O MITO DA MERITOCRACIA

Um elevador sempre em manutenção

Em geral concentrado no círculo social que envolve as elites, o debate sobre meritocracia tem um ponto cego: a sorte do um terço da população menos escolarizada. Diferentemente dos anos 1960, quando a correlação de forças era favorável aos operários, hoje em dia é quase impossível projetar um futuro sem um título. Seria essa uma das fontes da indignação popular?

Raras são as fórmulas que resistem ao tempo. Forjadas durante a campanha presidencial de 1995 pelo dirigente liberal Alain Madelin, a “pane do elevador social” atravessou sem problema as últimas décadas. “O elevador social funciona pior hoje do que há cinquenta anos”, declarou o presidente da República francês, Emmanuel Macron, em viagem a Nantes para anunciar a revisão da Escola Nacional de Administração (ENA).1 Em sua formulação inicial, o “elevador social em pane” não designava nem o mundinho das elites nem o hermetismo social das grandes escolas. Com essas palavras, Madelin denunciava os obstáculos à liberdade de empreender, ligados, segundo ele, às dificuldades burocráticas e ao “igualitarismo” da esquerda. Vindo de uma família modesta (pai operário, mãe datilógrafa), o presidente do partido Democracia Liberal e ex-membro, nos anos 1960, do grupo de extrema direita Ocidente sonhava com uma França do self-made man e de capitães industriais seguindo o modelo de…

Leia mais sobre o tema: