Números ou sonhos que são frustrados: o discurso de Flávio Dino

POPULISMO E CRISE

Eu não vejo números, vejo sonhos que são frustrados: o discurso de Flávio Dino

por Grupo de Pesquisa Discurso
30 de novembro de 2020
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Este trabalho faz parte da segunda fase da série de artigos produzidos pelo Grupo de Pesquisa “Discurso, Redes Sociais e Identidades Sócio-Políticas (Discurso)” publicados na série Populismo e Crise. Nesta etapa nos detemos na análise dos principais porta-vozes nacionais e internacionais dos discursos negacionista e científico. Neste artigo apresentaremos o discurso de um dos porta-vozes nacionais do discurso científico, o governador do Maranhão, Flávio Dino.

A análise que se segue é fruto de esforços empreendidos pelo Grupo de Pesquisa “Discurso, Redes Sociais e Identidades Sócio-Políticas” (CPDA-UFRRJ). Nosso escopo é compreender quais foram os reflexos da pandemia da Covid-19 sobre as relações de poder estabelecidas, no âmbito nacional e internacional, a partir das disputas expressas nos discursos de diversos porta-vozes. Metodologicamente, a partir das abordagens de autores como Laclau e Mouffe (1985; 1996)1, Galván (2012)2, entre outros, buscamos recuperar o campo discursivo sobre a pandemia a partir de sua articulação em dois polos temáticos e com diferentes ênfases: o discurso negacionista, que privilegia a sustentabilidade da economia; e o discurso científico, que privilegia a sustentabilidade da vida. Apresentamos a seguir a análise das características do discurso científico de um porta-voz nacional: Flávio Dino.

 

Flávio Dino, defensor do Estado Democrático de Direito e da justiça social

 Flávio Dino de Castro e Costa (PCdoB-MA) é o atual Governador do Maranhão (2018-2022). Dino é casado, pai, advogado e mestre em Direito Público (UFPE), e professor (UFMA). Foi juiz (1994/2006) e deputado federal (2007/2010). Dino renunciou a magistratura e ingressou na política em 2006. Candidatou-se a uma vaga na Câmara dos Deputados e foi eleito. Lançou‐se candidato à prefeitura de São Luís em 2008 e, em 2010, disputou sua primeira eleição ao cargo de governador, mas não obteve êxito nesses pleitos. Em 2014 elegeu-se governador do Maranhão, substituindo o grupo que dominava o cenário político há mais de 50 anos3.

Após crises consecutivas assolando o Brasil, o político assumiu o tom de defesa da democracia marcando suas divergências com outros políticos brasileiros como Jair Bolsonaro. Os desacordos foram acentuados a partir do avanço da Covid-19 no país, com falas marcantes sobre a importância da preservação da vida e atenção à ciência, defendeu o isolamento social como uma das medidas mais eficazes para conter os casos de infecção. As críticas proferidas por Dino não se restringem às falas ou atos de Bolsonaro, como cumprimentar as pessoas na rua, não utilizar máscaras etc., elas informam também sobre às suas escolhas políticas e administrativas o que, no entendimento de Dino, acentuaram ainda mais a crise brasileira.

Possui perfil pacificador, e empreendedor de políticas públicas estruturantes4. Com uma postura destemida, polida, porém mordaz e enérgica, projeta-se ao imaginário social como alguém que intervém e se posiciona na esfera pública em defesa do Estado Democrático de Direito e dos menos favorecidos economicamente, em oposição aos atos do presidente e seus aliados. Seus posicionamentos, proferidos ao público em geral, renderam ao porta-voz as alcunhas de socialista e Governador Comunista.

Embora compute uma pequena oposição institucional no âmbito estadual, pois conta com uma base plural, Flávio Dino comumente é alvo de críticas, em especial nas redes sociais.

 

Empregos ou direitos? Uma falsa dicotomia

As práticas discursivas aqui analisadas são entrevistas concedidas por Flávio Dino ao repórter Sidnei Pereira, em março de 2020; ao Rodrigo Martins, em abril de 2020; à Carina Vitral, em maio de 2020; e ao Inácio Carvalho, em julho de 2020. Além destas, foram analisados também os textos e performances dispostas em suas redes sociais, a saber: Twitter e Instagram, e falas difundidas em sítios eletrônicos e veículos de imprensa, devidamente identificados, como o sítio eletrônico do Governo Estadual do Maranhão; publicações do The Guardian; El País; Uol; Valor Econômico; G1 Maranhão; Sitio eletrônico do PC do B-Partido; E o Correio Braziliense.

