Por que a maioria aprova o massacre no Rio de Janeiro?
Quando esse sujeito nomeado como “pobre de direita” diz que as elites intelectuais progressistas defendem bandido, o que está em jogo é mais do que uma opinião política
Pensar na aprovação do massacre do Rio de Janeiro exige olhar para muito além da brutalidade policial em si. É preciso compreender o terreno social e afetivo que sustenta a naturalização dessas mortes e faz que parte significativa da população, muitas vezes a mais afetada pela violência, as veja como necessárias ou até justas. A figura chamada pejorativamente de “pobre de direita” emerge nesse cenário como sintoma de uma história longa, em que moralidade, medo e sobrevivência se entrelaçam. As condições sociais em que os sujeitos vivem geram compreensões específicas sobre sua situação e, em casos de grande vulnerabilidade, a necessidade urgente de encontrar saídas e buscar aliados. A expressão “pobre de direita” tornou-se um rótulo carregado de desprezo e incompreensão. É frequentemente usada por setores das elites intelectuais para ironizar pessoas das classes populares, classes que defendem valores conservadores ou a violência policial e cujo contexto social e existencial…


Análise afiada, nos convoca a irmos para além das aparências e nos movermos para construção de saídas coletivas, que compreendam todas as pessoas em suas nuances afetivo-políticas. Tarefa fundamental, que ainda não estamos sabendo realizá-la! Obrigada pelas reflexões!