Resenha de ‘Os ratos vão para o céu?’, de Vitor Miranda

Os ratos vão para o céu? consegue trazer o olhar da infância de forma crua e vívida

Sétimo livro do escritor paulista, Os ratos vão para o céu?“, publicado pelo Selo Neomarginais, é uma coletânea de contos que aborda a infância a partir da sagacidade e da crítica social. A obra possui texto de orelha de Aramyz, prefácio de Xico Sá e posfácio de Paula Akkari.

Crédito: Divulgação

Os contos de Miranda se caracterizam pelo uso de minúsculas, mesmo após o ponto final. Isto confere uma característica poética ao livro, além de delimitar, a partir da forma, quem protagoniza/narra o livro: as crianças.

Em Os ratos vão para o céu?, são capturados, nas palavras da posfacista Paula Akkari, “instantes e episódios” da vida dos personagens, muitas vezes narrados em um tom cruel, visto que Miranda, em muitos contos, trabalha temas como a morte, a pobreza e abuso infantil.

Ainda assim, o autor consegue equilibrar o peso dessas histórias com textos mais humorados. Um exemplo é conto que inicia o livro, “A primeira palavra”. A quebra de expectativa de que a criança fale “mamãe” ou “papai” traz boas risadas, além de evocar uma crítica interessante aos nossos tempos.

Os ratos vão para o céu? consegue trazer o olhar da infância de forma crua e vívida. A inocência, os questionamentos, a forma de lidar com o mundo – tudo isso aparece em suas histórias de forma respeitosa e, até mesmo, fiel à vivência infantil.

Assim, nós, os leitores, somos catapultados para um mundo que muitas vezes subestimamos, mas que rende reflexões potentes, abstratas, que nem sempre vemos em histórias de adultos. Vitor Miranda, assim, conjuga a experiência infantil e o pensamento crítico sobre o mundo.

 

 

Laura Redfern Navarro (2000) é poeta, jornalista e pesquisadora.

 

 

 

Leia mais sobre o tema: