Uma cartografia do conhecimento insurgente
Estruturada em formato de verbetes, a obra abrange um léxico vital para os debates atuais
Com organização de Fredson Sado Oliveira Carneiro, a coletânea Verbetes Feministas Antirracistas Decoloniais, publicada em 2025, surge como um projeto intelectual e político de fôlego. Fruto de discussões em uma disciplina de pós-graduação da Universidade de São Paulo, a obra tem como escopo “oferecer aos seus leitores um conjunto de novos conceitos feministas, antirracistas e decoloniais, mobilizados pela sociedade civil e delineados teoricamente por alguns autores e autoras centrais ao debate público contemporâneo” (CARNEIRO, 2025, p. 9).

Esse objetivo, aparentemente modesto em sua formulação, revela-se profundamente ambicioso quando compreendido à luz do que representa: um esforço sistemático de documentar e legitimar epistemologias que foram historicamente silenciadas, apagadas ou relegadas às margens do conhecimento considerado válido. Trata-se de um empreendimento que questiona, desde sua concepção, quem tem o direito de produzir teoria e qual conhecimento merece ser catalogado, preservado e disseminado.
O valor da obra reside em sua premissa fundamental, articulada na introdução de Carneiro: a de que conceitos não existem fora das experiências históricas que lhes dão vida. O livro parte da ideia de que a linguagem política é multifacetada, por vezes “vaga, imprecisa ou até mesmo enigmática”, e que essa ambiguidade “exprime as próprias contradições que subjazem a realidade social” (CARNEIRO, 2025, p. 8). Dessa forma, a coletânea se propõe a ser um exercício de tradução e síntese, transformando a vivência da opressão em ferramentas teóricas de análise e luta.
Aqui reside um dos pontos mais sofisticados do projeto: a recusa em tratar a imprecisão conceitual como uma falha a ser corrigida. Ao contrário, a obra abraça essa característica como expressão legítima da complexidade do real. Essa postura epistemológica desafia uma tradição acadêmica que frequentemente privilegia a clareza cartesiana e a universalidade abstrata em detrimento da densidade experiencial. A coletânea nos convida a considerar que, talvez, a precisão excessiva seja ela mesma uma forma de violência epistêmica quando aplicada a realidades que resistem à domesticação conceitual.
Este projeto se posiciona criticamente em relação ao que a introdução denomina “conceitos acadêmicos tradicionais” (CARNEIRO, 2025, p. 8), que historicamente relegaram as “expressões historicamente refletidas por grupos vulnerabilizados” a um lugar de menor importância (CARNEIRO, 2025, p. 8). A obra argumenta que, por muito tempo, as ciências sociais trataram as populações marginalizadas, em especial a mulher negra, como “objeto de estudo, jamais como intelectuais” (CARNEIRO, 2025, p. 8).
Essa crítica não é meramente retórica. Ela desnuda uma estrutura de poder que atravessa toda a história do pensamento ocidental, na qual o sujeito cognoscente é sempre branco, masculino e europeu, enquanto o “outro” é eternamente o objeto a ser conhecido, classificado e explicado. A inversão dessa lógica, proposta pela coletânea, não é apenas uma questão de representatividade ou inclusão, mas uma revolução epistemológica que questiona os próprios fundamentos sobre os quais construímos o que chamamos de conhecimento.
Nesse sentido, o livro representa um esforço para registrar e valorizar o conhecimento produzido a partir da base da pirâmide social. É um ato de dar centralidade àqueles que, por meio de suas lutas cotidianas, forjaram novas formas de compreender e nomear o mundo. Como aponta Rúrion Melo no prefácio, foram as mulheres negras que se tornaram “as principais responsáveis por produzir uma gramática capaz de apreender suas experiências cotidianas de injustiça, seus anseios e expectativas de mudança”, legando à teoria crítica um vocabulário mais robusto para os desafios contemporâneos (MELO, 2025, p. 6).