O surgimento da pandemia aguçou os ânimos entre aqueles que se situam em diferentes polos temáticos: a sustentabilidade da vida e a sustentabilidade da economia. Os posicionamentos acerca desses temas, produtores e reprodutores de antagonismos são expressos por meio de falas e performances dos porta-vozes. Em razão das contendas advindas do pleito de 2018 observa-se que, Flávio Dino, assim como outros govenadores, possui um diálogo difícil com o governo federal, e essas tensões se acentuaram ainda mais com o advento do coronavírus. Pelas especificidades do Maranhão, um dos estados mais pobres do país e com altas taxas de desigualdade, a implementação de políticas sanitárias precisa ser feita com rapidez, apesar das dificuldades adicionais5. No entanto, essas expectativas não foram atendidas pelo governo federal e diversos governadores adotaram medidas autônomas, com assessoria técnica própria, como veremos adiante.

Embora Dino seja identificado aqui como um porta-voz do discurso científico, assumidamente contrário à postura negacionista, suas práticas são orientadas por grande preocupação com os aspectos econômicos, sobretudo pela manutenção da reprodução social dos menos favorecidos. Assim, na disputa política, marca como os seus antagonistas todos aqueles que apresentam em suas falas e atos elementos que remetam ao individualismo (põem em risco os menos favorecidos, a democracia, etc.). E após a emergência da pandemia, a insensibilidade para com as vidas humanas, em razão de uma ideologia do ódio penetrando nos poros da sociedade, ganhou também espaço como ação praticada a ser combatida. As práticas discursivas de Flávio Dino orbitam a ideologia da solidariedade em oposição à ideologia do ódio.

As falas e ações de Dino remontam à sua prioridade na prevenção e combate ao coronavírus e seus efeitos no Maranhão. Em maio, a justiça determinou o Estado a adotar um lockdown (bloqueio máximo das atividades), especificamente a grande ilha composta pelos munícios São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa, devido à alta no número de casos e ocupação de leitos de UTI. Mas em julho a população assistiu a taxa de letalidade do vírus abaixo da nacional. Ainda assim as orientações à população foram para que não descuidassem das medidas preventivas, considerando também a situação de estados vizinhos. Entre os cuidados destinados aos indígenas e quilombolas, durante esse período, foi sancionada uma lei de criação do Fundo Estadual de Apoio aos Povos Indigenas. As ações do governador foram orientadas pelo Comitê Científico de Combate ao Coronavírus (CCCC), vinculado ao Consórcio Nordeste.

A proatividade de Dino em razão da ausência de medidas unificadas fez com que a contenda herdada do último pleito eleitoral ganhasse novos contornos, e a partir de suas práticas discursivas é possível apreender um retrato dos desafios anteriores e daqueles despontados ao longo da pandemia. Chamamos atenção que com a emergência do novo vírus abriu-se também uma janela de oportunidade para exposição da confirmação de suas teses, defendidas anteriormente, sobre a importância do Sistema Único de Saúde para a população; da necessidade da presença do Estado na economia; e da necessidade de defesa e manutenção do Estado Democrático de Direito.

Pautado nos eixos supracitados o porta-voz desdobra performances enfáticas quanto à necessidade de uma união nacional contra o individualismo e o extremismo, mas agora também com vistas ao combate à Covid-19. Tal união será possível a partir da gênese de uma consciência social por meio da qual todos reconhecerão a própria responsabilidade na execução de ações individuais6.

O discurso do porta-voz é direcionado ao público em geral. Fala aos brasileiros e brasileiras ou irmãos brasileiros e irmãs brasileiras. Caracteriza a emergência do coronavírus como uma situação sanitária desafiadora, responsável por terríveis perdas de vidas humanas. Apela à sensibilidade para que enxerguemos além dos dados quantitativos: Eu não vejo números, eu vejo histórias de vida, eu vejo laços humanos, sonhos, expectativas que são frustrados. Faz menções à solidariedade, fé, comunhão, dor e pesar por aqueles que se foram, por suas famílias, e tão logo estende esse sentimento a todos aqueles que estão passando pela crise afetados diretamente em sua reprodução material ou prejudicados em seus negócios de longo prazo. Para Dino, as urgências que afetaram os brasileiros durante a pandemia foram subsumidas pelos tumultos institucionais que ganham maior visibilidade, desviando as atenções de combate ao vírus: a substituição de ministros, inclusive o da saúde; as divergências sobre medidas de controle da evolução da pandemia; o incentivo ao uso de um medicamento sem eficácia comprovada; etc. Para Dino, nós estamos vendo crises em empresas, em empregos, nós estamos vendo crise social e este tumulto político. Ao se referir ao tumulto político as suas falas marcam como desnecessárias e embaraçosas as atitudes dos seus antagonistas, Bolsonaro, na qualidade de líder nacional, e seus aliados.

Apesar do cenário exposto o governador estimula que os brasileiros tenham fé em Deus e no país. Lançando mão desses elementos emocionais, marcando mais uma vez a sua posição na arena, convoca o povo a ser forte em meio a conjunção de fatores tão adversos, para que não ceda a uma visão do caos, aos cavaleiros do apocalipse que através do desespero semeiam suas teses autoritárias. Em seus argumentos ele destaca que para vencer essa disputa é recomendado a todos o compartilhamento da noção de destino comum. De união. E o sentimento de respeito ao próximo. Além disso, reforça que é preciso distanciar-se [apenas] socialmente, mas unir-se emocionalmente para cuidar de si, da família e do país7.

