir a sustentabilidade da economia. De pronto, Caiado rebate essa postura: sou médico e não aceito isso. A crise existe e será tratada.

 

Cadeia de equivalências do “eles”

Eles, portanto, defendem o fim do isolamento social ou o isolamento vertical, o que Caiado rechaça: fazer isolamento vertical, ou seja, isolar apenas o grupo de risco, não é uma estratégia eficaz no combate ao coronavírus. É científico! Eles são aqueles que politizam e se omitem perante a pandemia. Estes dois atributos compõem os pontos nodais que o discurso caiadista imputa ao eles, na órbita dos quais se perfilam atitudes que visam confundir o cidadão por meio de teses equivocadas e compartilhamento de fake news para disseminar ódio e desinformação. Ademais, eles são os indivíduos que agem guiados pela irresponsabilidade e pelo egoísmo, desprovidos de empatia para com o próximo. Destaca-se, nessa contraposição, a seguinte convocação feita por Caiado: aos que destilam ódio, peço que transformem essa energia e doem cestas básicas à OVG[2] e sejam voluntários dos colegas da saúde no tratamento dos pacientes de coronavírus no Hospital de Campanha.

 

Rivalizando com tais atributos que definem o eles, Caiado constrói o nós a partir dos atributos que remetem a um comprometimento com a preservação de vidas e à empatia com o sofrimento e a vulnerabilidade alheia. Destaca-se um tipo de articulação do discurso científico em diferentes níveis, englobando os ditames emanados por agências multilaterais como a Organização Mundial de Saúde, os protocolos feitos pelo Ministério da Saúde (especialmente à época em que esteve encabeçado por Luiz Henrique Mandetta) e as recomendações elaboradas pela equipe estadual de saúde. Há também uma vinculação dessa estratégia integrativa com uma narrativa de valorização da democracia e das instituições políticas como pilares para um melhor enfrentamento do problema.

 

Cadeia de equivalências do “nós”

 

 

No discurso de Caiado, omissão/politização da pandemia faz as vezes tanto de ponto nodal quanto de significante vazio. O termo conecta, resume e também aparece como substituto para todos os demais itens que ajudam a rotular negativamente o eles. No extremo oposto, a construção do nós lança mão da expressão vida acima de tudo que também cumpre dupla função: ponto nodal e significante vazio. Desse modo, temos dois significantes vazios mutuamente excludentes que ocupam o cerne do antagonismo discursivo sem necessariamente trazerem a reboque significados substanciais. Contudo, são suficientes para demarcar um campo de disputas até então inexistente que contrapõe Caiado, de um lado, e o negacionismo de Bolsonaro e seu núcleo político, de outro.

Conforme sucintamente mencionado acima, o discurso caiadista reveste-se de um tom eminentemente técnico-científico eventualmente entremeado por uma narrativa que mobiliza dimensões dos sentimentos/afetos e dos valores morais e religiosos. Dessa combinação surgem formulações como a tese de Pôncio Pilatos. Ao que tudo indica, ela foi, a priori, endereçada ao presidente da República em referência à omissão deste ante a emergência sanitária e o endosso que ele vinha representando às posturas negacionistas. Para eles, Caiado assevera que as responsabilidades pelas consequências terão que ser assumidas por todos.

A tese de Pôncio Pilatos também é um bom indicador para mostrar o alcance e a penetração dos discursos de Caiado em diferentes tipos e veículos de mídia. Essa fala aparece na conta pessoal do governador no Twitter, em entrevistas à mídia tradicional e, também, em lives nas quais ele participa como convidado. O capital político de Ronaldo Caiado há muito vem lhe rendendo amplo espaço nos grandes veículos de mídia do país, embora sua chegada ao Executivo goiano tenha produzido uma redução relativa de sua exposição aos holofotes dos principais telejornais nacionais, por exemplo. Ainda assim, ele mantém presença apreciável em jornais impressos como Valor Econômico e revistas como Veja, especialmente considerando o espaço usualmente dedicado por esses meios a governadores de estados periféricos. Já no circuito das redes sociais, Caiado acumula 921 mil curtidas em seu perfil no Facebbok, 535 mil seguidores no Twitter, e 362 mil seguidores no Instagram. Nessas plataformas alimentadas quase diariamente, ele publica pronunciamentos, notícias, análises e comentários sobre assuntos diversos, além de ser relativamente assíduo na produção de lives transmitidas precipuamente no Facebook.

