Um olhar feminista para desmascarar tecnosolucionismos ambientais

A MAQUIAGEM VERDE DAS BIG TECH

Um olhar feminista para desmascarar tecnosolucionismos ambientais

por Camila Nobrega e Joana Varon
23 de maio de 2022
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As Big Techs sustentam que inteligência artificial, sensores, satélites, aplicativos, mídia social e muitos dados podem salvar o planeta das mudanças climáticas. Uma cortina de fumaça onde deixam de ser parte do problema para lucrar no papel de salvadoras do futuro

Embora tenha ficado famoso por vender carros elétricos em escala na Tesla,  Elon Musk voa tanto no próprio jatinho que criaram até um bot no twitter, o elonjet, expondo suas emissões de carbono ao voar toda semana. Irritado com essa medida de transparência, Musk chegou a oferecer 50 mil dólares para o jovem de 19 anos que criou a conta desabilitar o bot. Não conseguiu. Agora ocupa chamadas de jornais no mundo todo depois do anúncio da negociação da compra, argumentando exatamente a proteção à liberdade de expressão como uma das principais razões do novo negócio.

E não é só de avião que ele voa, Musk não esconde de ninguém a ambição neocolonialista de conquistar outros planetas – e luas. Meramente ilustrativo ou não, a Terra virando Marte estampa a capa de perfil do bilionário no Twitter. Foi lá que ele anunciou com grande euforia que uma das suas empresas, a SpaceX, entraria no ramo da captura de carbono para transformá-lo em combustível para foguetes. Enquanto isso, a própria Tesla também vende créditos de carbono que permitem que outras empresas continuem emitindo CO2 no mesmo planeta – já que é só esse que ocupamos até agora. Pouco se fala das frequentes polêmicas ambientais em que o bilionário se envolve, como a perda por impactos ambientais de autorização para o serviço de internet por satélite oferecido pela Starlink na França; e de uma batalha recente com ambientalistas na Alemanha, pois sua nova mega fábrica da Tesla, a Gigafactory Berlim-Brandemburgo, anunciada como a mais sustentável do grupo, ameaçava secar as reservas de água da região.

Na sexta-feira (20), seu jatinho pousou em São Paulo para uma reunião que contou com a presença de empresários brasileiros, o presidente Jair Bolsonaro, o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, entre outras figuras do alto escalão da República. De acordo com o ministro das Comunicações, Fabio Faria, o encontro discutiu “conectividade e proteção da Amazônia”. Para visões críticas, o que está em jogo é a venda bastante lucrativa de ferramentas de monitoramento e vigilância da região.

A narrativa contraditória de Musk se estende para várias outras empresas de tecnologia, posicionamentos, sobre os quais começamos a nos debruçar em 2019, vivenciando a COP 25, em Madrid, e o Fórum de Governança da Internet realizado em Berlim. De um lado, as grandes empresas de tecnologia embarcam e amplificam a atmosfera de caos e falta de perspectiva para o planeta, de outro oferecem a solução: elas mesmas. “Mudanças climáticas são a maior ameaça à humanidade neste século, sem contar a inteligência artificial”, disse Musk em uma entrevista à revista Rolling Stones. E, adivinha, ele quer se tornar a solução para ambas.

Na ocasião da COP25 vimos a palavra “floresta” exposta em todos os lugares, em meio a estandes assépticos e plantas podadas de maneira uniforme e posicionadas geometricamente sob uma luz branca de escritório. Eram tentativas de representação de natureza  no galpão principal da 25ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 25), que aconteceu em Madrid em dezembro de 2019, a última presencial antes do início da pandemia da Covid-19. A disposição dos ambientes no enorme galpão que recebia o evento lembrava uma feira de tecnologia; e certamente a tecnologia também estava lá, em diferentes camadas.

Muitas empresas de tecnologia aproveitaram o palco para anunciar como o setor pretende “salvar o planeta.”

Semanas antes, no final de novembro de 2019, também ouvimos representantes de algumas dessas mesmas empresas de tecnologia em outra arena diplomática da ONU: o 14º Fórum de Governança da Internet da ONU (IGF) . Dessa vez realizada em Berlim, trazia como tema “Um mundo. Uma internet. Uma visão.” Mas de quem é essa visão?. Mais uma vez, uma ambição planetária, uma ideia generalizante de como devemos ver o mundo e, novamente, a tecnologia posicionada – ou tentando se posicionar – no centro.