Ao tratar da união e noção de destino comum Dino faz alusão à produção de uma frente ampla, a que trata também como frente do bom senso. Consiste na articulação de todos aqueles que defendem ideias e ideais diferentes de seus antagonistas. O porta-voz manifesta em diversas ocasiões ser ela suprapartidária e que não se pode definir um modelo absoluto, posto que esse tipo de articulação é transitória. Como referência aponta as experiências do Uruguai, na constituição de uma frente sob a liderança de Mujica contra o conservadorismo, e no Chile, da Concertación para suceder a Pinochet. Esses argumentos são utilizados para chamar a atenção de todos os campos, inclusive da própria esquerda, sobre os significados do bolsonarismo. Estamos diante de uma corrente de extrema direita com base popular.  No Brasil, segundo Dino, a união em torno dessa Frente já rendeu frutos: a derrota do obscurantismo em torno do FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica); e o auxílio emergencial ter sido fixado em 600 reais; Opôs-se à deslegitimação da liderança das instituições da democracia; Colaborou na aprovação da lei Aldir Blanc (A Lei nº 14.017, de 29 de junho de 2020), entre outros.

Para Dino nós temos a crise sanitária, mas também temos que evitar a tragédia econômica8. Com essa preocupação em vista, via ofício, em julho, sugeriu ao presidente a criação de um Pacto Nacional Pelo Emprego. Em resposta indireta, o presidente limitou-se a dizer que havia um governador propondo o pacto, mas que estava com o seu estado fechado, embora o lockdown empreendido no Maranhão tenha acabado em maio. Dino aproveitou a ocasião dessa negativa para reforçar ser falsa a dicotomia ou empregos ou direitos, citando dados do Governo Federal (CAGED), sobre o Maranhão ser o estado do nordeste com melhor desempenho quanto à geração de empregos formais no mês de junho de 2020.

Com o objetivo de estimular a economia foi criado no Maranhão o Plano Emergencial de Empregos (PEE Celso Furtado), com ações previstas para os meses de agosto até dezembro de 2020, cujo objetivo é gerar empregos por meio de obras, compras governamentais, serviços e fomento setorial. Além disso, um dos eixos do Plano Emergencial prevê investimentos imediatos em políticas de proteção ao meio ambiente.

 

Frente Ampla: a união brasileira como estratégia contra o descontrole social e a grave instabilidade

 Lançando mão da metodologia frame analysis de Galván (2012) foram elaborados e analisados os diferentes marcos interpretativos que compõe o discurso de Flávio Dino, a saber, o marco de diagnóstico, o marco de prognóstico e o marco de motivação. Abaixo dispomos um quadro com a sua exposição.

 

 

No marco de diagnóstico do discurso do ator apresenta-se a descrição do que é entendido como problema e também a injustiça que se destaca associada ao problema diagnosticado. Observa-se que inicialmente o problema que se destacava era o avanço dos ideais da extrema direita no país, e como injustiça, as ameaças destes à democracia. Certa vez Dino pontuou: Bolsonaro às vezes aparece como uma caricatura, algo cômico. Mas ele é perigoso. Ele e os seguidores dessa seita de extrema direita fanática são perigosos19.

A chegada e avanço da pandemia no Brasil ressignificaram suas preocupações e o seu discurso. O avanço da pandemia expôs o desalinhamento entre as agendas dos gestores estaduais e o governo federal para resolução de um problema que afeta a todos, independentemente de ideologias. Dino frisa que o seu foco, assim como de outros governadores, é o coronavírus, a crise de saúde e a amenização dos efeitos sociais. Precisamos urgentemente evitar um descontrole social e uma instabilidade grave. Assim, reforça em suas falas que as injustiças em destaque são: a instabilidade, o avanço do extremismo, as desigualdades sociais cada vez mais acentuadas em razão da concentração das riquezas nas mãos de poucos, e a perda de vidas humanas.

No marco de prognóstico apresenta-se uma proposta de solução do problema, nele traça-se a fronteira que delimita os outros, o eles, e articula a identidade do nós, daqueles que serão os protagonistas das mudanças almejadas. Nesse sentido, em suas práticas discursivas, Dino aciona todos aqueles que defendem os direitos do povo a formar uma coalização para evitar uma nova ditadura, tal como existiu no passado20, mas também proteger as vidas e a economia. Essa coalização nominada também de frente ampla ou frente do bom senso é, segundo manifesta o governador, suprapartidária, e visa congregar todos aqueles que possuem ideais diversos aos dos seus antagonistas. Para Dino também não haverá justiça social sem que nós tenhamos a presença do Estado na economia. Não deve ser absoluto, mas planejar, coordenar e garantir justiça ao sistema21.