Esta observação de Melo aponta para algo crucial: não se trata de um favor ou concessão da academia em reconhecer essas contribuições, mas do reconhecimento de que a teoria crítica, para permanecer relevante e potente, precisa dessa gramática. Sem ela, a crítica social torna-se abstrata, desencarnada, incapaz de apreender as formas concretas como o poder opera na vida das pessoas. As mulheres negras não apenas contribuíram para a teoria crítica; elas a salvaram de sua própria esterilidade, oxigenando-a com a concretude da experiência vivida.
Estruturada em formato de verbetes, a obra abrange um léxico vital para os debates atuais, com entradas que vão de “Amefricanidade” e “Autodefinição” a “Racismo Epistêmico” e “Saúde das Mulheres Negras”. Cada verbete serve como uma porta de entrada para um universo conceitual denso, forjado na confluência da militância e da reflexão acadêmica.
O conceito de “Amefricanidade”, desenvolvido por Lélia Gonzalez, é um exemplo emblemático. O verbete explica que o termo busca “abordar a formação histórico-cultural da América Latina (ou Améfrica Ladina, nas palavras de Gonzalez), a partir de um diálogo com a psicanálise […] com a sociologia” (CUNHA, 2025, p. 13). A categoria reafirma a centralidade da diáspora africana na constituição do continente, propondo-se como uma identidade étnica forjada na resistência.
O gesto conceitual de Gonzalez é, simultaneamente, geográfico, histórico e afetivo. Ao cunhar “Améfrica Ladina”, ela não apenas propõe um neologismo, mas redesenha o mapa mental que organizamos para compreender o continente. Trata-se de uma cartografia que recusa as divisões impostas pela colonialidade e insiste na unidade forjada pela experiência compartilhada da diáspora. A interdisciplinaridade mencionada no verbete não é acidental: para capturar a complexidade dessa formação histórico-cultural, Gonzalez precisou mobilizar ferramentas conceituais de múltiplos campos, demonstrando que a experiência da opressão não respeita as fronteiras disciplinares que a academia insiste em manter.
A análise do verbete demonstra como a criação de um novo vocabulário é um ato de agência política. Gonzalez, por exemplo, criticava o uso de termos como “afro-americanos” por remeterem “a ideia de que só existiriam pessoas negras nos Estados Unidos” (CUNHA, 2025, p. 16). A “amefricanidade”, portanto, “reafirma a presença negra na América como um todo ao mesmo tempo que lhe imputa uma conotação positiva de valorização dessa presença” (CUNHA, 2025, p. 16).
Essa operação linguística revela uma compreensão profunda de como a linguagem não apenas descreve, mas constitui a realidade. Ao recusar termos que invisibilizam a presença negra em grande parte do continente, Gonzalez não está apenas corrigindo uma imprecisão semântica, mas combatendo um apagamento histórico e político. O conceito de amefricanidade é, assim, tanto um ato de nomeação quanto de ressignificação, transformando uma presença que foi historicamente marcada pelo estigma em fonte de orgulho e identidade coletiva.
Essa agência se manifesta de forma contundente no conceito de “Pretuguês”, também de Gonzalez, definido como a “marca linguística de um idioma africano” presente no português falado no Brasil (BALANCO, 2025, p. 181). O livro destaca como a autora usava a ironia para expor o preconceito linguístico: “É engraçado como eles gozam a gente quando a gente diz que é Framengo. Chamam a gente de ignorante dizendo que a gente fala errado. E de repente ignoram que a presença desse R no lugar do L nada mais é que a marca linguística de um idioma africano, no qual o L inexiste” (GONZALEZ apud BALANCO, 2025, p. 181).
A genialidade dessa formulação está em sua capacidade de inverter completamente a lógica da hierarquização linguística. Aquilo que é taxado de “erro” por uma perspectiva normativa eurocêntrica é revelado como marca de ancestralidade, como testemunho da resistência cultural africana. Gonzalez não pede desculpas pela diferença; ela a reivindica como patrimônio. O uso da ironia, destacado no verbete, é estratégico: ela desarma o preconceito ao expor sua ignorância, demonstrando que quem ignora a formação histórica da língua são precisamente aqueles que se arrogam o direito de corrigir os outros. Mais uma vez, vemos o conhecimento nascendo da experiência da opressão e se voltando contra ela como instrumento de luta.