As linguagens e narrativas de governos e empresas começam a se assemelhar nessas duas arenas, incorporando o entendimento das tecnologias como “ferramentas” – às vezes, como as principais ferramentas – para resolver todos os problemas da humanidade, da pobreza à democracia, passando agora também pelas mudanças climáticas. Uma mistura perigosa de “economia verde” e de tecnosolucionismos que, juntos, estão transformando as reivindicações históricas de grupos marginalizados em mais um lucrativo negócio.

Ainda que esses fóruns representem cenários da política internacional, também são marcados pela distância das demandas de movimentos sociais de base, que propõem enfrentar não apenas as mudanças climáticas, mas também tratar de injustiças socioambientais decorrentes do sistema neoliberal em que vivemos hoje, e que incorpora novas formas de relações coloniais. Movimentos que apontam a necessidade de reconhecimento das múltiplas formas de existência, dos usos históricos e da gestão coletiva de territórios[1], como é o caso das práticas de povos indígenas, da agricultura familiar, entre outros. Movimentos que fomentam usos e desenvolvimentos mais autônomos, horizontais e inclusivos das tecnologias da informação e comunicação, visando proteger, ao invés de ameaçar, direitos humanos fundamentais por meio da manutenção de monopólios.

Para revelar as relações de poder não podemos separar a análise de ações das visões críticas em relação aos discursos que visam subordinar nossos corpos e territórios. Silvia Cusicanqui, pensadora de ascendência Aymara, aplicou o conceito de ”gatopardismo” à forma como os governos respondem às necessidades das comunidades Indígenas: “mudar para que tudo continue igual”[2], ela escreveu. O gatopardismo é definido como “a filosofia ou estratégia política de defender mudanças revolucionárias, mas na prática apenas modificar superficialmente as estruturas de poder existentes”. Ao observarmos as estratégias de maquiagem verde ou greenwashing – no termo que se tornou popular em inglês – das grandes empresas de tecnologia, questionamos se elas não podem ser interpretadas como mais expressões de gatopardismo. Como Cusicanqui afirmou também: “Não pode haver um discurso de decolonização, nem uma teoria de decolonização, sem uma prática decolonial”. Ou seja,  não vale apenas ampliar o debate sobre essas questões, sem que se ponha no centro outras perguntas como quem, afinal, tem espaço para falar, criar soluções e apontar riscos dentro do sistema em que vivemos? Quais identidades têm o poder de dizer “não” a algumas das soluções propostas?

 

Economia verde: novos nomes, mesmos objetivos   

Entre 2019 e 2020, sentindo a pressão dos protestos de consumidores e até de funcionários, em meio aos incêndios que ocorreram em São Francisco, sede do Vale do Silício, e também na Amazônia, grandes empresas de tecnologia assumiram uma série de compromissos em relação às mudanças climáticas. Pegaram carona na euforia em torno da economia verde. O Google prometeu que até 2030 iria operar rodando todos seus servidores apenas com energia produzida livre de emissões de carbono. A Apple anunciou que “cada dispositivo vendido pela empresa terá um impacto climático líquido zero” até 2030. Já a Microsoft prometeu ser “carbono negativa em 2030 e até 2050 remover do meio ambiente todo o carbono que a empresa emitiu”. O Facebook, ignorando seu próprio discurso público de redução das emissões de carbono, publicou um hotsite para prometer “emissões líquidas zero de gases de efeito estufa” em toda a cadeia de valor da empresa até 2030 segundo a Calculadora de Carbono para Websites foi pior nesse quesito do que 73% das páginas testadas. Ou seja, não segue nem a própria lógica que propõe.

Além disso, a Amazon – lembrando que se trata da empresa multinacional com sede em Seattle que adotou o nome da maior floresta do mundo – se comprometeu com a emissão líquida zero de carbono em todos os seus negócios até 2040. Ela também anunciou um fundo multibilionário, o Climate Pledge Fund, para investir em startups que desenvolvam “tecnologias sustentáveis e descarbonizantes”. A iniciativa recebeu várias críticas, porque usa o modelo de capital de risco para financiar soluções que, por fim, alimentam o mesmo sistema que está gerando injustiça socioambiental.

