50 anos da declaração de Independência
Em 28 de Novembro de 1975, por meio Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (FRETILIN), Timor-Leste declarou a sua independência após séculos do colonialismo português

Em meados de 1515, colonizadores portugueses atracaram na ilha de Timor, objetivando a invasão de mais um território. Falo invasão, pois precisamos compreender se ocupa um território que lhe pertence, e invade-se um território que não lhe pertence.
A partir daí, por mais que os esforços de exploração dos portugueses estivessem mais concentrados no Brasil, eles se mantiveram em Timor, promovendo a invasão cultural através da Igreja Católica e explorando o sândalo e demais recursos.
Mas foi a partir do final do século XIX, que o estado português resolveu estar mais presente no território leste-timorense. Nesse sentido, essa presença propiciou a criação da Sociedade Agrícola Pátria e Trabalho (SAPT), uma empresa agrícola portuguesa ligada ao estado português, que por meio da exploração da terra, atuava como ala significativa do colonialismo português, através da produção e comercialização, sobretudo, do café, o maior foco da empresa.
E sendo esse um processo colonial, para além da expropriação da terra realizada pela SAPT, a exploração da mão de obra timorense nos cafezais, era realizada por meio da escravidão. E isso se estendia a construção civil, em que muitos timorenses eram obrigados a atuar na construção de estradas. O pagamento desses trabalhadores era de duas refeições diárias, sendo uma pela manhã e outra no início da tarde, para que pudessem ter energia para trabalhar, e não por benfeitoria dos portugueses.
Todo esse processo colonial se estendeu até o início da década de 1970, quando houve a organização e criação da Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (FRETILIN), que ocorreu em 1974 sob influência do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). Nesse sentindo, a FRETILIN foi a responsável pela proclamação da independência do país em 28 de novembro de 1975.
Cabe destacar, que uma das armas da FRETILIN para a conquista da independência foi a educação, que por meio da obra Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire, iniciou, ainda em seu processo de organização, campanhas de alfabetização que tinham como objetivo, além de letrar as pessoas, promover a conscientização, despertando nas pessoas a necessidade de conquista da independência.
Infelizmente, esse processo de independência foi interrompido pela invasão indonésia em 7 de dezembro de 1975, com apoio da Austrália, que ficou com o petróleo do mar de Timor; e realização dos Estados Unidos, que pôs em prática uma invasão por procuração, enviando grande quantitativo de armamentos para a indonésia, com o argumento de combater o fantasma do comunismo.
Essa invasão se estendeu até 1999, resultando no genocídio de um terço da população de Timor-Leste. E em 20 de maio de 2002, Timor-Leste conquistou a restauração da sua independência, como fruto de lutas, sobretudo, da FRETILIN, que mesmo após a invasão indonésia, manteve e até atuou na expansão da educação popular por meio de escolas clandestinas, além de ter sido principal braço da luta armada.
Assim, essa é uma data para ser comemorada, não numa perspectiva romântica, mas numa perspectiva reflexiva, para que formas de violência e opressão como essas, não se repitam, mesmo que saibamos que atrocidades parecidas como essa estejam ocorrendo, neste momento, contra o povo Palestino.
Samuel Penteado Urban é professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e Pesquisador Associado da Coordenadoria de Estudos da Ásia da Universidade Federal de Pernambuco (CEASIA/UFPE).

