Música e greenwashing
A indústria musical compromete-se a ser verde e virtuosa, o que passa por certa quantidade de inovações, requisitos e subvenções, apoiados por autoridades públicas e grandes transnacionais. Espectadores, artistas, gravadoras e produtores de turnês são empregados para reduzir sua emissão de carbono. Até que ponto?
Enquanto sua inspiração se esgota – a prova disso é seu último álbum, Music of the Spheres –, o grupo britânico Coldplay produz um discurso prolixo sobre as consequências para o meio ambiente da indústria musical, da qual ele é um dos maiores vendedores. Após ter anunciado, em 2019, que renunciaria às turnês gigantescas esperando reduzir suas emissões de carbono, três anos depois o grupo pegou a estrada novamente para uma turnê mundial “o mais sustentável possível”: será plantada uma árvore em cada lugar onde tocarem; a energia vai ser produzida por painéis solares e pelos fãs pedalando bicicletas ou saltando em uma tábua cinética; os efeitos das luzes serão econômicos; os braceletes luminosos serão reutilizáveis, e os confetes, biodegradáveis; o cenário é feito de materiais leves, recicláveis; uma recompensa será paga aos espectadores que tiverem viajado emitindo pouco carbono, de acordo com os dados comunicados pelo aplicativo que terão…

