Os paramilitares e o terrorismo de Estado colombiano
Enquanto as negociações com as guerrilhas – Farc e o ELN – continuam em ponto morto, o governo Uribe, com apoio de Washington, recebe de braços abertos os paramilitares ligados a assassinatos de civis e a violação dos direitos humanosHernando Calvo Ospina
Explicitamente apoiado por Washington, o governo colombiano anunciou, no dia 27 de novembro de 2002, o início de conversações com os paramilitares das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). Um cessar-fogo começou a vigorar no dia 1° de dezembro com esta organização ligada ao narcotráfico e fortemente implicada na violação dos direitos humanos, ao passo que as negociações com a oposição armada nunca avançaram. Mas Estado e paramilitares sempre se deram bem na Colômbia.
Para derrotar as organizações de oposição armada que a ele se opõem há mais de 35 anos, o Estado colombiano empregou sempre a mesma estratégia: destruir ou neutralizar a base social que as apóia de modo real, potencial ou presumido. Verdadeiro terrorismo de Estado, a “guerra suja” baseia-se em dois pilares fundamentais: “As operações sigilosas ou clandestinas das forças militares e a criação de grupos paramilitares. Estes são o centro nevrálgico da contra-insurreição comandada pelo Estado e, de modo particular, por suas forças armadas1.”
O discurso do establishment
O alto comando militar envolveu caciques dos partidos Liberal e Conservador, latifundiários e chefes das máfias, no desenvolvimento das estruturas paramilitares
Tanto no interior quanto no exterior do país, alguns meios de comunicação e intelectuais de prestígio assumiram o discurso do establishment
Hernando Calvo Ospina é jornalista.

