ESPERANÇAS SÍRIAS, DESOLAÇÃO PALESTINA E ARROGÂNCIA ISRAELENSE

O novo ordenamento regional do Oriente Médio após Gaza e a Síria

Desde o fim da Guerra Fria, o Irã se posicionou como líder de uma coalizão anti-imperialista no Oriente Médio. Porém, o enfraquecimento de Teerã embaralha as cartas da geopolítica regional. O fim da ditadura em Damasco, quinze anos após a Primavera Árabe, reacende a esperança dos povos cujas aspirações à justiça social foram frustradas e que se revoltam diante da repressão em Gaza

O equilíbrio geopolítico do Oriente Médio transformou-se profundamente desde o período pós-colonial. Em meados do século XX, as guerras árabe-israelenses opunham dois campos bem definidos: a coalizão nacionalista árabe e os sionistas apoiados pelo Ocidente. No entanto, a situação se complicou sensivelmente a partir do fim dos anos 1970. De um lado, a República Islâmica do Irã, nascida da revolução, projetava-se para derrubar os regimes sunitas “reacionários”. De outro, o bloco de países árabes começava a rachar – essa ruptura foi consumada com os Acordos de Camp David, que desembocaram, em 1979, no tratado de paz entre Egito e Israel. O fim da Guerra Fria trouxe dois novos abalos estratégicos: a Guerra do Golfo, em 1990-1991, que inaugurou a era da unipolaridade norte-americana; e a assinatura dos Acordos de Oslo, em 1993, promessa de um futuro Estado palestino. Longe de ser apenas uma linha de fratura regional, o conflito árabe-israelense…

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