“Os extremos se encontram...” - Le Monde Diplomatique

GÊNESE DE UM LUGAR-COMUM

“Os extremos se encontram…”

por Constantin Brissaud
Abril 2, 2019
Imagem por Laura Erber
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A fórmula está tão banalizada que poderíamos acreditar que ela está firmemente fundada na geometria: tanto num círculo como na política, os extremos se aproximam. Desde a Revolução Francesa, esse pseudoteorema serve como arma de desqualificação em massa, cuja lista de vítimas não para de crescer

Um pequeno jogo muito popular no debate político contemporâneo consiste em identificar um ponto comum entre dois indivíduos ou duas correntes a priori opostos para não dar razão a nenhum deles e condená-los num mesmo movimento. A França Insubmissa e o Rassemblement National (RN, antiga Frente Nacional) criticam ambos os tratados europeus? Essa é a prova de que os extremos se encontram. Ambos apoiam o movimento dos “coletes amarelos”? Outro sinal de uma aliança objetiva. Após a manifestação que ocorreu em sua cidade em 8 de dezembro de 2018, Jean-Luc Moudenc, prefeito de Toulouse, do partido Les Républicains (LR), comentou no Twitter: “Vimos os dois extremos se encontrarem nas barricadas para tentar desestabilizar a República. Condeno essa conivência e a violência que ela organiza. Eles semearam o caos e continuam em algumas ruas. Dize-me com quem andas e te direi quem és…”. Destinada a desqualificar adversários políticos, essa estratégia de assimilar água e fogo tem uma longa história.

Os “extremos” nunca tiveram boa reputação. Sem voltar até a Antiguidade, quando Aristóteles elogiava os benefícios do “meio-termo”, esse “equilíbrio entre dois extremos”, a palavra serviu durante muito tempo para condenar temperamentos ou comportamentos considerados excessivos. No século XIV, o filósofo Nicole Oresme considerou que “a virtude é a média e os vícios são extremos”. Três séculos depois, Blaise Pascal, também ele apóstolo do “meio-termo”, escreveu: “O ânimo extremo é acusado de loucura, assim como a falta dele. Só a mediocridade é boa”. Então, em 1782, foi a vez de o filósofo Louis-Sébastien Mercier afirmar em seu Tableau de Paris [Quadro de Paris] que “os extremos se tocam” porque “os grandes e os canalhas se aproximam em seus modos”.1

Com a Revolução Francesa, esse tema deixou o campo da moralidade para ganhar o da política. Em agosto de 1789, a recém-instaurada Assembleia Nacional deveria decidir sobre o direito de veto real: o rei podia bloquear uma lei decidida pela Assembleia? À esquerda da Câmara, os partidários da República se opunham a ela; à direita, os defensores da monarquia constitucional eram a favor. A essa nova divisão em breve se somaria outra. A partir de 1791, começou-se a evocar “a extremidade da parte esquerda” e “a extremidade da parte direita”, sobretudo para sugerir que essas duas bordas poderiam se juntar. Aqueles que, como Talleyrand, La Fayette ou o abade Sieyès, defendiam a monarquia constitucional rapidamente se apresentaram como a encarnação da moderação, da razão. Como escreveu o historiador Uwe Backes, “a designação ‘extremo’ tornou-se um dos lugares-comuns da crítica antirrevolucionária”.2

