Reprimarização, corredores logísticos e dinâmicas da soja
O modelo de inserção internacional do Brasil cria vulnerabilidades e compromete o desenvolvimento. Ele promove desindustrialização, desemprego, acentuação das desigualdades e degradação ambiental. A exportação de commodities altera a distribuição espacial das atividades extrativas, reforça corredores exportadores e expande as fronteiras extrativas
Na virada do século XXI, impulsionada pelo boom das commodities, a economia brasileira passou por um processo de reprimarização (Lamoso, 2020) de sua pauta exportadora, quando os produtos primários passaram a ter mais peso nas exportações do que os industrializados. Esse fenômeno deixa marcas profundas no território, fomentando estruturas logísticas, impulsionando a exploração de recursos naturais e reconfigurando disputas territoriais. Ao chegar à Amazônia, em estados ou regiões tradicionalmente exportadores de matérias-primas e produtos agrícolas, a reprimarização acentua dinâmicas extrativas e amplia as disputas por recursos naturais. Olharemos para o oeste do Pará, na Amazônia Legal, para investigar como a inserção de uma commodity que é alvo de interesses globais, a soja, altera as dinâmicas territoriais. Os resultados da pesquisa1 indicam os ritmos, atores e drivers do avanço da soja no Planalto Santareno. A recente corrida por recursos naturais transforma o território nacional, acentua dinâmicas históricas de exploração de recursos…

