Uma arma geográfica apontada para a disputa hegemônica no moderno sistema-mundo
Como a ação militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã se relaciona com a atual disputa pela hegemonia mundial?

Como a ação militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã se relaciona com a atual disputa pela hegemonia mundial?
O conflito atual não é apenas uma escalada militar ou uma crise regional, mas a expressão da disputa entre um modelo tradicional de poder, baseado na coerção e na superioridade tecnológica, e outro mais difuso, resiliente e descentralizado
Há alguns anos, a inflação voltou ao cenário econômico alimentada por uma sucessão de crises: pandemia, guerra na Ucrânia, fechamento do Estreito de Ormuz. Diante da disparada dos preços, a “ciência econômica” explica que essas altas obedecem às leis do mercado – que nunca erra… Houve um tempo, porém, em que os poderes públicos não hesitavam em utilizar um extintor bastante eficaz
A retomada gradual da circulação no Estreito de Ormuz deve aliviar os países consumidores de hidrocarbonetos, mas deixará uma região marcada por rivalidades. A disputa que opõe Iraque, Irã e Kuwait em torno da delimitação de suas respectivas águas territoriais é ainda mais explosiva porque determina o acesso a reservas de petróleo e gás
Em abril deste ano, uma agência de notícias ligada ao Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica publicou um mapa detalhado dos cabos submarinos de fibra óptica que atravessam o Estreito de Ormuz. Para o Ocidente, a mensagem foi inequívoca: não é só o petróleo que pode ser cortado. Em um conflito no Golfo Pérsico, a infraestrutura digital global pode ser a próxima vítima
O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, em resposta à agressão de Estados Unidos e Israel, produziu uma onda de choque mundial. Vinte anos de transição “verde” não afetaram de modo fundamental a dependência da humanidade do petróleo. Alguns países importadores tentam prevenir desabastecimentos, acumulando reservas. Porém, a hora da crise econômica e das escolhas dolorosas chegou
A guerra expõe o entrelaçamento entre geopolítica e crise climática, mostrando que a transição para fontes renováveis deixou de ser agenda setorial e passou a ser condição mínima para a segurança econômica, energética e ambiental da humanidade
A arma de destruição em massa do Irã não é nem uma frota de motor de popa, nem a informática, muito menos uma bomba nuclear: é o preço do petróleo. E, para usá-la, Teerã não fecharia o Estreito de Ormuz. Se todas as sanções internacionais fossem aplicadas, faltaria cerca de 2 milhões de barris/dia de petróleo no mundoGary Sick