Os bastidores sórdidos da aquicultura
Os produtos do mar consumidos na França, dos quais cerca de três quartos são importados, vêm de criações em que os animais são alimentados com farinha de peixe. Em todo o mundo, a produção dessa ração está associada à poluição, à sobrepesca, à insegurança alimentar nas regiões pobres e aos maus-tratos aos trabalhadores. Ocultos ou repassados a terceiros, esses custos sociais raramente aparecem nos balanços dos produtores
Pascal Goumain afirma que as gaiolas de criação de salmão de sua empresa, a Saumon de France, instaladas no mar, na Baía de Cherbourg, seriam um elo essencial do futuro alimentar da França. Entrevistado em março de 2024 pelo The Fish Site, o empresário francês detalhou seus planos de adaptação às mudanças climáticas, destacando que as diretrizes oficiais iam ao encontro de seus interesses: “O Ministério da Agricultura da França estabeleceu a meta de produzir 20 mil toneladas de salmão de criação no país até 2030”. Em outro artigo, publicado no fim de 2025, ele lamentou: “Deveríamos ser um grande país da aquicultura, mas somos medíocres”.[1] Tanto por parte dos empresários como dos poderes públicos, o argumento em favor da aquicultura na França é claríssimo: ela permitiria atender à crescente demanda por produtos do mar sem prejudicar os oceanos. Em 18 de novembro de 2021, Annick Girardin, então ministra do…