Outro conceito fundamental explorado é o de “Autodefinição”, popularizado por Patricia Hill Collins. O verbete o define como o ato de “recuperar elementos próprios para dizer o que se é ao invés de se definir através da caracterização feita pelo grupo dominante” (APARECIDO, 2025, p. 26). Esse processo é apresentado não como um mero exercício intelectual, mas como uma árdua batalha pela humanidade.
A autodefinição emerge, assim, como um gesto de ruptura com uma violência fundante: a de ter a própria identidade definida pelo olhar opressor. É uma recusa radical à hetero-designação, à imposição externa de significados sobre corpos e existências. O verbete nos ajuda a compreender que a autodefinição não é narcisismo ou individualismo, mas autopreservação, um ato de sobrevivência ontológica diante de sistemas que insistem em reduzir pessoas a estereótipos desumanizantes.
A autodefinição é, fundamentalmente, uma forma de luta contra a desumanização imposta por imagens de controle, sendo um movimento para a “transformação do silêncio em linguagem e ação” (LORDE apud APARECIDO, 2025, p. 29). A coletânea ressalta que esse não é um processo solitário, mas coletivo, nutrido em espaços de troca e solidariedade. A fala de Conceição Evaristo, citada ao final do verbete, encapsula essa dimensão coletiva da resistência: “nós só sobrevivemos, porque temos as nossas famílias que nos acompanham […] porque temos a nossa comunidade preta que não nos deixa desistir” (EVARISTO apud APARECIDO, 2025, p. 36).
A referência a Audre Lorde e seu chamado à transformação do silêncio situa a autodefinição em uma tradição de pensamento negro feminista que compreende a fala como ato político. Mas a citação de Evaristo adiciona uma camada crucial: a ênfase na dimensão comunitária. Isso nos permite compreender que a autodefinição, embora seja um processo que passa pelo individual, só se sustenta porque é amparado por redes de afeto e solidariedade. É uma resposta coletiva à violência coletiva. A comunidade negra aparece, aqui, não apenas como cenário, mas como condição de possibilidade da resistência.
A criação do verbete “Dororidade” por Vilma Piedade exemplifica a criação de conceitos a partir de uma lacuna na experiência vivida. A autora questionou a universalidade da “sororidade”, um conceito forjado a partir de um “feminismo branco e hegemônico”, que “não é suficiente porque, na prática, não alcança e abrange todas as experiências de dor, opressão e violência vivenciadas por mulheres negras” (ABLAS, 2025, p. 52). A dororidade nomeia, então, a dor agravada “pelo Racismo” que irmana as mulheres negras (PIEDADE apud ABLAS, 2025, p. 53).
Este é um dos momentos mais potentes da coletânea, pois demonstra como a crítica interna ao feminismo é não apenas possível, mas necessária. Piedade não rejeita a ideia de solidariedade entre mulheres, mas recusa a pretensão universalizante de um feminismo que generaliza a partir da experiência particular de mulheres brancas. A dororidade nomeia algo que a sororidade apaga: a especificidade da dor racializada. É um conceito que nasce do reconhecimento de que nem toda opressão é igual, e que a irmandade feminina só pode ser genuína quando reconhece e nomeia essas diferenças.
O livro ancora essa dor em dados materiais, citando estatísticas que demonstram como as mulheres negras “têm menos acesso ao ensino superior, menores salários, lideram o ranking de desemprego, do trabalho precarizado, sofrem mais violência doméstica e têm menor representatividade política” (ABLAS, 2025, p. 56). A análise conecta o conceito à herança da escravidão e à construção de “imagens de controle” que justificam a violência, como a ideia de que a mulher negra é “forte e muito resistente à dor” (ABLAS, 2025, p. 57).
Essa ancoragem empírica é crucial. Ela impede que o conceito de dororidade permaneça no plano abstrato ou metafórico, demonstrando como essa dor se materializa em indicadores concretos de exclusão e vulnerabilidade. A referência às “imagens de controle” dialoga com o trabalho de Patricia Hill Collins, estabelecendo conexões entre os verbetes e demonstrando como esses conceitos formam uma constelação teórica. O estereótipo da mulher negra como “forte” é revelado em sua dimensão perversa: ele serve para naturalizar a violência, para justificar a sobrecarga, para negar a humanidade plena que inclui a fragilidade e o direito ao cuidado.
