Os bastidores da vigilância automatizada
O Parlamento francês está analisando um texto que legaliza a vigilância por vídeo automatizada para monitorar multidões durante as Olimpíadas de Paris em 2024. No entanto, esse controle total de populações por programas de computador já existe. Uma pesquisa imersiva em uma empresa que fabrica essas ferramentas detalha como elas realmente funcionam
Souheil Hanoune, diretor técnico da companhia XXII, não teme os paradoxos ao elogiar os méritos de seu software de análise de vídeo: “Eu chamo isto de ‘humanização por meio da automação’, ou de como a inteligência artificial nos permite ganhar tempo pra investir naquilo que nos torna humanos”.1 Seu associado, William Eldin, vê ainda mais longe: “Sua magia é que ela é infinita, e o alcance da imaginação é seu limite”. Com qual “magia” ele se encanta? Com a visão pelo computador: os algoritmos tratam de maneira automática os pixels de imagens vindas de uma câmera, a fim de extrair diversas informações. Esse novo tipo de empresa, que chegou ao mercado da segurança urbana há alguns anos, pretende revolucionar a utilização de câmeras graças à vigilância por vídeo digital. Seu uso tornaria as cidades “mais seguras, mais sustentáveis e mais agradáveis”, promete o slogan: poderia aliviar os transportes públicos, descongestionar…

