TRIPLA HUMILHAÇÃO

Europa, a capitulação permanente

Raramente os discursos sobre a grandeza da Europa, farol democrático abalado pela onda “populista”, foram tão exaltados. E raramente a União Europeia sofreu tantos reveses em matéria diplomática, estratégica e comercial. Mais ligados ao vínculo transatlântico do que ao interesse das populações, os dirigentes do Velho Continente multiplicam as reverências diante de Donald Trump

A União Europeia foi promovida como um meio de fortalecer o Velho Continente diante das grandes potências, em particular os Estados Unidos. Contudo, no quarto de século que se seguiu ao Tratado de Maastricht, aconteceu o inverso: hoje a Europa encontra-se mais vassala política, econômica e militarmente a Washington e, portanto, mais fraca e menos autônoma. Em matéria de comércio, energia, defesa e política externa, os países europeus têm, nos últimos anos, agido sistematicamente contra os próprios interesses para se alinhar às prioridades estratégicas norte-americanas. O anúncio, em 27 de julho de 2025, de um acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos segundo o qual os produtos norte-americanos entrarão livremente nos países do bloco, enquanto as exportações europeias para a América pagarão uma tarifa aduaneira fixa de 15%, ilustra isso de forma caricata. A rendição vem acompanhada da promessa de aquisição de 645 bilhões de euros em…

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