O Fundo também foi uma resposta – e uma tentativa de fuga – para um escândalo, depois que a empresa ameaçou demitir um grupo de funcionários que havia comentado “o papel da Amazon na crise climática”. Nesse contexto, o CEO Jeff Bezos declarou: “Nós podemos salvar a Terra. Vai exigir um esforço coletivo de grandes empresas, pequenas empresas, Estados nacionais, organizações globais e indivíduos.”

Mas… quem exatamente faz parte desse  “nós”? Gatopardismo?

O grupo brasileiro de ativistas e pesquisadoras sobre justiça socioambiental, Grupo Carta de Belém, identifica esse tipo de processo como um fenômeno no qual “outros nomes são usados pelo capitalismo para continuar reproduzindo suas formas de acumulação”. Em outras palavras, os nomes mudam, mas a lógica de extração e destruição continua sendo a mesma. O grupo ressalta que a ideia de desenvolvimento e progresso conhecida há décadas como “desenvolvimento sustentável” deu espaço a novos projetos para o futuro, entre eles, a economia verde. No entanto, a “economia verde” está diretamente relacionada à financeirização da natureza e à chamada “gestão verde” de atividades como a exploração madeireira. Essas abordagens mantêm os negócios como de costume, mas parecendo verdes e admiráveis, enquanto escapam à responsabilidade de realmente dar resposta às mudanças estruturais. Agora estamos vendo uma onda de tecnologia verde – e muito provavelmente outros frutos como os “dados verdes” estão a caminho.

tecnosolucionismos
(Ilustração: Clarote para Coding Rights.)

Minerais das Big Tech: conflitos sobre nossos corpos e territórios

Desde 2010, as empresas americanas listadas publicamente têm a obrigação de verificar em suas cadeias de fornecimento a existência de estanho, tungstênio, tântalo e ouro (3TG), os chamados Minerais de Conflito, para divulgar o uso de minerais originários da República Democrática do Congo (RDC) ou de países limítrofes.

Sendo assim, como outras empresas de tecnologia, a Alphabet Inc., empresa controladora do Google, publica anualmente seu “Conflict Minerals Report” (Relatório de Minerais de Conflito). Decidimos buscar o relatório mais recente disponível no momento em que escrevemos este texto, publicado na seção “Relações com Investidores” do site da empresa. Nas conclusões, o relatório afirma:

“Temos razões para acreditar que uma parte do 3TG utilizado em nossos produtos é originária de Países Cobertos. Embora não tenhamos identificado nenhum caso de fornecedor que direta ou indiretamente apoie conflitos nos Países Cobertos, não estamos declarando nossos produtos como livres de conflitos na RDC. Em alguns casos, as informações fornecidas por nossos fornecedores eram inverificáveis ou incompletas e, portanto, não pudemos determinar com exatidão a origem e a cadeia de custódia de todo o 3TG necessário para nossos produtos.”

Embora a avaliação da empresa seja limitada à República Democrática do Congo (RDC) e Países Cobertos (países que fazem fronteira com a RDC), os dados do relatório mostram que os minérios de 3TG empregados na cadeia produtiva do Google provém de diferentes partes do globo, incluindo o Brasil.

Segundo o Atlas de Conflitos Socioterritoriais Pan-Amazônico, entre 2017 e 2018, o Brasil foi território de 995 conflitos socioambientais na região amazônica – o maior número entre os países vizinhos. Desde então, esse número provavelmente aumentou, devido ao desmantelamento das políticas ambientais durante o mandato de Jair Bolsonaro na presidência. O contexto tem sido de ameaças recorrentes, ocupando repetidamente as manchetes internacionais.

Decidimos verificar quais empresas sediadas no país foram listadas no Relatório de Minerais de Conflito do Google. Descobrimos que 13 empresas do mercado de fundição no Brasil são fornecedoras da Alphabet para todos os quatro tipos de minerais listados no relatório. Estas empresas são: AngloGold Ashanti Corrego do Sitio Mineracao, Marsam Metals, Umicore Brasil Ltda., LSM Brasil S.A., Mineração Taboca S.A., Resind Indústria e Comércio Ltda., Estanho de Rondônia S.A., Magnu’s Minerais Metais e Ligas Ltda., Melt Metais e Ligas S.A., Soft Metais Ltda., Super Ligas, White Solder Metalurgia e Mineracao Ltda. e ACL Metais Eireli.