Diretor do jornal La Sentinelle e autor de um panfleto intitulado À Maximilien de Robespierre et à ses royalistes [Para Maximiliano de Robespierre e seus monarquistas], Jean-Baptiste Louvet denunciou constantemente a existência de um complô unindo “jacobinos fanáticos” e os partidários da monarquia absoluta. “O democrata Babeuf é apenas um monarquista disfarçado”, fulminou em 12 de maio de 1796, antes de voltar ao tema três dias depois: Babeuf, “é um aristocrata furioso […], um agente dos príncipes do estrangeiro. E notem que eu pensava assim de Marat, de Hébert e de todos os bandidos desse tipo”. Os discursos conspiratórios de Louvet foram amplamente celebrados pela imprensa da época; seus colegas, que, em sua maior parte, colocariam o ardor reformista a serviço de Napoleão, louvavam sua coragem, sua inteligência, sua sagacidade.3 Figura de proa dos defensores da monarquia constitucional, depois de ter apoiado brevemente a Revolução, Madame de Staël também compartilhou suas análises: “Foi dito com frequência, no curso da revolução da França, que os aristocratas e os jacobinos tinham a mesma linguagem, eram também absolutos em suas opiniões e, de acordo com a diversidade das situações, adotavam um sistema de conduta igualmente intolerante”, ela escreveu em 1796. “Essa observação deve ser considerada como uma simples consequência do mesmo princípio. As paixões tornam os homens semelhantes entre si, tal como a febre atira no mesmo estado diferentes temperamentos; e, de todas as paixões, a mais uniforme em seus efeitos é o espírito de partido.”4

 

Em 1913, a crítica dos “excessos antimilitaristas”

Após o golpe do 18 Brumário (9 de novembro de 1799), Napoleão Bonaparte e seus aliados tentaram apagar a própria noção de divisão política. O novo regime se apresentou como o único caminho razoável, e esse discurso seduziu muitos “moderados” da década anterior. Advogado, digno representante da burguesia liberal e conservadora, Antoine Boulay de la Meurthe foi um dos primeiros a aclamar o novo cônsul. Em dezembro de 1799, no Le Spectateur du Nord, jornal dos aristocratas que tinham fugido da França, ele defendeu a ordem contra a Revolução, “o trabalho, a indústria, os talentos, os costumes e quase toda a propriedade” contra “os agitadores e os bandidos”. “A República está entre esses dois extremos”, ele escreveu; “ela está na grande maioria dos cidadãos igualmente excluídos pela facção monárquica e pela facção demagógica.” Essas opiniões fariam que, sob o Império, ele fosse coberto de condecorações e se tornasse ministro da Justiça.

Nos vinte anos que se seguiram à revolução, foram forjados os ingredientes que por mais de dois séculos têm sido o tema da “convergência dos extremos”, utilizado a fim de desacreditar qualquer projeto de transformação social: com suas propostas demagógicas e irrealistas, os “extremistas” de todas as vertentes enfraqueceriam a comunidade política e arrastariam o país para um perigoso declive. Portanto, é necessário esclarecer o povo para guiá-lo rumo ao único caminho razoável, o da moderação.

Assim, como o de Napoleão, a maioria dos regimes que se seguiram à revolução reivindicava o meio-termo, a temperança. Desejoso de reconciliar as burguesias de esquerda e de direita, Luís Filipe expôs, em janeiro de 1831, em uma frase que se tornou famosa, a posição de seu governo: “Procuraremos nos manter em um meio-termo igualmente distante dos excessos do poder popular e dos abusos do poder real”. Martelado pelos propagandistas do rei, que multiplicaram os folhetos – Le Juste-Milieu dévoilé [O meio-termo desvelado] (1832), Le Juste-Milieu en toutes choses et surtout en politique [O meio-termo em todas as coisas e especialmente na política] (1832), Le Triomphe du juste-milieu, ou la Révolution de Juillet et ses véritables conséquences [O triunfo do meio-termo, ou a Revolução de Julho e suas verdadeiras consequências] (1833)…5 –, esse tema foi ferozmente ridicularizado pelos caricaturistas. Uma litografia de Charles Philipon opõe as “armas do povo” (lanças, lanternas, vassouras…) e as do meio-termo: uma contabilidade realizada pela polícia secreta, clisteres…6 Da mesma forma, na gravura Le Juste Milieu ou le c… entre deux selles [O meio-termo ou o c… entre dois selins], um homem cai no chão, entre a cadeira do povo e o trono real.