O apelo do discurso caiadista e as idas e vinda da disputa de hegemonia

A sobreposição observada entre a base caiadista e a base bolsonarista em Goiás foi tensionada com o advento da pandemia em razão das posições antagônicas adotadas pelos chefes do Executivo estadual e federal. Um desdobramento evidente disso ocorreu no âmbito das redes sociais onde Caiado passou a ser alvo de críticas manifestadas e compartilhadas por apoiadores do presidente, frequentemente compostas – no todo ou em parte – por fake news. Em 26 de março, a revista Veja veiculou matéria (repercutida no Twitter do próprio governador) informando que Caiado virou alvo do gabinete do ódio tão logo rompeu com Bolsonaro[3]. Nas postagens virtuais, ele passou a ser tachado como traidor e comunista. Paradoxalmente, esses atritos parecem não ter impactado nos índices de aprovação do governo Caiado segundo a mais recente pesquisa de opinião realizada no final de maio pelo Instituto Paraná Pesquisas e pelo site Poder 360[4].

De acordo com esse levantamento, a administração de Caiado era aprovada por 70,1% dos goianos. No tocante às ações do governador no combate ao coronavírus, esse índice de aprovação alcançava 73,7%. Essa avaliação positiva de quase ¾ do eleitorado para o governo Caiado, em geral, e para suas políticas de enfrentamento à pandemia, em particular, está ancorada em um amplo espectro de apoios. As faixas amostrais em que a aprovação supera os 70% nesses dois quesitos ilustram essa tendência: pessoas do sexo feminino, adultos acima dos 45 anos e pessoas com ensino fundamental completo. Em se tratando somente das políticas de combate ao coronavírus, os resultados positivos são ainda mais expressivos. Dentro da margem de erro de 2,5% estimada pela pesquisa, só dois grupos situam-se de modo levemente consistente abaixo da aprovação de 70%: os homens (68,4%) e os evangélicos (68,0%).

Embora o viés de positivo seja explícito tanto na aprovação geral quanto nas ações ante a crise sanitária, uma pista importante sobre a oscilação de apoios e rejeições advém da análise da dispersão dos diversos índices. Com efeito, os números relativos à aprovação geral são mais dispersos e ajudam a fixar o índice médio em 70,1%. No caso das políticas emergenciais de saúde pública, os números são menos dispersos e deixam o índice médio em patamar superior, de 73,7%. Isso pode indicar que objeções a Caiado continuam latentes em diversas frentes, mas perdem força na avaliação de sua estratégia frente à pandemia. Na desagregação do índice de reprovação desse item (21,8%) chama atenção os números concernentes aos evangélicos em que se registra a maior alta dentre todos os segmentos: 26,9%.

Dentro das estratificações contidas na pesquisa e tendo em vista a sobreposição observada entre as bases caiadistas e bolsonaristas, é possível inferir que os evangélicos – especialmente do sexo masculino – correspondem ao grupo em que o rompimento entre Caiado e Bolsonaro teve maior impacto, redundando numa perda de apoio do primeiro. Um derradeiro estrato levemente destoante é relativo à faixa etária. Enquanto as avaliações positivas das medidas de combate ao coronavírus sobem de 3,5 a 4% se comparadas à aprovação geral do governo, esse elevação é de apenas 2,4% para o grupo entre 35 e 44 anos de idade. Se justapormos esses três segmentos em que a aprovação de Ronaldo Caiado é menos significativa, temos um retrato do perfil social mais refratário ao governador: homem, evangélico e de meia idade.

