NA ÁSIA CENTRAL, REGIMES AUTORITÁRIOS INSTRUMENTALIZAM UMA AGÊNCIA INTERNACIONAL

Interpol e a repressão política

Tadjiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão já não hesitam em perseguir no exterior seus cidadãos exilados, inclusive em países europeus. Essa repressão transnacional se apoia, entre outras coisas, na emissão de alertas que apresentam alguns solicitantes de asilo como terroristas ou criminosos. Apesar das reformas anunciadas, as expulsões continuam

A repressão transnacional designa o conjunto de técnicas empregadas por um Estado para perseguir opositores para além de suas fronteiras: assassinatos seletivos, sequestros, violência contra familiares que permaneceram no país. Os regimes autoritários também recorrem a instrumentos jurídicos deturpados, como pedidos de extradição. Segundo o Parlamento Europeu, dez países concentram, sozinhos, 80% dos casos de repressão transnacional: China, Turquia, Tadjiquistão, Rússia, Egito, Camboja, Turcomenistão, Uzbequistão, Irã e Belarus. Entre eles, estão, portanto, três Estados da Ásia Central, que ocupam respectivamente o terceiro, o sétimo e o oitavo lugares no ranking.[1] Nessa região, as liberdades públicas vêm sofrendo, de modo geral, um retrocesso diante da relativa indiferença dos Estados europeus. É o que mostra o caso de Abdullohi Shamsiddin. Em janeiro de 2023, Berlim devolveu à fronteira esse militante ligado ao Partido da Renascença Islâmica do Tadjiquistão (Prit), uma organização de oposição. De volta ao país, ele foi condenado a sete…

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