A partir do prognóstico da dimensão vencedora nota-se o delineamento dos antagonismos a partir da construção de uma identidade que congrega o eles, aqueles com ideias diversas a do porta-voz, representados pelos liberais, ultraliberais, extremistas, e negacionistas, ao passo que seu discurso também produz a identidade nós representada pelo núcleo do bom senso, frente ampla ou a união (do povo brasileiro)22.

Assim, objetivamente, no marco de nominação, Dino expõe que a dimensão vencedora, no que concerne ao coronavírus, está pautada na atuação de uma coalizão que deve seguir a ciência, garantir os direitos econômicos e sociais da população, e combater o extremismo. Em sua perspectiva o Brasil não pode suportar essas anomalias [de Bolsonaro], referindo-se às atitudes e ao conteúdo de suas políticas23, e extrapola a dimensão da pandemia resgatando a ideia de união em torno de uma frente ampla como dimensão vencedora de um projeto de país.

Para reforçar seus argumentos demonstra o que está em jogo lançando mão da pandemia como agenda prioritária a todo o Brasil, e a partir desse acontecimento elabora um tipo ideal de líder nacional no qual o atual presidente não se enquadra:  um líder nacional une, Bolsonaro divide. Um líder nacional procura cuidar da gestão pública, da gestão administrativa, Bolsonaro se preocupa exclusivamente com o poder e eleições futuras. Um líder nacional procura colocar na frente o interesse de todos e não o interesse de pequenos grupos ou da sua própria família, como infelizmente Bolsonaro vem fazendo. Além desses pontos o porta-voz destaca que não houve senso de humanidade, de patriotismo, e de respeito às famílias brasileiras, pois mesmo diante da pandemia, das perdas, da angustia das famílias, da situação vivenciada pelos profissionais de saúde, das carências do sistema hospitalar, o líder criou confusão política24.

No marco de motivação observa-se que através da moralização da fronteira Flávio Dino aciona a falta de ponderação, sensatez e inabilidade de diálogo do seu antagonista para governar ou mesmo gerir a crise causada pela covid-19. Baseado na caracterização que fez de seu antagonista: promotor de tumultos institucionais, avesso ao diálogo, propõe a união de todos os brasileiros em torno da frente ampla: em defesa da vida, da liberdade, da democracia, dos direitos dos menos favorecidos, entre outros.

Para legitimar esse argumento registrou que até mesmo durante o regime militar um conjunto de governadores que faziam oposição ao Governo Federal, inclusive, fazendo campanha pelas “Diretas Já”, se reuniam normalmente com um presidente general de direita eleito indiretamente25. Essa referência histórica é utilizada para marcar a necessidade de pôr o Brasil, o povo e a Constituição, realmente acima de tudo, inclusive, das ideologias.

As identidades (LACLAU & MOUFFE, 1996) produzidas a partir do traçado de fronteira exposto no discurso são construídas em oposição. O nós destaca-se a partir da demarcação de um eles. Além disso, ressaltamos que o mesmo sujeito social pode ter identidades diversas, as quais aciona de acordo com o contexto em que está inserido.

 

 

Na elaboração de seu discurso Flávio Dino aglutina diversas identidades que constituem o eles tais como: facção perigosa; facção de extrema direita, violenta, e com base social; legião de desvairados; semeadores de teses autoritárias; cavaleiros do apocalipse; ideologia do ódio; extremistas; individualistas; liberais/ultraliberais; negacionismo irresponsável; sabotagem; isolamento vertical; visão do caos; arautos do pessimismo e do fracasso.

O elemento articulador, ponto nodal, das diferentes demandas daqueles que se aglutinam sob o eles, seria a ideologia do ódio, que apresenta como característica o extremismo.

Algumas dessas identidades articuladas, por exemplo, aqueles sob as nominações facção perigosa, facção de extrema direita violenta, legião de desvairados, semeadores de teses autoritárias, e cavaleiros do apocalipse, atuam sob influência do que Dino chama de ideologia do ódio. Um exemplo do que nomina como facção são os robôs que o atacam diariamente na internet, independentemente do conteúdo publicado. Essa mesma ideologia do ódio estaria entranhada nas teses que sustentam as injustiças sociais.

Nesse sentido o individualismo seria fruto da ideologia do ódio, que no caso da pandemia do novo coronavírus se relaciona ao negacionismo irresponsável, reflexo da negligência com as vidas humanas e da falta de solidariedade ao próximo. O compartilhamento de devaneios, como a defesa de um isolamento vertical no auge da pandemia, o culto à cloroquina, e a crença na existência da oposição saúde/manutenção das vidas humanas versus economia, seria fruto também do individualismo. Aqueles a quem nomina de extremistas são indivíduos também influenciados pela ideologia do ódio, atentam contra à democracia e as medidas de contenção da pandemia indicadas pela OMS, o Ministério da Saúde, e demais especialistas. São os semeadores do caos, os cavaleiros do apocalipse. Sob a identidade arautos do pessimismo e do fracasso aglutina aqueles que desacreditam a força e eficácia da frente ampla.