Um dado importante que nos ajuda a interpretar e contextualizar esses índices diz respeito ao segmento tipificado como não sabe/não opinou. Na avaliação geral do governo, esse contingente perfazia 5,5% do total, ao passo que no tocante às medidas de enfrentamento à pandemia, esse segmento retroage a 4,5%. Tal fato desvela um quadro contraintuitivo no qual a desinformação e/ou a indiferença são menores em relação a um conjunto de políticas públicas específicas (na área da saúde pública) do que a respeito do governante que as implementa. Por certo, a excepcionalidade causada pela pandemia responde em parte esse fenômeno. A isso se somam os altos percentuais de isolamento social conseguidos em Goiás logo no início da crise sanitária, conforme lembrado pelo próprio Caiado: nós chegamos a conseguir em Goiás um isolamento de 66,4%. Foi a maior taxa de isolamento social do país. Ou seja, mesmo em face dos tensionamentos políticos entre Caiado e Bolsonaro e da insatisfação de líderes empresariais do estado, as políticas enérgicas de enfrentamento à pandemia tiveram amplo alcance e adesão.

Em vista disso, entende-se que a aposta de Caiado na via médico-científica de enquadramento e tratamento do problema ecoou positivamente entre os seus apoiadores habituais tanto quanto entre os possíveis aderentes. A opção do governador por buscar subsídios científicos para suas decisões juntamente com a autoridade médica amealhada por ele próprio são variáveis-chave na compreensão dessa dinâmica. Sob essa lente, não parece ser despropositada a abordagem de Caiado que confere primazia à medicina e à ciência em detrimento da politização da pandemia. Assim, esse discurso anti politização acabou resultando em ganhos políticos (mesmo que momentâneos), segundo a pesquisa supraexposta. Ao apoiar a criação de órgãos como o Grupo de Modelagem da Expansão da Covid-19 em Goiás, da UFG, e do Comitê de Operações de Emergência em Saúde Pública do Estado de Goiás (COE-COVID-19), Caiado fortalece sua própria autoridade ao reforçar positivamente sua identidade técnico-científica na medicina, exercendo uma relativa atratividade aos olhos de aderentes que valorizam tais atributos na circunstância de uma pandemia.

Nesse contexto, controvérsias acerca das posições políticas ultraconservadoras e da liderança ruralista que marcam a trajetória de Caiado tendem a ser relegadas a um segundo plano. As promessas do governador por uma superação da pandemia salvando o máximo de vidas possível e construindo capacidades para a recuperação econômica se encaixam como peças fundamentais no mosaico da aprovação ascendente de Caiado. O apelo a esse caminho seguro calcado nos atributos da liderança do mandatário traça um cenário pós-pandemia menos traumático e desalentador do ponto de vista sanitário e econômico. Os componentes do discurso acionam um imaginário otimista em relação ao futuro e dão margem para que as ações do presente, ainda que duras, sejam endossadas pela maioria. Ao fim e ao cabo, a clivagem primordial entre o nós e o eles assentada em parâmetros científicos (leia-se racionais) também mobiliza um eclético repertório de argumentos e justificações da ordem dos sentimentos, afetos e paixões que terminam por reposicionar e ressignificar os elos entre o emissor dos discursos e seus receptores.

Mecanismos semelhantes também requalificam os antagonismos encarados por Caiado. As medidas restritivas de isolamento social levadas a cabo no estado ensejaram insatisfação e contrariedade em diversos segmentos sociais que antes apoiavam o chefe do Executivo. As críticas mais contundentes vieram, de um lado, do setor empresarial e de suas entidades de representação e, de outro lado, de lideranças e grupos evangélicos. Em relação aos primeiros, Caiado diz que logo no início, eu fui duramente contestado, até por um líder empresarial. Eu falei: “olha, é muito fácil para alguns propor roleta russa com a cabeça dos outros. Aí é fácil”. Ele não entra no risco. Deixa as pessoas se arriscarem pegando o ônibus todo dia. O líder empresarial referido aqui é o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG), ex-deputado federal pelo MDB e amigo pessoal do governador que havia sido favorável a uma coligação de seu partido com o DEM de Caiado nas eleições de 2018, o que acabou não ocorrendo.

