Manifesto pela soberania, paz e dignidade do povo haitiano
O Haiti exige seu direito à dignidade, à paz e ao pleno exercício de sua soberania.
Para: A Comunidade Internacional, Organizações de Direitos Humanos e os Povos Livres do Mundo.
A República do Haiti atravessa uma crise multidimensional e sistêmica sem precedentes. Esse colapso institucional, exacerbado pelo assassinato do presidente constitucional Jovenel Moïse, em 7 de julho de 2021, não é um evento aleatório; é uma consequência direta de um processo deliberado de desestabilização.
É imperativo que o mundo compreenda que a situação atual representa uma “retaliação histórica”. O sistema internacional parece implacável com a audácia de 1804, quando o Haiti derrotou o exército mais poderoso da época para proclamar sua independência. Não perdoam nossa nação por romper o bloqueio diplomático para se solidarizar com a causa de Simón Bolívar, semeando as sementes da liberdade na América Latina e no Caribe. Hoje, sob uma aplicação anacrônica da Doutrina Monroe, o Haiti está sendo punido por meio do caos induzido, da pilhagem de recursos e da inflação insustentável.
A realidade atual é inaceitável, e o silêncio das organizações internacionais é cúmplice. Os dados documentam uma tragédia humanitária que exige ação imediata:
- Entre março de 2025 e janeiro de 2026, a violência armada ceifou a vida de mais de 5.500 pessoas e deixou 3.650 feridas.
- No início de 2026, 5,7 milhões de cidadãos – mais da metade da população – enfrentavam fome aguda.
- Segundo dados da UNICEF, mais de 1,4 milhão de pessoas foram deslocadas de suas casas; metade delas são crianças cuja infância foi interrompida pelo medo.

A tragédia haitiana é resultado da conivência entre setores do poder legislativo e uma oligarquia que orquestrou o colapso da ordem constitucional. A contratação de mercenários estrangeiros e a legitimação de figuras políticas negativas em mesas de negociação internacionais demonstram uma agenda alheia aos interesses do povo.
Denunciamos a administração de Alix Didier Fils-Aimé como uma continuação das políticas fracassadas sob a tutela da OEA e da CARICOM. Responsabilizamos diretamente a atual administração por entregar território nacional a grupos operacionais externos que agem com total impunidade, violando a soberania, que é, e deve ser, sagrada e inalienável.
Em virtude do direito à autodeterminação, EXIGIMOS:
- O término imediato de todos os contratos de segurança privada que ameaçam a integridade física da população e usurpam as funções do Estado.
- Que o Primeiro-Ministro seja responsabilizado perante a justiça internacional por delegar o uso da força pública a atores não estatais para proteger exclusivamente os interesses de uma elite econômica indolente.
- A reabertura imediata do Aeroporto Internacional “Toussaint Louverture”. Rejeitamos categoricamente qualquer tentativa de usar nosso território como base militar para agressões contra nações irmãs, como o nobre povo cubano.
- Rejeição total do contrato de 25 anos concedido a empresas estrangeiras (ligadas a estruturas do tipo Blackwater) para gestão aduaneira e arrecadação de impostos. Isso constitui uma violação flagrante de nossa Constituição e de nossa independência financeira.
O governo atual demonstra profunda ignorância da história da primeira República Negra livre do mundo. O povo haitiano não permitirá que a impunidade se perpetue sob a proteção de governos que viram as costas para a vontade popular.
O Haiti exige seu direito à dignidade, à paz e ao pleno exercício de sua soberania.
Liberdade e paz para o povo haitiano! SALVE O HAITI – SOVE AYITI
Prof. Jean Edmond Paul, Haiti, maio de 2026.
Artigo traduzido para o castelhano pelo Dr. Carlos Francisco Bauer, professor da Universidade Federal de Integração Latino-Americana.
Jean Edmond Paul é professor e membro do Movimento SOVE AYITI na Venezuela.