Assim, os conteúdos morais negativos atribuídos ao eles podem ser traduzidos pela insensibilidade às vidas humanas e o desrespeito ao Estado Democrático de Direito. Entre os principais problemas estão à falta de ponderação, sensatez, e capacidade de diálogo para resolver a crise estabelecida. O ponto nodal que articula o eles é a ideologia do ódio. Dispomos abaixo um diagrama com as cadeias de equivalências.

 

 

Na elaboração de seu discurso Flávio Dino aglutina diversas identidades que constituem o nós em oposição ao eles. Sob a ideologia da solidariedade ele articula a união entre os brasileiros. Uma união verdadeira baseada na noção de destino comum. Essa união, concretamente, é a coalizão, a frente ampla, também chamada de frente do bom senso, ou núcleo do bom senso. São convidados a compor essa coalizão todos aqueles que possuem bom senso, responsabilidade, senso de humanidade, defensores da normalidade democrática no Brasil, e do direito dos mais pobres. O núcleo do bom senso articula Judiciário, Ministério Público, Congresso, governadores, prefeitos ex-ministros; profissionais que trabalham sob a chancela da ciência e dos dados técnicos, entre outros.

Fazem parte do nós as ações convergentes, eficientes nas medidas de prevenção e contenção da pandemia, como o isolamento horizontal. No Brasil, constituem o nós, além do Estado democrático de direito, a ideia de Estado mediador na economia, com vistas a corrigir as injustiças intrínsecas as suas próprias leis26.

Dino reforça que o núcleo do bom senso, ou frente ampla, aglutina ideais que não ficam circunscritas à esquerda brasileira e cita como exemplo de sucesso dessa mobilização a implementação da auxílio emergencial, aprovada contando com o apoio de setores diversos da política e de economistas. Essa frente deve ser de resistência aos desvarios bolsonaristas, mas também de construção de alternativas em favor do Brasil. O ponto nodal que articula o nós é a ideologia da solidariedade, que tem como reflexo a união representando os valores e demandas inerentes aos componentes desse núcleo.

Nas práticas discursivas de Flávio Dino permanece – ainda que em menor intensidade – o antagonismo advindo da contenda eleitoral, mas reatualizado, agora sob o risco da hegemonia da extrema direita, polarizada entre o presidente e seus aliados, apoiadores, o eles, em oposição à esquerda, e aos setores liberais unidos numa frente pela democracia, o nós. Abaixo dispomos a cadeia de equivalências do nós.

 

 

O discurso do porta-voz é apoiado em um tom mais técnico e intelectual ao argumentar sobre possíveis procedimentos jurídicos e administrativos que resolveriam questões relacionadas à crise política que assola o país. No entanto, adota um tom mais emocional, de caráter humanitário, ao tratar das desigualdades sociais e econômicas, da pandemia do novo coronavírus, da situação das vítimas e suas famílias. Observa-se a frequência em suas falas de mensagens de fé católica, esperança e solidariedade, sobretudo no momento em que o presidente é bastante criticado por sua postura frente ao coronavírus. Nesse sentido, as práticas discursivas proferidas ao público em geral, munido de um conteúdo mais emocional, de apelo aos sentimentos, ao caráter simbólico dos rituais, pode sim atrair possíveis aderentes27.

O porta-voz comumente se apresenta à mídia para compartilhar os seus posicionamentos. O posicionamento público se dá por meio das redes sociais (facebook, twitter e instagram). Empreender uma análise da recepção de seu discurso a partir, por exemplo, dos comentários nas redes, é limitante. O governador é atacado diariamente por haters, a quem ele mesmo nomina como milícia digital, possivelmente composta por robôs.

 

A ideologia da solidariedade versus à ideologia do ódio na disputa pela hegemonia

Os maiores opositores de Dino são Bolsonaro e os seus apoiadores. No entanto, em abril, ao cumprir uma agenda enquanto vice-presidente, Mourão reuniu-se com governadores, entre eles Dino, para tratar das medidas de combate ao coronavírus nos Estados da região amazônica. Como repercussão desse encontro cortês com o vice-presidente, Dino sofreu ataques sob a designação de opositor socialista, e na ocasião pontuou que se Bolsonaro entregar o governo para ele [Mourão], o Brasil chegará em 2022 em melhores condições28.

Criticado por creditar ao presidente óbitos em razão da Covid-19, em abril29, tem sido alvo também de fake news. Recentemente, durante a pandemia, por meio do compartilhamento de uma imagem de 2018, foi acusado de causar aglomeração durante o velório do pai, cujo falecimento ocorreu em agosto. Sobre o episódio Dino questionou, via twitter: Que tipo de “gente” é capaz de agredir uma família em luto? Que tipo de “gente” é capaz de usar uma foto de um velório de como sendo o do meu pai para me agredir? Já vi muitos tipos de criminosos. Mas ainda me impressiono com o que estão transformando a política no Brasil (twitter, agosto de 2020). Dino é filho de Sálvio Dino, advogado que fora cassado e perdeu os direitos políticos em 1964. Sálvio Dino faleceu em 24 de agosto, aos 88 anos.