Uma pesquisa preliminar já evidencia conflitos socioambientais nessas áreas. Por exemplo, a fornecedora Mineração Taboca opera a Mina de Pitinga, no município de Presidente Figueiredo (AM). A cidade é uma fonte de tântalo e também um dos maiores depósitos de cassiterita do mundo, a principal fonte do estanho. De acordo com um atlas independente de conflitos sociais e ambientais, organizado pela Universidade Autônoma de Barcelona (Global Atlas of Environmental Justice – EJATLAS), a Mina de Pitinga é “emblemática pela injustiça histórica do Brasil contra a população indígena e pelo descaso sistemático com a poluição ambiental e os riscos associados às barragens de rejeitos”.

De fato, o tântalo é um material chave para a indústria eletrônica, e o Brasil concentra 61% dos depósitos mundiais desse minério. Parte dos minérios extraídos encontram-se no subsolo de florestas, em Terras Indígenas, tal como a Mina de Pitinga, que pode ser vista no Google Earth – uma imagem de quilômetros de devastação no meio da Floresta Amazônica (ver Figuras 1 e 2).

Figura 1: Mina de Pitinga – Fonte: Google Earth

Figura 2: Mina de Pitinga – Fonte: Google Earth

O histórico de desmatamento, ocupação de Terras Indígenas e corrupção envolvendo a Mina de Pitinga foi relatado pela agência de notícias independente e investigativa coordenada por mulheres, Amazônia Real. Mais especificamente, com relação à Mineração Taboca, um relatório do Instituto Socioambiental (ISA) também revela que a empresa realiza mineração nas Terras Indígenas dos Waimiri-Atroari para extrair cassiterita (estanho).

É muito provável que a Mineração Taboca seja apenas um exemplo de uma situação  recorrente.

Quantas novas minas estão sendo abertas na floresta e quantas já são exploradas para fornecer matéria-prima para as Big Tech? E quais outros megaprojetos envolvendo a extração em larga escala de bens comuns estão relacionados com a produção de tecnologia por grandes corporações?

 

Do extrativismo ao colonialismo de dados: a inteligência artificial (não) vai salvar o mundo

Além de tentar transformar as demandas por justiça socioambiental em metas do mercado de carbono, as Big Tech têm sido rápidas para entrar no debate, não apenas promovendo uma nova “economia verde”, mas também sugerindo prontamente a possibilidade de um “novo mundo” ou “nova Terra”. Obviamente, repleta de tecnologia. Em suas narrativas, inteligência artificial (IA), sensores, satélites, aplicativos, mídia social e muitos dados podem sempre nos salvar e salvar o planeta das mudanças climáticas. Uma capacidade impressionante de criar uma ilusão onde deixam de ser parte da causa do problema para se transformar em salvadoras do futuro – um futuro mais vigiado e controlado.

Mas, como disse certa vez a estudiosa e ativista Audre Lorde, que se identifica como feminista lésbica negra: “O que significa utilizar as ferramentas de um patriarcado racista para analisar os efeitos desse próprio patriarcado? Significa que somente os perímetros mais limitados de mudança são possíveis e permitidos.” Tomamos emprestado esse pensamento do ensaio “As ferramentas do senhor nunca vão desmantelar a casa-grande” para adaptá-lo a este cenário. O que significa utilizar os instrumentos de empresas monopolistas extrativistas de dados para resolver os problemas que elas mesmas causaram?

O Google diz que está entrando “na luta contra o desmatamento ilegal com o TensorFlow“, a plataforma de aprendizagem de máquina de código aberto da empresa. A ideia é espalhar sensores de Internet das Coisas (IoT) pela Floresta Amazônica para alimentar com dados sonoros geo localizados um programa de IA que possa reconhecer, por exemplo, sons de motosserras. Por um lado, a empresa extrai minerais que causam desmatamento e ameaçam terras indígenas e formas de vida e, por outro, oferece inteligência artificial para se conectar com o que alguns chamaram curiosamente de a “Internet das Árvores“. O que poderia dar errado?

Não é que não gostemos de dados e ciência de dados, mas é preocupante ver, novamente, a promessa de que o “Big Data” tem a função de salvar o planeta. Mais uma vez, empresas monopolistas que já extraíram muitos recursos de nossos territórios e dados sobre nossas mentes e corpos se apresentam como capazes de preencher a lacuna deixada pelos governos no monitoramento e ação contra o desmatamento e outros fatores que contribuem para as mudanças climáticas. Enquanto isso, utilizam suas mais recentes tecnologias para extrair e concentrar dados geopolíticos valiosos, muitas vezes que nem Estados têm.