Após as revoluções de fevereiro e junho de 1848, Luís Napoleão Bonaparte apresentou-se também como o homem da reconciliação, promovendo, segundo o historiador Éric Anceau, “um centrismo destinado a absorver os extremos e destruir as oposições”.7 “Em todos os países, as necessidades e queixas do povo são formuladas em ideias, em princípios, e formam os partidos. Essas associações de indivíduos […] colidem entre si e se destroem mutuamente, até que a verdade nacional, formando-se com base em todas essas verdades parciais, seja erguida, de comum acordo, acima das paixões políticas. Para consolidar essa causa, o poder precisa de um representante que não tenha outros interesses senão os delas [das associações de indivíduos]”, escreveu Bonaparte já em 1841. O bom governante seria, assim, aquele que se eleva acima da batalha e traça o caminho da verdade como um pastor guiando seu rebanho.

A queda do Segundo Império, em 1870, deslocou o centro de gravidade político, mas pouco alterou a substância do discurso. Outrora qualificados como extremistas, os republicanos moderados afirmavam então encarnar o novo círculo da razão, com base no qual se avaliavam os limites do possível. O Partido Radical, sobretudo, criado em 1901, usaria esse argumento de forma implacável contra seus rivais socialistas e depois comunistas. Antes da eclosão da Primeira Guerra Mundial, o Le Radical, principal órgão do partido, não deixou de virar as costas a belicistas e pacifistas. Em 25 de agosto de 1913, um artigo denunciava aqueles que pecavam por “excessos antimilitaristas” e depois apelava às “pessoas honestas”, aos patriotas “que amam seu país com paixão, com decência”. O então ministro das Relações Exteriores, Stephen Pichon, era com certeza um deles, parabenizado pelo jornal por sua abordagem “sempre cautelosa e moderada” da “questão dos Bálcãs”. Essa abordagem não conseguiu evitar o conflito, mas isso pouco importava para os radicais, que continuaram denunciando a convergência dos extremos. Em sua edição de 10 de julho de 1918, o Le Radical fustigou então “os extremos do imperialismo alemão e do imperialismo socialista dos bolcheviques”, que não só “se tocam”, mas “estão prestes a se fundir”…

Essa reaproximação entre a Alemanha e a Rússia soviética experimentaria, de forma um tanto diferente, uma longa prosperidade com a condenação dos “totalitarismos”, uma noção por demais ampla que permite colocar na mesma sacola o comunismo, o fascismo e o nazismo, a fim de defender, diante do vazio, o único modelo econômico e político razoável: a democracia liberal e a economia de mercado. Se aparece na Itália da década de 1920 sob a pena de adversários do Duce, esse conceito ganha de fato ares de nobreza após a Segunda Guerra Mundial, quando as obras de Hannah Arendt procuram definir seus contornos. “Os movimentos totalitários são possíveis onde quer que haja massas que, por uma razão ou outra, tenham descoberto um apetite pela organização política”, ela escreveu em Origens do totalitarismo, em 1951. Como Carl Friedrich e Zbigniew Brzezinski, que seria conselheiro de segurança nacional do presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter, outros pesquisadores tentaram objetivar essa temática, definindo critérios para ela que permitissem identificar um “regime totalitário”: um partido único de massa comandado por um líder carismático, a banalização do terror, a centralização da economia, o domínio do poder sobre os meios de comunicação etc.