Na mesma linha, a “Escrevivência” de Conceição Evaristo é apresentada como a escrita que nasce da vivência da população negra. Mais uma vez, o conceito é definido por seu caráter de intervenção e luta, sendo uma escrita que não serve “para ‘ninar os da casa grande’ e sim para incomodá-los em seus sonos injustos” (EVARISTO apud ALENCAR, 2025, p. 64). É uma escrita que emerge como “um ato de escrita das mulheres negras, como uma ação que pretende borrar, desfazer uma imagem do passado” (ALENCAR, 2025, p. 64).
A potência da escrevivência está em sua recusa ao pacto de conforto que muitas vezes caracteriza a literatura. Evaristo não escreve para entreter ou para permitir que leitores se sintam bem consigo mesmos. Sua escrita é insurgente, desconfortável, exigente. A metáfora da “casa grande” atualiza a estrutura colonial para o presente, sugerindo que os herdeiros do privilégio continuam dormindo seus “sonos injustos” enquanto a violência persiste. A escrevivência é o grito que interrompe esse sono, que força o confronto com a realidade que se prefere ignorar. É, simultaneamente, uma ética e uma estética da resistência.
A coletânea também se volta para dentro da própria esquerda, questionando a primazia de certas categorias de análise. O verbete sobre “Feminismo Marxista” ilustra bem essa tensão. Ele resgata a trajetória de Zuleika Alambert, que criticava a ortodoxia de seu tempo por focar excessivamente no “sentido socioeconômico” e negligenciar a mulher “no seu sentido cultural, espiritual, de comportamento” (ALAMBERT apud ALMEIDA, 2025, p. 103).
Essa crítica de Alambert é particularmente importante porque vem de dentro do marxismo. Ela não rejeita a análise de classe, mas a considera insuficiente. Sua intervenção antecipa debates contemporâneos sobre interseccionalidade ao sugerir que a opressão de gênero tem dimensões que não se reduzem à exploração econômica. Trata-se de um chamado para que a esquerda amplie suas categorias analíticas, incorporando aspectos da experiência que sua gramática tradicional não consegue capturar.
A análise de Alambert, conforme apresentada no livro, defendia que a simples superação da exploração de classe não garantiria a emancipação feminina, sendo necessária “a mais profunda revolução cultural” para varrer as “teias de aranha de um passado não totalmente liquidado” (ALAMBERT apud ALMEIDA, 2025, p. 104). Essa postura evidencia uma recusa em aceitar explicações totalizantes que não dão conta da complexidade da experiência vivida da opressão.
A metáfora das “teias de aranha” é eloquente: sugere algo pegajoso, difícil de remover completamente, que persiste nos cantos mesmo quando pensamos ter limpado tudo. É uma compreensão sofisticada da reprodução cultural da dominação, do modo como padrões de opressão se entremeiam no tecido social de formas que resistem à transformação meramente estrutural. Alambert nos lembra que a revolução precisa acontecer também nas consciências, nos afetos, nas relações cotidianas, não apenas nas relações de produção.
Em sua totalidade, a obra é um testemunho da ideia de que o conhecimento é produzido em meio ao conflito social. Os conceitos aqui catalogados não são abstrações flutuantes, mas armas, ferramentas e abrigos forjados por grupos sociais em sua luta por dignidade, reconhecimento e transformação. Eles emergem da necessidade de nomear realidades que o vocabulário dominante se recusa a ver.
Essa compreensão do conhecimento como produto da luta é central para apreciar o valor da coletânea. Cada verbete conta a história de uma ausência que precisou ser preenchida, de um silenciamento que demandou ser rompido. Os conceitos aqui reunidos não nasceram em gabinetes isolados, mas nas ruas, nos movimentos sociais, nas comunidades, nos espaços de organização coletiva. Foram testados na prática antes de serem sistematizados na teoria. Essa origem confere a eles uma densidade e uma urgência que conceitos puramente acadêmicos frequentemente não possuem.
