A América Latina na engrenagem doméstica do trumpismo
Em Trump 2.0, a política para o hemisfério deixa de buscar consenso externo e passa a servir à mobilização interna, à guerra cultural e ao cálculo eleitoral permanente
Para melhor entender as decisões do governo Trump 2.0 para a América Latina, é insuficiente restringir o olhar às ações, discursos, documentos de política externa e segurança e às políticas do Departamento de Estado, ou ao aspecto geopolítico. Isso nos leva a uma análise apenas parcial de intenções, interesses e grupos envolvidos nesse processo, tendo, portanto, baixo poder explicativo. Como demonstra a historiografia da área (trago sugestões para o/a leitor/a),[1] a política doméstica sempre foi um elemento complementar útil para a leitura e a interpretação dos acontecimentos nessa relação conturbada e extremamente desigual. Ora explícita como justificativa das políticas do Executivo norte-americano, ora nem tanto, seu peso variou de governo para governo. A título ilustrativo e oportunamente, menciono a Doutrina Monroe (1823), de inequívoca e declarada motivação externa: impedir a intervenção europeia no continente. O objetivo era consolidar a jovem república em formação, proteger suas rotas comerciais e afirmar a…