O veio político-eleitoral e o comportamento do MDB também informam parte dos desentendimentos que emergiram entre Caiado e o segmento evangélico. A aliança entre essas partes era bastante evidente na composição da chapa eleita para o Senado em 2014, sendo a primeira suplência ocupada por político do MDB ligado à Assembleia de Deus. Com a renúncia de Caiado para assumir o governo de Goiás em 2018, o mandato em Brasília foi passado em definitivo para o emedebista. Isso não impediu, todavia, que as ações de enfrentamento à pandemia no estado, que incluíram a proibição de cultos e demais eventos com aglomeração de pessoas, fossem duramente contestadas por líderes de diversas denominações protestantes. A contenda envolveu ações judiciais, pressões sobre prefeitos para flexibilização das regras estaduais e, evidentemente, se expressa na perda de apoio de Caiado no seio desse segmento conforme demonstrado acima.

Parcela significativa desses dois grupos veem seus interesses contrariados pelas ações de contenção ao coronavírus que impactam no prosseguimento de suas atividades. Eles estão entre os principais porta-vozes do discurso que defende liberar. O presidente da FIEG opõe-se ao crivo mais elementar delineado pelo governador face à pandemia: Caiado pensa com cabeça de médico; ele tem de pensar com a cabeça de governador. Já os próceres evangélicos não somente se opuseram fervorosamente ao fechamento dos templos religiosos, como foram os primeiros a obter uma flexibilização das regras com pouco mais de um mês de sua vigência. Quando o governador tentou reincluir as igrejas no rol de instituições que voltariam a ser fechadas por conta do avanço da pandemia, a Assembleia de Deus foi representada por um de seus pastores que também é deputado federal (PRB-GO) numa ação judicial que autorizou liminarmente a continuidade das atividades nos templos religiosos.

Enquanto o líder empresarial sublinha um discurso de contornos racionais ao formular suas críticas ao governador, o pastor-deputado ancora-se precipuamente numa fundamentação que apela às paixões ao sustentar que as igrejas incluem-se na categoria de serviços essenciais e que não fecham nem tempo de guerra. Todas essas polêmicas recrudescem as dissidências dentro do bloco de apoio original de Caiado mas ainda não dão sinais claros de desgaste do governador em termos gerais perante a opinião pública. Contudo, elas devem ter desdobramentos importantes nos encaminhamentos para a crise sanitária e para o período subsequente, perpassando as eleições municipais de 2020 e o pleito de 2022. Nessa seara político-eleitoral, é pouco provável que o governador logre transformar em votos o apoio recebido às suas ações de enfrentamento à pandemia por parte de eleitores com tendência ao centro e à centro-esquerda no espectro político.

Conclusão

A opção de Ronaldo Caiado em priorizar suas responsabilidades enquanto médico àquelas inerentes ao cargo de governador de estado vem marcando seu discurso diante da pandemia de COVID-19, muito embora os imperativos e imponderáveis da política e da administração pública nunca tenham saído de cena. Mesmo quando ele não encontrou respaldo político para conter a flexibilização das medidas de distanciamento social, enfatizou que como governador, vou vocalizar o que a maioria estiver disposta a colocar em prática, mas vou continuar lutando pela vida. Essa tenacidade em favor da sustentabilidade da vida e da abordagem científica se mantém mesmo após uma reaproximação do presidente da República e se prolonga para o combate veemente de Caiado a protocolos de tratamento da COVID-19 sem embasamento científico: política pública de saúde tem de ter comprovação de resultado e autorização técnica. Portanto, o crivo da razão ainda está no cerne do discurso caiadista, todavia o recurso à esfera dos sentimentos, afetos e paixões apareça eventualmente.

 

Encontro entre Caiado e Bolsonaro durante inauguração de hospital de campanha no entorno do Distrito Federal. Crédito: Palácio do Plantalto)

A despeito da cisma que o discurso técnico-científico de Caiado representa em relação ao negacionismo bolsonarista, as medida do governador no combate à pandemia lograram ser amplamente aprovadas em Goiás (estado onde as amplas bases de apoio ao governador e ao presidente são praticamente coincidentes). Conforme exposto acima, os índices de aprovação do governador em sua gestão da crise sanitária são mais elevados do que os percentuais de sua aprovação geral. Isso mostra um movimento de aderência ao corolário sustentado pelo mandatário goiano por parte de um eleitorado de centro e de centro-esquerda que, em tese, suplantaria a relativa perda de apoio observada no seio de setores como o evangélico. Ipso facto, é patente que o advento da pandemia tenha se configurado enquanto uma janela de oportunidade para que Caiado reforce sua posição de poder e mitigue futuros revezes propiciados pelos efeitos de médio e longo prazo da crise atual.