As críticas se estenderam ao longo da pandemia por suas ações com vista a contenção do novo vírus, e das medidas propostas para mitigar os impactos na economia. Além disso, fora criticado por suas tentativas de união em torno da frente ampla. Como argumentou o próprio Dino, há segmentos da esquerda brasileira, da luta social, do movimento social, que desdenham da ideia de uma frente ampla, porque traz à baila problemas pretéritos de seus possíveis aderentes. No entanto, é preciso ter em mente que a ideia da união se pretende apartidária. É o momento de união daqueles que defendem a Constituição, a democracia e a liberdade política, pois vivemos um momento político e social de intolerância aguda à opiniões contrarias ou a contestação.

Junto ao jornal “O Estado”, a Escutec, a partir de uma pesquisa realizada em junho, apontou que o governo de Dino era aprovado por 57% da população naquele momento, enquanto 35% desaprovavam e 8% não se manifestaram. A mesma pesquisa revelou que 59% da população aprovava as medidas de combate ao coronavírus adotadas no estado, enquanto 23% disseram não aprovar, 16% não manifestaram opinião contra ou a favor, e 2% não se posicionaram. No que concerne a flexibilização das medidas empreendidas 27% da população não era a favor da flexibilização, ao posso que 70% eram favorável a reabertura do comércio e 3% não souberam ou não quiseram se manifestar30.

Em nova pesquisa de opinião, em julho, em parceria entre a TV Difusora e o Instituto Exata, constatou-se que Flávio Dino obtinha 67% de aprovação, 29% de reprovação, e 4% da população não se manifestou contra ou a favor. A pesquisa revelou que 55% acreditavam que Dino empreendeu medidas mais eficazes no controle da propagação do novo vírus31.

Ao que tudo indica, para Dino, há uma disputa também pelo movimento de crítica ao bolsonarismo e o vencedor sairá vitorioso no pleito de 2022. O desafio que se põe é garantir que o desencanto, a desilusão, a revolta, a indignação contra o Bolsonaro se traduza no fortalecimento de alternativas progressistas.

 

Considerações Finais

O porta-voz procura demonstrar respeito e consideração às familias das pessoas que morreram no Brasil em decorrencia do coronavírus, e a preocupação com problemas preteritos que se agravaram e aqueles que surgiram, como desmatamentos e queimadas, pois ameaçam o meio ambiente, e isolam o Brasil expondo a economia a sanções. Entre as características mais marcantes do discurso do porta-voz está a ideia de união ampla dos brasileiros a partir dos ideais que sustentam a ideologia da solidariedade.

Dino acena ao campo progressita para projetarem-se enquanto alternativa sólida e viavel às necessidades dos brasileiros posto que avalia ser insustentável a popularidade de Bolsonaro em razão das muitas contradições acumuladas e expressas em seus atos e falas: não há equipe economica; não há agenda. Assim, previu um segundo semestre árduo ao Brasil em razão da economia e pontuou a união como parte da solução

Embora não alimente ilusões quanto a essa união em torno do pleito de 2022, acredita que ela é necessária e se consideradas três pautas centrais – defender o estado democrático de direito; manter o combate ao coronavirus; solucionar a crise econômica (gerar empregos) – pode haver uma redução das tensões entre a oposição. Isso facilitará a construção de um discurso comum para 2020, evitando-se que ocorra situação semelhante a 2018, na eleição de Bolsonaro: Há menos divergências quanto ao futuro do que em relação ao passado. Então, no campo da esquerda, quando você vê críticas pontuais, nota-se uma coisa curiosa: o debate nunca é focado no futuro, ou seja, o que é necessário para a recuperação do país e o bem-estar da população32.

Dino chama atenção ao avanço do negacionismo, do extremismo, da ideologia do ódio e toda a sua carga negativa. Oferece alternativas, mas também adianta ao Tribunal da História questionamentos que aqueles que priorizaram as vidas humanas associadas a manutenção da economia, já sabem as respostas: Quem disse que poucos morreriam? Quem gerou aglomerações em passeios irresponsáveis? Quem sabotou o uso de máscaras? Quem debochou das mortes, alegando não ser coveiro? Quem divulgou remédios “milagrosos”, sem ser médico? (twitter, agosto de 2020).

