Greves pela rede - Le Monde Diplomatique

TRABALHO G

Greves pela rede

por Martine Bulard
1 de dezembro de 2000
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Nos Estados Unidos, as ciber-lutas já se popularizaram: a maioria das grandes empresas norte-americanas deve enfrentar a revolta de assalariados pouco habituados à luta sindical. Mesmo a Microsoft tem que enfrentar um “sindicato virtual”, Wash TechMartine Bulard

Ocupar o centro de informática de uma empresa ou bloquear um site da Internet inundando-o de mensagens inoportunas tornam-se formas de lutas particularmente eficazes. Quando em 12 de abril de 1999, os assalariados da Elf Exploitation, em Pau, ficaram sabendo que a direção queria demitir metade dos efetivos, paralisaram o coração informático da empresa, organizaram-se como intersindical e criaram seu próprio site, Elf-en-Résistance. A informação circulou, os intercâmbios se espalharam e os 4.000 expatriados participaram da ação. Uma greve pela rede.


Sindicatos entram na luta

Nos Estados Unidos, essas ciber-lutas já se popularizaram, quase sempre por iniciativa de assalariados descontentes. Diante do dilúvio de correspondência eletrônica protestando contra o questionamento do sistema de aposentadoria, a direção da IBM teve que renunciar ao seu projeto. “Esta revolta do pessoal da IBM”, destaca a correspondente do Nouvel Economiste [1] em Nova York, “fez muito barulho no mundo dos negócios e motivou os assalariados de outras empresas norte-americanas.” E a maioria das grandes empresas norte-americanas deve enfrentar a revolta de assalariados pouco habituados à luta sindical. Mesmo a Microsoft tem que enfrentar um “sindicato virtual”, Wash Tech, que teria sido impossível de criar pelos meios habituais, já que os assalariados ficam muito dispersos.

Na França, foram os movimentos sociais que abriram o caminho. Mas os sindicatos começam a se preocupar e a utilizar a tela do computador como um meio de fazer a informação circular. “Isso nos permite alcançar os sindicalizados mais rapidamente”, observa Noël Lechat, secretário-geral da CGT do setor das empresas de estudos. “A Internet tem sido verdadeiramente um instrumento de debate sobre as grandes questões relacionadas à reorganização do tempo de trabalho.” Mas sua utilização na empresa depende da boa vontade dos diretores. Às vezes, como na Cégétel ou na France Télécom, são assinados acordos em que os sindicatos têm direito a uma página na intranet, a rede interna da empresa. É melhor que nada, mas é apenas um painel de informação eletrônica. É impossível intervir em tempo real.


Uma decisão sem precedentes

Contatar os assalariados por correio eletrônico continua sendo, quase sempre, bastante arriscado. Algumas empresas proíbem, outras fecham os olhos… até o momento em que decidem fechar a torneira. Algumas até entram na justiça. “A falta de legislação sobre o assunto é incrível”, protesta Noël Lechat que, em nome do seu sindicato, propõe uma nova lei. Os sindicatos deveriam ter acesso livre à rede interna e às caixas postais e deveriam ter acesso à lista de endereços de todos os assalariados. Na condição, é claro, de limitar suas mensagens, para não submergir os assalariados com correspondência eletrônica. De resto, estes mesmos não aceitariam isso. Quanto ao caráter confidencial das mensagens recebidas e enviadas pelos assalariados, deveria ser garantido e claramente inscrito no código de trabalho. A decisão do tribunal correcional de Paris no dia 2 de novembro de 2000 deveria ser comemorada: pela primeira vez, num julgamento que deveria criar jurisprudência, a justiça afirma que o correio eletrônico no local de trabalho constitui, de fato, “correspondência privada”. [2]

Martine Bulard é redatora-chefe adjunta de Le Monde Diplomatique (França).



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