Sob tais circunstâncias, a conhecida intransigência de Caiado em determinadas agendas e seu discurso mais propenso ao confronto do que à conciliação podem ter se convertido num ativo político com valorização ascendente. Seu discurso pregando a não transigência para salvar vidas parece reunir elementos que apontam alguma eficácia na atração da opinião pública durante a vigência da pandemia. Por outro lado, a suspensão das hegemonias e a inflexão no jogo político desencadeada por essa pandemia seguem dando margem a novas oportunidades e constrangimentos na construção dos discursos, de forma que o apego de Caiado ao discurso científico e à sustentabilidade da vida pode, no limite, se aproximar de um padrão de contingência que faça lembrar toda a plasticidade envolvida na definição entre o nós e o eles que disputam vez e voz na arena da política.

Ricardo Dias, Jorge O. Romano, Thais Ponciano Bittencourt, Liza Uema, Paulo Augusto André Balthazar, Annagesse de Carvalho Feitosa, Eduardo Britto Santos, Daniel Macedo Lopes Vasques Monteiro, Daniel S.S. Borges, Juanita Cuellar Benavídez, Renan Alfenas de Mattos, Ana Carolina Aguiar Simões Castilho, Caroline Boletta de Oliveira Aguiar, Érika Toth Souza, Juana dos Santos Pereira, Larissa Rodrigues Ferreira, Myriam Martinez dos Santos, Pamella Silvestre de Assumpção e Vanessa Barroso Barreto são pesquisadoras e pesquisadores do grupo de pesquisa “Discurso, Redes Sociais e Identidades Sócio-Políticas (DISCURSO)” vinculado ao Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento Agricultura e Sociedade e ao Curso de Relações Internacionais do DDAS/ICHS da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, registrado no CNPq e com apoio de ActionAid Brasil.

[1] Metodologicamente, ao longo do texto, são colocados em itálico algumas palavras ou significados expressos nas práticas discursivas dos porta-vozes assim como aquelas termos que achamos adequadas, em termos de significado, pelo trabalho analítico e que gostaríamos de destacar.

[2] Organização das Voluntárias de Goiás, entidade filantrópica vinculada ao governo de Goiás geralmente presidida pela primeira dama.

[3] ROBSON BONIN. Caiado virou alvo do gabinete do ódio tão logo rompeu com Bolsonaro. VEJA, 26 mar. 2020.  Disponível em: https://veja.abril.com.br/blog/radar/caiado-virou-alvo-do-gabinete-do-odio-tao-logo-rompeu-com-bolsonaro/‌

[4] PARANÁ PESQUISAS. Pesquisa de Opinião Pública Estado de Goiás. Paraná Pesquisas, maio 2020. Disponível em: https://static.poder360.com.br/2020/05/Caiado-ParanaPesquisas.pdf

 

 



Artigos Relacionados

Bom, adequado, o mais desejável

Usando compras públicas para o desenvolvimento sustentável

por Thiago Uehara
Segurança alimentar

Fome, racismo, tortura e morte no supermercado mais próximo de você

Online | Brasil
por Valéria Burity
Retórica

Bolsonaro mente ao dizer que luta pela soberania nacional na Amazônia

Online | Brasil
por Gabriel Dantas
Cinema e Meio Ambiente

Entretecendo comunidade: audiovisual, movimentos sociais e meio ambiente

por Maria Camila Ortiz, Suelen Rodrigues e Tereza Spyer
Indústria alimentícia

O sequestro dos orgânicos pelos ultraprocessados

Online | Brasil
por Elaine de Azevedo e Fernando Ataliba
Malcolm X

Prefácio do livro com discursos do Malcolm X

por Silvio Almeida

China: êxito na retomada econômica e na luta contra a extrema pobreza

Online | China
por Melissa Cambuhy
Guerra invisibilizada

Armênia, uma civilização se protegendo contra o pan-turquismo

Online | Armênia
por Plataforma9