 

Annagesse de Carvalho Feitosa, Jorge O. Romano, Thais Ponciano Bittencourt, Liza Uema, Paulo Augusto André Balthazar, Eduardo Britto Santos, Daniel Macedo Lopes Vasques Monteiro, Daniel S.S. Borges, Juanita Cuellar Benavídez, Renan Alfenas de Mattos, Ricardo Dias, Ana Carolina Aguiar Simões Castilho, Caroline Boletta de Oliveira Aguiar, Érika Toth Souza, Juana dos Santos Pereira, Larissa Rodrigues Ferreira, Myriam Martinez dos Santos, Pamella Silvestre de Assumpção e Vanessa Barroso Barreto são pesquisadoras e pesquisadores do grupo de pesquisa “Discurso, Redes Sociais e Identidades Sócio-Políticas (DISCURSO)” vinculado ao Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento Agricultura e Sociedade e ao Curso de Relações Internacionais do DDAS/ICHS da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, registrado no CNPq e com apoio de ActionAid Brasil

  

Referências

1 LACLAU, Ernesto & MOUFFE, Chantal. Hegemony and socialist strategy: towards a radical democratic politics. London: Verso. 1985. LACLAU, Ernesto & MOUFFE, Chantal. Emancipación y diferencia. Buenos Aires: Ariel. 1996.

2 GALVÁN, Íñigo Errejón. La lucha por la hegemonía durante el primer gobierno del MAS en Bolivia (2006-2009): un análisis discursivo. Tesis de doctorado. Universidade Complutenese. Madrid, 2012.

3 Sitio eletrônico do Governo Estadual do Maranhão. Disponível em: https://www3.ma.gov.br/governo/. Acessado em: 27.09.2020.

4 Metodologicamente, ao longo do texto, colocamos em itálico palavras ou significados tanto expressos nas práticas discursivas dos atores como aquelas que achamos adequadas, em termos de significado, pelo trabalho analítico e que gostaríamos de destacar.

5 Flávio Dino fala sobre os desafios da conjuntura atual. 21 de julho de 2020. Entrevista concedida ao Inácio Carvalho. Portal Vermelho. Disponível em: https://www.facebook.com/pcdob65/videos/vb.203326359677581/3335702956473408/?type=2&theater. Acessado em: 14.09.2020.

6 Governador Flávio Dino decreta situação de calamidade pública. 20 de março de 2020. Entrevista concedida ao Sidnei Pereira. Estúdios da TV Mirante. Disponível em: https://globoplay.globo.com/v/8416221/. Acessado em: 14.09.2020.

7 Crise política e a pandemia do coronavírus. 27 de abril de 2020. Entrevista concedida ao Rodrigo Martins. Carta Capital. Disponível em: https://youtu.be/2cUhvnOnXKI. Acessado em: 14.09.2020.

8 Governador Flávio Dino decreta situação de calamidade pública. 20 de março de 2020. Entrevista concedida ao Sidnei Pereira. Estúdios da TV Mirante. Disponível em: https://globoplay.globo.com/v/8416221/. Acessado em: 14.09.2020.

9 The Guardian. 31.05.2020. Brazil’s left and right unite to launch pro-democracy manifesto. Disponível em: https://www.theguardian.com/world/2020/may/31/brazils-left-and-right-unite-to-back-pro-democracy-manifesto-bolsonaro. Acessado em: 27.09.2020.

10 The Guardian. 31.05.2020. Brazil’s left and right unite to launch pro-democracy manifesto. Disponível em: https://www.theguardian.com/world/2020/may/31/brazils-left-and-right-unite-to-back-pro-democracy-manifesto-bolsonaro. Acessado em: 27.09.2020.

11 Governador do Maranhão Flávio Dino conversa com Carina Vitral. 8 de maio de 2020. Entrevista concedida à Carina Vitral. Mídia NINJA. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=FkiC9oA2STA&feature=youtu.be. Acessado em: 14.09.2020.

12 Governador do Maranhão Flávio Dino conversa com Carina Vitral. 8 de maio de 2020. Entrevista concedida à Carina Vitral. Mídia NINJA. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=FkiC9oA2STA&feature=youtu.be. Acessado em: 14.09.2020.

13 Governador do Maranhão Flávio Dino conversa com Carina Vitral. 8 de maio de 2020. Entrevista concedida à Carina Vitral. Mídia NINJA. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=FkiC9oA2STA&feature=youtu.be. Acessado em: 14.09.2020.

14 The Guardian. 31.05.2020. Brazil’s left and right unite to launch pro-democracy manifesto. Disponível em: https://www.theguardian.com/world/2020/may/31/brazils-left-and-right-unite-to-back-pro-democracy-manifesto-bolsonaro. Acessado em: 27.09.2020.

15 El País. Flávio Dino: “Bolsonaro não dirige nem o Governo dele. Quer demitir Guedes, Moro e Mandetta e não pode”. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2020-04-07/flavio-dino-bolsonaro-nao-dirige-nem-o-governo-dele-quer-demitir-guedes-moro-e-mandetta-e-nao-pode.html. Acessado em: 27.09.2020.