Uma possível limitação do formato, inerente à própria estrutura de um dicionário de verbetes, é a fragmentação de processos que, na realidade, são profundamente interligados. A experiência da opressão raramente se manifesta de forma isolada, e a separação de conceitos como “Dororidade”, “Racismo Epistêmico” e “Matriz de Dominação” em entradas distintas, embora necessária para a clareza analítica, pode ofuscar a maneira como eles operam simultaneamente na vida de uma mesma pessoa.
Essa observação não diminui o valor da obra, mas aponta para um desafio metodológico inevitável. Como catalogar experiências que são, por natureza, interseccionais e simultâneas? Como criar entradas separadas para fenômenos que acontecem ao mesmo tempo no corpo da mulher negra? O formato do verbete, com sua exigência de definições claras e delimitadas, corre o risco de reproduzir uma fragmentação analítica que contradiz a própria compreensão interseccional que muitos desses conceitos carregam. Seria interessante, em edições futuras ou trabalhos complementares, explorar mais explicitamente as conexões e sobreposições entre os conceitos, talvez através de verbetes que tematizem essas articulações.
Ainda assim, o livro cumpre com brilhantismo seu objetivo declarado: servir como uma “referência segura, rigorosa e qualificada” para um público amplo, que inclui desde estudantes e pesquisadores até “agentes políticos, […] movimentos sociais e cidadãos em geral” (CARNEIRO, 2025, p. 9-10).
A acessibilidade da obra é um de seus grandes méritos. Embora rigorosa conceitualmente, ela não se fecha na linguagem hermética que frequentemente caracteriza a produção acadêmica. Essa abertura não é acidental, mas reflete um compromisso político com a democratização do conhecimento. Afinal, conceitos forjados na luta devem retornar à luta, devem estar disponíveis para aqueles que continuam enfrentando as opressões que lhes deram origem. Uma obra que trata de epistemologias insurgentes não pode ela mesma reproduzir a exclusão epistêmica que critica.
Verbetes Feministas Antirracistas Decoloniais é mais do que um manual ou um dicionário. É um manifesto que celebra a “experiência de síntese teórica” que nasce do chão da fábrica, da cozinha, da favela, da aldeia e da universidade ocupada (CARNEIRO, 2025, p. 8). Ao dar centralidade a essas vozes, a obra não apenas enriquece o debate acadêmico, mas se insere como um ato político, fazendo ecoar a profecia de Lélia Gonzalez, citada na introdução: “a partir de agora o Lixo vai falar, e numa boa!” (GONZALEZ apud CARNEIRO, 2025, p. 10).
Essa citação final, com sua força provocativa, sintetiza o espírito da coletânea. Ao chamar a si mesma de “lixo” – apropriando-se da categoria com a qual o poder tenta descartá-la – Gonzalez realiza um gesto de inversão radical. O que foi jogado fora retorna para falar, para reivindicar seu lugar, para exigir ser ouvido. E fala “numa boa”, ou seja, sem pedir licença, sem se desculpar por existir, com a naturalidade de quem sabe que seu conhecimento é legítimo. A coletânea organizada por Carneiro materializa essa profecia, transformando o que foi relegado ao lixo da história em patrimônio intelectual incontornável para qualquer um que deseje compreender as dinâmicas de poder, resistência e transformação social no Brasil e na América Latina contemporâneos.
Erik Chiconelli Gomes é Pós-Doutor pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP). Doutor e Mestre em História Econômica pela Universidade de São Paulo (USP). Especialista em Economia do Trabalho pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e em Direito do Trabalho pela USP. Bacharel e Licenciado em História (USP). Licenciado em Geografia (UnB). Bacharel em Ciências Sociais (USP) e em Direito (USP). Atualmente, é Coordenador Acadêmico e do Centro de Pesquisa e Estudos na Escola Superior de Advocacia (ESA/OABSP).
Referência:
CARNEIRO, Fredson Sado Oliveira. Verbetes feministas antirracistas decoloniais. (Coleção ABCD Agenda 2030). Universidade de São Paulo. Faculdade de Direito de Ribeirão Preto, 2025. DOI: https://doi.org/10.11606/9786586465457. Disponível em: www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/1711. Acesso em: 14 out. 2025.

