Como a cruzada antigênero de Bolsonaro desfigurou o Estado brasileiro
Não se tratou de um simples desmonte de políticas públicas democráticas

Não se tratou de um simples desmonte de políticas públicas democráticas
Para quem não se deixou levar pela cegueira intelectual e moral do antipetismo, era fácil notar os diversos elementos nazifascistas que sustentavam a campanha bolsonarista, como o nacionalismo exacerbado, a defesa de princípios conservadores, o militarismo, a personalidade autoritária.
A ascensão de Bolsonaro e do bolsonarismo dialoga com as marcas de continuidade com o passado autoritário e com a tradição do anticomunismo. Porém, é importante destacar que não se reduzem à reprodução desse passado, sendo também construções do tempo presente, reações a mudanças políticas que ocorreram após a Constituição de 1988 e durante os governos do PT
Dos resultados nas eleições à capacidade de pautar o debate público, não faltam sinais de consolidação da ultradireita. O diagnóstico ainda deixa, todavia, perguntas no ar. Qual é o papel de Bolsonaro? Há uma coincidência entre bolsonarismo e ultradireita? Para onde vai a parte da coalizão bolsonarista afinada com os discursos e performances da direita tradicional?
A adesão a Trump em 2016 (e também a Bolsonaro em 2018) foi a forma que muitas pessoas encontraram de dizer “não”. A ultradireita soube dirigir esse impulso de ruptura para o seu próprio benefício, impedindo qualquer mudança social significativa