16 Flávio Dino fala sobre os desafios da conjuntura atual. 21 de julho de 2020. Entrevista concedida ao Inácio Carvalho. Portal Vermelho. Disponível em: https://www.facebook.com/pcdob65/videos/vb.203326359677581/3335702956473408/?type=2&theater. Acessado em: 14.09.2020.

17 Governador do Maranhão Flávio Dino conversa com Carina Vitral. 8 de maio de 2020. Entrevista concedida à Carina Vitral. Mídia NINJA. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=FkiC9oA2STA&feature=youtu.be. Acessado em: 14.09.2020.

18 Governador do Maranhão Flávio Dino conversa com Carina Vitral. 8 de maio de 2020. Entrevista concedida à Carina Vitral. Mídia NINJA. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=FkiC9oA2STA&feature=youtu.be. Acessado em: 14.09.2020.

19 The Guardian. 31.05.2020. Brazil’s left and right unite to launch pro-democracy manifesto. Disponível em: https://www.theguardian.com/world/2020/may/31/brazils-left-and-right-unite-to-back-pro-democracy-manifesto-bolsonaro. Acessado em: 27.09.2020.

20 The Guardian. 31.05.2020. Brazil’s left and right unite to launch pro-democracy manifesto. Disponível em: https://www.theguardian.com/world/2020/may/31/brazils-left-and-right-unite-to-back-pro-democracy-manifesto-bolsonaro. Acessado em: 27.09.2020.

21 Governador do Maranhão Flávio Dino conversa com Carina Vitral. 8 de maio de 2020. Entrevista concedida à Carina Vitral. Mídia NINJA. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=FkiC9oA2STA&feature=youtu.be. Acessado em: 14.09.2020.

22 The Guardian. 31.05.2020. Brazil’s left and right unite to launch pro-democracy manifesto. Disponível em: https://www.theguardian.com/world/2020/may/31/brazils-left-and-right-unite-to-back-pro-democracy-manifesto-bolsonaro. Acessado em: 27.09.2020.

23 Coronavírus e bolsonarismo são doenças que desafiam o país, diz Flávio Dino. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/colunas/leonardo-sakamoto/2020/03/30/coronavirus-e-bolsonarismo-sao-doencas-que-desafiam-o-pais-diz-flavio-dino.htm?cmpid=copiaecola&cmpid=copiaecola.

24 Crise política e a pandemia do coronavírus. 27 de abril de 2020. Entrevista concedida ao Rodrigo Martins. Carta Capital. Disponível em: https://youtu.be/2cUhvnOnXKI. Acessado em: 14.09.2020.

25 El País. Flávio Dino: “Bolsonaro não dirige nem o Governo dele. Quer demitir Guedes, Moro e Mandetta e não pode”. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2020-04-07/flavio-dino-bolsonaro-nao-dirige-nem-o-governo-dele-quer-demitir-guedes-moro-e-mandetta-e-nao-pode.html. Acessado em: 27.09.2020.

26 Governador do Maranhão Flávio Dino conversa com Carina Vitral. 8 de maio de 2020. Entrevista concedida à Carina Vitral. Mídia NINJA. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=FkiC9oA2STA&feature=youtu.be. Acessado em: 14.09.2020.

27 Governador Flávio Dino decreta situação de calamidade pública. 20 de março de 2020. Entrevista concedida ao Sidnei Pereira. Estúdios da TV Mirante. Disponível em: https://globoplay.globo.com/v/8416221/. Acessado em: 14.09.2020.

28 Valor Econômico. Após crítica, Dino pergunta se filho do presidente quer extinguir o MA. Disponível em: https://valor.globo.com/politica/noticia/2020/04/04/apos-critica-dino-pergunta-se-filho-do-presidente-quer-extinguir-o-ma.ghtml. Acessado em: 27.09.2020.

29 Governador Flávio Dino decreta situação de calamidade pública. 20 de março de 2020. Entrevista concedida ao Sidnei Pereira. Estúdios da TV Mirante. Disponível em: https://globoplay.globo.com/v/8416221/. Acessado em: 14.09.2020.

30 G1 Maranhão. 70% dos maranhenses são a favor da reabertura do comércio, diz pesquisa. Disponível em: https://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2020/06/13/70percent-dos-maranhenses-sao-a-favor-da-reabertura-do-comercio-diz-pesquisa.ghtml. Acessado em: 27.09.2020.

31 PC do B-Partido Comunista do Brasil. Pesquisa aponta que 67% aprovam governo Flávio Dino no Maranhão. Disponível em: https://pcdob.org.br/noticias/pesquisa-aponta-que-67-aprovam-governo-flavio-dino-no-maranhao/. Acessado em: 27.09.2020.

32 Correio Braziliense. Governador Flávio Dino se torna um dos principais concorrentes de Bolsonaro. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2020/07/06/interna_politica,869669/governador-flavio-dino-se-torna-um-dos-principais-concorrentes-de-bols.shtml. Acessado em: 27/09/2020.

 

 



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