Ruralistas intensificam ataques contra povo Guarani Kaiowá

MATO GROSSO DO SUL

Ruralistas intensificam ataques contra povo Guarani Kaiowá

por equipe Le Monde Diplomatique Brasil
4 de fevereiro de 2016
compartilhar
visualização

Envenenamento por agrotóxico, tiros e incêndio, fazendeiros utilizam de técnicas sujas para expulsar indígenas. Conflito pode se intensificar durante este fim de semana

Envenenamento por agrotóxico, tiros e incêndio; fazendeiros utilizam de técnicas sujas para expulsar indígenas. Conflito pode se intensificar durante este fim de semana.

Desde o início do ano, uma nova sucessão de ataques violentos de ruralistas contra acampamentos de retomada dos guarani kaiowá tem ocorrido nos municípios de Caarapó, Juti e Amambai no Mato Grosso do Sul.

Nos dois casos mais agudos dessa ofensiva, as famílias da aldeia Te´’ýijusu têm denunciado o envenenamento frequente por agrotóxicos despejados por um avião de propriedade de um ruralista vizinho. No último dia 31, um ataque à tiros contra a comunidade de Kurusu Ambá, município de Amambai, destruiu o roçado e carbonizou os barracos das famílias que aguardam pela demarcação de suas terras.

Já no dia 2 de fevereiro, servidores da Coordenação Regional da Funai em Ponta Porã e Coordenação Técnica Local de Amambaí estiveram em Kurusu Ambá e testemunharam ruralistas utilizando máquinas agrícolas para revirar o solo e destruir provas dos crimes cometidos com o intuito de atrapalhar um possível trabalho de investigação pericial. A Funai teme que durante o feriado do Carnaval, os ataques se intensifiquem, visto que grandes parte das pessoas que atuam nos serviços de justiça e segurança pública não estão em plantão.

Receosas pelo que pode acontecer nesse período, lideranças indígenas pedem a presença da Polícia Federal e da Força Nacional de Segurança, uma vez que não confiam na atuação das tropas de segurança regionais. Em comunicado, a Aty Guasu (Grande Assembléia do Guarani e Kaiowá) convocou suas lideranças à resistência e ressaltou a necessidade da proteção do governo federal. “A Polícia Federal não compareceu ao tekoha Kurusu Amba. As lideranças guarani kaiowá estão pedindo apoio às várias aldeias para proteger as crianças e idosos massacrados em ataque a tiros pelos pistoleiros. Todas as lideranças e as comunidades do povo guarani e kaiowá (47 mil) estão preocupadas com a ataque à comunidade de Kurusu Amba. Antes de tudo insistimos na presença da Polícia Federal e da Força Nacional na região de ataque a Kurusu Amba”, adverte o comunicado. Em nota, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) classificou a situação como inadmissível. “Há descaso das forças de segurança, que até o momento sequer estiveram no local para garantir a mínima integridade dos indígenas e impedir que novos ataques ocorram”, diz a entidade, acusando as administrações de fazer um “jogo de empurra-empurra entre Polícia Militar, Polícia Federal, Departamento de Operações da Fronteira (DOF) e Força Nacional”, alerta o Cimi.



Artigos Relacionados

embates e resistência

A desigualdade agrária no brasil: o caso do Centro Paulo Freire

Online | Brasil
por Neto Tavares e Sabrina Colares Nogueira
VIDA ALTERNATIVA?

Neorrurais: os imigrantes da utopia

Online | Mundo
por Elaine de Azevedo
MEDIDA AGRAVA RISCOS COLOCADOS PELA PANDEMIA

PL retira pausas térmicas dos trabalhadores de frigoríficos

Online | Brasil
por Sandro Eduardo Sardá, Fernando Mendonça Heck e Roberto Carlos Ruiz
Tributação

Democracia leitora, leitura democrata

Online | Brasil
por Larissa Milanezi
POLÍTICA DE AUSTERIDADE

Mais da agenda econômica do “velho normal” no pós-Covid-19?

Online | Brasil
por Fernando Ferrari Filho e Marco Flávio da Cunha Resende
PARA ALÉM DE ESTEREÓTIPOS E CONSTRUÇÕES FICTÍCIAS

Precisamos entender a África

Online | África
por Gabriel Dantas Romano
GUILHOTINA

Guilhotina #112 — Eric Nepomuceno

UMA VITÓRIA SOBRE O MACHISMO INSTITUCIONAL

Por que o caso de Isa Penna é pedagógico para a política brasileira

Online | Brasil
por Beatriz Della Costa