Uma "moléstia social" - Le Monde Diplomatique

COMPORTAMENTO

Uma “moléstia social”

por Mona Chollet
1 de maio de 2005
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Enquanto alguns pesquisadores insistem na punição, outros insistem em compreender a violência masculina para tentar vencê-la – e a única saída seria escutar os homens violentosMona Chollet

Como responder à violência masculina? Germaine Watine, porta-voz da Federação Nacional Solidariedade Mulheres (FNSF), insiste na necessidade de punição: “Esses homens muitas vezes não têm consciência alguma de que estão errados. Um deles, cuja mulher está escondida há semanas, é capaz de nos declarar magnanimamente: ?Diga-lhe que ela pode voltar para casa, não vai haver represálias, eu a perdôo?! Se a sociedade não os enquadrar logo, vai aumentar o risco de uma efetivação do ato assassino, quando a companheira os abandonar. Porque, então, eles ficam muito frustrados.” Daniel Welzer-Lang, no entanto, adverte contra a tentação de levá-los à prisão de qualquer forma: “A justiça deve indicar a norma coletiva. Mas há na França 400 mil homens que já agrediram suas companheiras: vão ser criadas 400 mil vagas nas prisões? Sem contar que a prisão, verdadeira escola da violência viril, só pode agravar o problema.” “Para as violências menos graves”, observa Colette Parent, criminologista da Universidade de Ottawa, “o simples comparecimento diante de um tribunal mostra-se, na maioria das vezes, suficiente para provocar um choque salutar.”

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Para Germaine Watine, se a sociedade não os enquadrar logo, vai aumentar o risco de uma efetivação do ato assassino, quando a companheira os abandonar

Os abrigos para homens violentos, uma instituição no Canadá, continuam pouco numerosos na França, onde são grandes as dificuldades para obter subvenções. “É claro que uma pessoa violenta pode mudar”, declara Jacques Broué, que coordena grupos de discussão no Quebec. “Se não, eu não exerceria esta profissão há vinte anos! Mas essa pessoa raramente consegue mudar sozinha; é preciso ser ajudada”. Germaine Watine não esconde suas reticências em relação às abordagens terapêuticas: “Os estupradores também têm uma história!” Nesse sentido, Alain Legrand, diretor da entidade SOS-Violências familiares, em Paris, diz compreender esse gênero de reações: “Nessa profissão, estamos confrontados a situações repugnantes. Há homens repugnantes”. O princípio dos grupos de discussão deixa-o cético, pois “têm o enorme defeito de não suprimir a violência psicológica. Só têm sentido como uma etapa prévia para uma terapia individual”.

Jacques Broué conta que os participantes, ao chegarem aos grupos de discussão, estão persuadidos de que a companheira é que tem problema, e expressam a esperança de fazê-la mudar; o que tenderia a dar razão a Daniel Welzer-Lang quando afirma que os locais de escuta, em vez de oferecerem aos homens a oportunidade de se reabilitarem, permitem “acompanhá-los em sua responsabilização”. Para ele, a violência masculina é uma “moléstia social”, e não se pode esperar vencê-la sem tentar compreendê-la. Para isso, afirma ele, é absolutamente necessário escutar os homens violentos,



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