LIVROS

O boom do esoterismo

Enquanto os anos 1960 e 1970 carregavam, por vezes de forma confusa, um projeto coletivo, seus herdeiros tornaram-se mais apolíticos e individualistas

Nas prateleiras de livros sobre esoterismo da Fnac do Forum des Halles, em Paris, clássicos do século XIX – como as obras de Allan Kardec, pai do espiritismo, e O livro das mesas, de Victor Hugo – dividem espaço com títulos contemporâneos sobre astrologia, xamanismo e vida após a morte. Uma jovem vira-se para seu amigo no corredor: “Espera! Vampirismo! Isso me interessa”. Estudante de Sociologia de 22 anos, Shanice prefere bruxaria e mediunidade. Ela navega entre perfis de “bruxas” no Instagram e as prateleiras da Fnac: “É minha forma de viver como se eu tivesse uma religião”. Até então parte dos domínios da religião e da espiritualidade, a literatura esotérica conquistou autonomia: “São seções com desempenho muito expressivo”, observa o editor católico Bruno Nougayrède, presidente do grupo Elidia – e responsável pela seção religião do Sindicato Nacional da Edição (SNE) de 2014 a 2022. Em 2021, após a pandemia…

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