Fósforo branco sobre Falluja - Le Monde Diplomatique

TERROR SEM FIM

Fósforo branco sobre Falluja

por Maria Wimmer
1 de janeiro de 2006
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A revista do exército dos EUA descreve o produto químico como “arma psicológica” para desalojar insurgentes dos seus esconderijos, uma tática chamada “shake’n bake” (“agitar e assar”)Maria Wimmer

O governo de George W. Bush finalmente reconheceu os fatos [1]: armas químicas foram utilizadas no Iraque em 8 de novembro de 2004, no assalto à cidade de Falluja, considerada pelas tropas americanas como um “bastião” da insurgência sunita. Trata-se do fósforo branco (em inglês, white phosphor ou WP), que os militares chamam também “Willy Pete” e que já foi utilizado durante a guerra do Vietnã. Essa substância explode ao contato com o ar e pode provocar queimaduras extremamente graves.

Numa entrevista à BBC [2] o coronel do exército norte-americano Barry Venable admitiu que o fósforo branco foi utilizado “como uma arma incendiária contra os combatentes inimigos”. Mas, de acordo com ele, a utilização deste tipo de bomba visa essencialmente iluminar as bases militares e não é proibida pelos acordos internacionais. Na verdade, o protocolo III da Convenção sobre a Proibição ou a Limitação do Emprego de Certas Armas Clássicas (CCWC) [3], em vigor desde 1983, proíbe as armas incendiárias contra civis e mesmo contra bases militares situadas “no interior de uma concentração de civis”, como era o caso de Falluja. Certamente, o protocolo não foi ratificado pelo Senado americano [4]. A utilização dessas armas não é menos criminosa.

De resto, a revista do exército estadunidense publicou, em abril de 2005, um artigo intitulado “o combate por Falluja [5]”, no qual o fósforo branco é descrito como uma “arma psicológica” para desalojar insurgentes dos seus esconderijos, uma tática chamada “shake’ n bake” (“agitar e assar”).

No aniversário do assalto à cidade, a rede de TV italiana RAI mostrou, no documentário “O Massacre Oculto de Falluja [6]”, corpos queimados de mulheres e de crianças. O embaixador americano [7] em Roma desmentiu. Organizações como o Grupo de Investigação e de Informação sobre a Paz e a Segurança (Grip) [8] narram testemunhos idênticos.

(Trad.:



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