CHATBOTS, LIGAÇÕES PERIGOSAS

Ser amigável com uma máquina

“Os que estão construindo a inteligência artificial acreditam sinceramente que ela pode matar todos nós até o fim da década”, admitiu, em setembro passado, um funcionário que deixou a Anthropic, uma das empresas mais avançadas do setor. Alerta ou alarmismo? Seja como for, os robôs conversacionais já transformaram profundamente nossa relação com as máquinas e com os outros seres humanos

Em 1966, dez anos após a Conferência de Dartmouth, que marcou o início do programa de pesquisa tecnocientífica dedicado à inteligência artificial (IA), surgiu nos Estados Unidos, nas dependências do célebre Massachusetts Institute of Technology (MIT), o primeiro robô conversacional. Esse programa, desenvolvido por Joseph Weizenbaum, então professor de informática do MIT, permitia simular interações linguísticas.[1] O princípio era simples: um usuário digitava uma frase em uma máquina de escrever conectada a um computador, o programa analisava a frase, gerava uma resposta adequada com base em seu roteiro e enviava a resposta na forma de texto. Seu criador o chamou de Eliza, inspirado no nome de uma das personagens da peça de teatro Pygmalion, Eliza Doolittle, uma florista que aprende uma linguagem aristocrática para se passar por uma duquesa. A aplicação simulava não uma aristocrata, mas um psicoterapeuta em uma paródia de conversa com o paciente. Limitava-se a reformular as…

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