Essa linha, que consistia em aproximar Josef Stalin e Adolf Hitler, negligenciando tudo que os separa – a começar pelos milhões de soldados nazistas destruídos pelo Exército Vermelho na Frente Oriental –, alcançou grande sucesso no campo ocidental durante a Guerra Fria. Ela encontrou na França retransmissores particularmente eficazes. O filósofo Raymond Aron integrou os trabalhos de Arendt em seu curso na Sorbonne desde 1957, depois a noção de “totalitarismo” se tornaria um dos temas privilegiados da Commentaire, a revista que ele fundou em 1978: esse termo aparece em nada menos que 381 artigos das 162 edições da revista publicadas entre 1978 e 2018. Criada em 1982 pelo historiador François Furet para reunir intelectuais, jornalistas, líderes políticos e empresários “da direita inteligente à esquerda inteligente”, a Fundação Saint-Simon também definiu como objetivo promover essa grade de leitura. Denunciando “os extremos”, ela defendia um “governo racional”, isto é, “o que o encontro da inteligência com a política pode oferecer de mais feliz”.8 Difundida por personalidades influentes como Pierre Rosanvallon, Jacques Julliard e Pierre Nora, ela criou rapidamente uma rede de apoiadores. Suas notas eram publicadas pelo editor Calmann-Lévy, em uma coleção criada por Raymond Aron, e com muita frequência divulgadas pelo diário Le Monde, cujo presidente do Conselho Fiscal (1994-2008), Alain Minc, era o tesoureiro da fundação.

O espetro restrito das opiniões convenientes

Com todos esses apoios, a teoria da “convergência dos extremos” reforçou sua legitimidade acadêmica. Em 2014-2015, o Instituto de Estudos Políticos de Paris, por exemplo, propôs a seus alunos um curso intitulado “Pensar a política em seus extremos”. Seu objetivo? “Melhor apreender o extremismo da direita e da esquerda”, a fim de “identificar as dimensões comuns aos extremistas”. Na segunda parte do curso, intitulada “Pontos de convergência”, uma sessão se detinha sobre o tema “Conspiração e visão antagônica do mundo”, comparando os textos de Jean-Marie Le Pen e da Luta Operária. Outro se debruçou sobre “a eurofobia e a antiglobalização”, supostamente comuns aos extremos. Esse tipo de ensino se inscreve diretamente na tese cara ao cientista político Pascal Perrineau – mas contestada no mundo acadêmico – do “esquerdo-lepenismo”, segundo a qual os antigos eleitores comunistas, definidos principalmente por sua falta de recursos econômicos e culturais, seriam espontaneamente seduzidos pela simplicidade do discurso frentista e, assim, alimentariam a ascensão da Frente Nacional.

Por vinte anos, a ideia de que os extremos se encontram acabou por se impor como um lugar-comum, acomodado a todos os temperos, da vida política francesa. Se Le Pen passou para o segundo turno da eleição presidencial de 2002, foi por causa dos “pequenos candidatos” de extrema esquerda que precipitaram a derrota do razoável Lionel Jospin, fazendo assim o jogo da extrema direita, da qual eles seriam os aliados objetivos. “O voto a favor dos extremismos também não reflete uma rejeição da complexidade da Europa e do mundo?”, perguntou o jornalista do Libération Jean Quatremer a Pascal Lamy, então comissário europeu para a Concorrência (3 maio 2002). “Os franceses entendem a complexidade de seu próprio sistema?”, retrucou este último, pouco confiante na inteligência de seus compatriotas.

Depois, veio o referendo sobre o Tratado Constitucional Europeu (TCE) de 2005. Um editorial do Le Monde viu na vitória do “não” nada além do triunfo de uma “enorme frente de recusa” composta de votos “dispersos entre extrema direita, extrema esquerda e abstenção”. Recusar o TCE, estimou Martine Aubry, então secretária nacional do Partido Socialista, é não somente exibir seu “populismo” como especialmente correr o risco de alimentar “o que levou a Itália de outrora ao que conhecemos”.9 Forma contemporânea da acusação de convergência dos extremos, o anátema contra os “populismos” é hoje brandido contra todos os fenômenos que ultrapassem o espectro limitado das opções políticas consideradas convenientes: a França Insubmissa, o RN, mas também o movimento dos “coletes amarelos”, o Brexit, Donald Trump e Bernie Sanders, a coalizão governamental italiana…10