O paradigma atual de utilizar dados como ferramenta de concentração de poder e lucro é preocupante. Como Silvia Federici disse certa vez em uma conversa com Silvia Cusicanqui: “Equipamentos digitais alimentam mercados de extração e expropriam terras comuns”. A narrativa de economia verde utilizada pelas Big Tech está abrindo espaço para mais extrativismo de dados e mais negócios impulsionados por dados. É mais gatopardismo. Uma mudança para que nada mude.

Durante décadas, as Big Tech se apresentaram como “defensoras da liberdade na internet” e “salvadoras das democracias”. O resultado: vivemos a era do Capitalismo de Vigilância[3], alimentado por desinformação, ódio, polarização, manipulação de algoritmos e, definitivamente, muito lucro. Agora, a promessa é de que elas vão salvar o planeta inteiro… com dados.

 

Conclusões

Em vez de atacar os problemas causados pelo sistema em que vivemos, multiplicam-se as falsas soluções, conduzidas pela mesma lógica extrativista que causou a maioria desses problemas.

Em vez de cálculos sobre árvores plantadas como forma de compensar os impactos sobre o meio ambiente, ou foguetes que recolhem gás carbônico da atmosfera para justificar mais emissões, ou pensar em fugir pra Marte, queremos outros caminhos. Queremos chegar aonde as cadeias de produção se conectam, identificar os territórios, as relações, os bens comuns e os imaginários que elas afetam. Qual é a dinâmica por trás da produção e do uso da determinada tecnologia? Quais desigualdades são reforçadas? Algumas delas já se revelaram nesta pesquisa, mas ainda há um longo caminho a percorrer.

 

Camila Nobrega é jornalista especialista em Gênero e Justiça Socioambiental. Doutoranda na Divisão de Gênero do Instituto Otto-Suhr de Ciência Política na Universidade Livre de Berlim, fundadora do Beyond the Green e membro do coletivo Intervozes.

beyondthegreen.media

@camila__nobrega

Joana Varon é diretora executiva da Coding Rights. Fellow de Tecnologia e Direitos Humanos do Carr Center for Human Rights Policies da Harvard Kennedy School e afiliada do Berkman Klein Center for Internet and Society da Harvard Law School.

codingrights.org

 

                             

Ilustração: Clarote para Coding Rights. Licença CC BY-NC-ND

Tradução: Ana Facundes

Texto adaptado de artigo originalmente publicado em inglês com o título “Big tech goes green(washing): Feminist lenses to unveil new tools in the master’s houses” no livro “Global Information Society Watch 2020 – Technology, the Environment and a sustainable world: Answers from the Global South”, da Association for Progressive Communications – APC. Disponível em https://giswatch.org/node/6254#_ftn12. O artigo também foi publicado em espanhol e alemão. A versão em português na íntegra pode ser lida nestes links: https://intervozes.org.br/wp-content/uploads/2022/05/BIG-TECH-GOES-GREEN_POR.docx.pdf e https://medium.com/codingrights/a-maquiagem-verde-das-big-tech-um-olhar-feminista-para-desmascarar-tecnosolucionismos-ambientais%C2%B9-c2f825b6ce1e.

                             

Referências

[1] Os movimentos feministas e de mulheres na América Latina – principalmente mulheres indígenas e mulheres que se definem como feministas comunitárias – têm elaborado uma compreensão dos territórios não como sinônimo de terra, mas como uma noção mais complexa que desafia a compreensão acadêmica ocidental. “A relação que temos com o território não é uma relação da terra como matéria, é uma relação ancestral do território como corpo e espírito”, diz Célia Nunes Correa – Célia Xakriabá é seu nome indígena –, em sua dissertação de mestrado de 2015, intitulada “O barro, o genipapo e o giz no feito epistemológico de autoria Xakriabá: reativação da memória por uma educação territorializada.”

Moore, R. (10 de dezembro de 2019). How we power climate insights and action. Google.

https://blog.google/products/earth/powering-climate-insights-and-action

[2]Rivera Cusicanqui, S. (2012). Ch’ixinakax utxiwa: A Reflection on the Practices and Discourses of Decolonization. South Atlantic Quarterly, 111(1), 95-109.

[3]Zuboff, S. (2019). The Age of Surveillance Capitalism: The Fight for a Human Future at the New Frontier of Power. Public Affairs.



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