Depois de ter repreendido por muito tempo os “esquerdo-lepenistas”, Perrineau qualifica agora de “nacional-populistas” todos aqueles que criticam a União Europeia. De acordo com a análise adotada pela mídia, a cisão entre a direita e a esquerda estaria em condições de dar lugar a uma nova divisão entre apoiadores e opositores da União Europeia, entre “liberais” e “não liberais”, entre os defensores de “empresas abertas” e aqueles que advogam seu “fechamento”. Há quatro anos, Alain Juppé, mentor do atual primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, já anunciava o projeto, nacional, mas também europeu, que se tornaria o do presidente da República: “Poderá ser necessário pensar um dia em cortar as duas extremidades da omelete para que pessoas razoáveis governem juntas e deixem de lado os dois extremos, de direita e de esquerda, que não entenderam nada no mundo”.11

Exceto que, no jogo das reaproximações, também poderíamos encontrar muitos pontos em comum entre os “liberais” Angela Merkel e Emmanuel Macron e os “não liberais” Matteo Salvini e Viktor Orbán: todos celebram a propriedade privada e a “classe média”, sonham reduzir impostos e contribuições sociais, “flexibilizar” a lei trabalhista, controlar os “assistidos” ou ainda regular mais o direito à greve. Mas a ideia de apontar essas semelhanças não é muito comum nos discursos oficiais e na mídia. E não é assunto de um curso na Sciences Po.

 

*Constantin Brissaud é doutorando em Ciência Política na Universidade de Estrasburgo, França.

 

1 Para as fontes precisas dessas citações e uma genealogia do uso desse termo antes da Revolução Francesa, cf. Uwe Backes, “Extrême, extrémité, extrémisme. Une esquisse de l’histoire de ces mots dans la langue politique française” [Extremo, extremidade, extremismo. Um esboço da história dessas palavras na linguagem política francesa], Mots, n.55, Paris, jun. 1998.

2 Uwe Backes, Les Extrêmes politiques. Un historique du terme et du concept de l’Antiquité à nos jours [Extremos políticos. Um histórico do termo e do conceito da Antiguidade até hoje], Cerf, Paris, 2011.

3 Cf. Laura Mason, “Après la conjuration: le Directoire, la presse, et l’affaire des Égaux” [Depois da conspiração: o Diretório, a imprensa e o caso dos Iguais], Annales historiques de la Révolution française, n.354, Paris, out.-dez. 2008.

4 Germaine de Staël, De l’influence des passions sur le bonheur des individus et des nations [Da influência das paixões na felicidade dos indivíduos e das nações], 1796.

5 Cf. Xavier Landrin, “‘Gauche’, ‘droite’, ‘juste-milieu’: la formalisation politique de l’entre-deux sous la monarchie de juillet” [“Esquerda”, “direita”, “meio-termo”: a formalização política do intermediário sob a monarquia de julho], comunicação à conferência “Gauche-droite: usages et enjeux d’un clivage canonique” [Esquerda-direita: usos e questões de uma divisão canônica], Universidade de Paris X-Nanterre, 17 jun. 2008. Disponível em: <www.hal.archives-ouvertes.fr>.

6 Grande seringa de metal usada para realizar enemas.

7 Eric Anceau, Napoléon III, Tallandier, Paris, 2012.

8 “Droite, gauche, centre. L’exception française: fin ou recommencement?” [Direita, esquerda, centro. A exceção francesa: fim ou recomeço?]. Conversa com Jacques Julliard, Le Débat, n.52, Paris, 1988.

9 RTL, 20 mar. 2005. Citado em PLPL, n.24, Paris, abr. 2005.

10 Ler “Tous populistes” [Todos populistas], Manière de Voir, n.164, abr.-maio 2019.

11 Le Point, Paris, 1º jan. 2015.



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